CI

Estiagem e excesso de chuva podem afetar o plantio em várias regiões

INMET prevê trimestre com chuva irregular


Foto: Pixabay

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para outubro, novembro e dezembro de 2026 aponta chuvas irregulares, temperaturas acima da média em diversas regiões e riscos para culturas agrícolas. Segundo dados divulgados pelo INMET nesta terça-feira (13), o cenário exige atenção ao plantio da safra 2026/27, ao manejo hídrico e ao controle de doenças, com impactos que variam entre a estiagem em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e o excesso de chuva no Sul.

O Boletim Agroclimatológico Mensal do INMET apresenta a tendência de chuvas e temperaturas para o trimestre outubro-novembro-dezembro, além de estimativas sobre o armazenamento de água no solo. As informações contribuem para o planejamento das atividades agropecuárias.

Segundo dados divulgados pelo instituto, a combinação de precipitações irregulares e temperaturas elevadas poderá dificultar a implantação de lavouras em áreas com déficit hídrico. Em outras regiões, o excesso de umidade pode reduzir as janelas de trabalho no campo, prejudicar a colheita e favorecer doenças.

A previsão indica predomínio de chuvas abaixo da média climatológica em praticamente toda a Região Norte. Em Roraima, no norte e nordeste do Amazonas, no Baixo Amazonas e no sudoeste do Pará, os acumulados poderão ficar até 200 milímetros abaixo da média. As temperaturas também devem superar a média climatológica em grande parte da região, com desvios positivos de até 2 °C. As exceções são o norte do Amapá e áreas do extremo noroeste do Pará, onde a previsão indica condições próximas da média.

Em outubro, o armazenamento de água no solo deverá permanecer acima de 60% da capacidade de água disponível em áreas do norte e sudoeste do Amazonas. A condição tende a favorecer culturas perenes, como o açaí-do-Amazonas, e cultivos da agricultura familiar, como banana e mandioca.

A partir de novembro, a disponibilidade de água no solo deverá aumentar gradualmente no centro-sul do Amazonas, norte de Rondônia e sul do Pará. Em dezembro, a previsão indica armazenamento superior a 90% da capacidade de água disponível e excedente hídrico em grande parte do Amazonas, em Rondônia, no Acre e no sul do Pará.

Esse cenário poderá favorecer a semeadura e o estabelecimento inicial da soja e do milho de primeira safra em Rondônia e no sul do Pará. Por outro lado, Roraima, Amapá, Baixo Amazonas e nordeste do Pará deverão enfrentar baixos níveis de armazenamento de água no solo e déficit hídrico ao longo do trimestre.

Nessas áreas, a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas poderá dificultar a semeadura da soja, aumentar o risco de falhas de germinação e emergência desuniforme e exigir replantio. As condições quentes e secas também deverão manter elevado o risco de incêndios em áreas agrícolas e pastagens.

No Nordeste, a previsão aponta chuvas abaixo da média no oeste da região, com anomalias negativas de até 100 milímetros no oeste do Maranhão. Já em áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, os volumes poderão ficar ligeiramente acima da média. As temperaturas deverão superar a média climatológica em toda a região, com desvios de até 2 °C no centro-sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e em áreas da Bahia. O armazenamento de água no solo deverá permanecer abaixo de 20% da capacidade de água disponível em grande parte do Nordeste durante o trimestre.

Nas áreas produtoras de grãos do MATOPIBA, a baixa umidade do solo em outubro e novembro, associada ao calor, poderá elevar o risco de falhas de germinação, redução do estande de plantas e necessidade de replantio da soja semeada precocemente.

Em dezembro, a previsão indica recuperação dos estoques de água no solo no oeste da Bahia, o que poderá favorecer as lavouras já implantadas e a semeadura das áreas restantes. No sul do Maranhão, porém, a umidade deverá continuar baixa, mantendo o risco de estresse hídrico, especialmente em períodos sem chuva.

No oeste baiano, o calendário oficial de semeadura da soja termina em 31 de dezembro. Caso a falta de umidade adie as operações, o plantio poderá ficar concentrado em um período mais curto. No norte, centro e leste do Maranhão e no norte do Piauí, onde a semeadura começa em dezembro, a persistência do déficit hídrico também representa risco para o estabelecimento das lavouras.

No semiárido, a estiagem e as temperaturas elevadas poderão reduzir a disponibilidade de água e forragem para os rebanhos. O planejamento alimentar e o uso de reservas, como palma forrageira e silagem, serão importantes. Já o plantio de milho e feijão de sequeiro no sudeste do Piauí e norte da Bahia dependerá do estabelecimento regular das chuvas.

No Centro-Oeste, o prognóstico indica chuvas abaixo da média no centro-norte de Mato Grosso, norte de Goiás e Distrito Federal. No extremo norte de Mato Grosso, as anomalias negativas poderão chegar a 100 milímetros. Em contrapartida, Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás tendem a registrar chuvas acima da média, com desvios positivos de até 100 milímetros, principalmente no extremo sul goiano e nas porções leste e sudoeste sul-mato-grossenses.

As temperaturas deverão ficar acima da média climatológica, com desvios de até 2 °C no norte de Mato Grosso. Em outubro, a combinação de pouca chuva e calor poderá manter o armazenamento de água no solo abaixo de 20% da capacidade de água disponível em grande parte da região, prejudicando a semeadura e o estabelecimento inicial da soja.

As condições também poderão afetar o plantio de soja, milho e feijão de primeira safra em Goiás e no Distrito Federal. Em Mato Grosso, as lavouras implantadas em setembro poderão enfrentar restrições ao desenvolvimento vegetativo inicial.

No sul de Mato Grosso do Sul, a maior disponibilidade de água deverá favorecer a semeadura da soja e do milho de primeira safra, embora episódios de chuva possam limitar temporariamente as operações de campo e o tráfego de máquinas.

A partir de novembro, o armazenamento de água no solo deverá aumentar e o déficit hídrico diminuir em grande parte do Centro-Oeste. Em dezembro, a previsão indica níveis superiores a 90% da capacidade de água disponível em praticamente toda a região, com excedente hídrico principalmente no norte de Mato Grosso e centro de Goiás.

A recuperação da umidade poderá favorecer as lavouras de soja, milho e feijão, a semeadura das áreas remanescentes e a rebrota das pastagens. No entanto, o excesso de água e a elevada umidade do ar e do solo poderão aumentar a ocorrência de doenças fúngicas e limitar as pulverizações.

A previsão para o Sudeste indica chuvas acima da média no sul de São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais. No sul paulista, os desvios positivos poderão chegar a 100 milímetros. Nas áreas ao norte da região, os volumes deverão ficar entre a média e abaixo dela, com redução de até 50 milímetros no nordeste do Espírito Santo. As temperaturas deverão superar a média climatológica em todo o Sudeste, com desvios de 1 °C a 2 °C no leste de São Paulo e no centro e norte de Minas Gerais.

Em outubro, a umidade do solo deverá ser maior no sul de São Paulo, sudeste de Minas Gerais e Rio de Janeiro. No norte de Minas Gerais e no Espírito Santo, porém, os níveis poderão permanecer abaixo de 30% da capacidade de água disponível, aumentando o risco para o plantio de soja e milho em áreas de sequeiro.

A previsão indica melhora gradual das condições hídricas a partir de novembro, com níveis mais elevados de armazenamento de água no solo em grande parte da região em dezembro. Mesmo assim, o extremo norte de Minas Gerais e o Espírito Santo poderão continuar com baixa disponibilidade hídrica.

Para o café arábica, as temperaturas elevadas e a deficiência hídrica prevista para outubro poderão comprometer a florada, principalmente em Minas Gerais. A persistência da baixa umidade do solo poderá aumentar o risco de abortamento floral e reduzir o pegamento dos frutos. A partir de novembro, a recuperação da umidade deverá contribuir para o desenvolvimento inicial dos frutos.

No norte do Espírito Santo, região produtora de café conilon, a restrição hídrica ao longo do trimestre poderá limitar o crescimento e o desenvolvimento dos frutos, especialmente nas lavouras de sequeiro, e aumentar a necessidade de irrigação.

Em São Paulo, o aumento das chuvas e a menor disponibilidade de radiação solar poderão prejudicar culturas de hortifrúti. A umidade elevada e a redução das janelas de tempo seco também poderão dificultar tratos culturais, adubação, aplicação de defensivos e colheita, além de favorecer doenças e comprometer a qualidade dos produtos.

Na Região Sul, o INMET prevê chuvas acima da média climatológica durante todo o trimestre. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e áreas do sul e leste do Paraná poderão registrar anomalias positivas superiores a 100 milímetros. As temperaturas deverão ficar acima da média no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Nas demais áreas, a previsão indica temperaturas próximas da média ou abaixo dela em partes do sul gaúcho.

O armazenamento de água no solo deverá superar 80% da capacidade de água disponível em toda a região. O cenário reduz a possibilidade de períodos prolongados de tempo seco, mas aumenta a preocupação com a umidade excessiva e com a disponibilidade de períodos adequados para o manejo das lavouras.

Em outubro, os excedentes hídricos poderão superar 200 milímetros no oeste e norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná. Em novembro, os maiores desvios poderão ultrapassar 150 milímetros no noroeste gaúcho e no extremo sul catarinense. Em dezembro, os excedentes deverão abranger áreas mais extensas, com destaque para o oeste do Rio Grande do Sul, grande parte de Santa Catarina e o sul do Paraná.

O excesso de umidade poderá dificultar o encerramento da safra de inverno, reduzir as oportunidades para os últimos manejos e atrasar a colheita. A permanência das culturas em condições úmidas também poderá favorecer doenças e comprometer a qualidade dos grãos.

A elevada umidade poderá dificultar o preparo do solo e a semeadura da soja, principalmente em áreas com drenagem limitada. A previsão de maior frequência de tempestades, associada à atuação do El Niño, também exige atenção para chuvas intensas, vendavais e granizo, que poderão causar danos às lavouras durante a próxima safra de verão.

Para o milho, as chuvas frequentes deverão, em geral, atender à demanda hídrica da cultura. Entretanto, a disponibilidade de radiação solar continua importante para o potencial produtivo, especialmente durante o pendoamento, a floração e o enchimento de grãos, previstos principalmente para novembro e dezembro.

No arroz irrigado, o tempo chuvoso e a variação da nebulosidade poderão favorecer doenças, exigindo atenção ao manejo fitossanitário. Nas pastagens, os excedentes hídricos poderão aumentar o pisoteio dos animais e contribuir para a degradação do solo, tornando importante o manejo adequado dos rebanhos entre os piquetes.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7