O mercado da soja chega ao encerramento da semana com queda nos preços físicos, negociações limitadas nas principais regiões produtoras e valorização dos prêmios de exportação nos portos brasileiros. Em Itararé, no sul de São Paulo, a saca acumula uma desvalorização de R$ 3,30 em relação à semana anterior, enquanto Santos (SP) e Rio Grande (RS) registraram avanços nos prêmios durante a quinta-feira (5).
Segundo análise feita pela Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, a soja em Itararé encerrou a quinta-feira cotada a R$ 149,44 por saca para novembro de 2026, com queda de R$ 0,91 em relação à quarta-feira (4). O município, localizado no corredor de comercialização de Santos, apresentou basis de +R$ 6,17 por saca e prêmios no menor patamar da semana. A pressão da oferta regional, a proximidade com o mercado paranaense e as perdas consecutivas na Bolsa de Chicago integram o cenário observado na região.
Nos portos, os prêmios de exportação seguiram trajetória diferente das cotações internacionais. Em Santos, o indicador alcançou R$ 18,95 por saca, com valorização diária de R$ 0,13, embora ainda estivesse R$ 0,41 abaixo do fechamento da semana anterior. Em Rio Grande, o prêmio avançou R$ 0,77 na quinta-feira, chegando a R$ 17,34 por saca, com alta semanal de R$ 0,16. A diferença entre os dois portos ficou em R$ 1,61 por saca, com Santos mantendo o maior valor absoluto e Rio Grande apresentando a maior valorização diária.
A comercialização também apresentou ritmo reduzido em diferentes regiões do país. Minas Gerais registrou a maior atividade na quinta-feira, com negociações seletivas no Triângulo Mineiro. No interior paulista e em Rondônia, os negócios ocorreram pontualmente, enquanto Mato Grosso, maior estado produtor de soja, apresentou movimentação praticamente paralisada. Goiás e Rio Grande do Sul também registraram baixa atividade comercial.
O levantamento da Grainsights mostra que a semana apresentou um ritmo de negócios inferior ao observado na anterior, considerada a mais ativa de outubro e da série recente acompanhada pela inteligência de mercado. O plantio da safra 2026/27 avança acima do ritmo histórico, acompanhado por revisões positivas nas projeções de produção. Nesse contexto, o câmbio elevado continua compensando parte das perdas nas cotações, mas não impede a pressão sobre os preços da soja disponível no mercado físico.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja acumularam mais uma sessão de perdas na quinta-feira, sem recuperação consistente. O relatório de exportações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não foi suficiente para oferecer sustentação às cotações. Apesar desse movimento, os prêmios portuários brasileiros registraram valorização diária, mantendo o contraste entre os diferenciais de exportação e o comportamento dos preços internacionais.
Com o avanço da safra 2026/27 e a menor atividade comercial nas principais regiões produtoras, o mercado chega à sexta-feira (6) marcado pela pressão sobre os preços físicos e pela sustentação dos prêmios de exportação. O cenário acompanhado pela Grainsights indica uma semana de redução nas cotações e menor disposição para negócios, especialmente em regiões como Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul.