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Excesso de chuva pode atrasar a semeadura no oeste gaúcho

Arrozeiros devem avaliar a drenagem e os danos antes de liberar máquinas


Foto: Pixabay

A chuva ganha força entre quarta-feira (7) e quinta-feira (8) no Rio Grande do Sul, com pontos do oeste gaúcho podendo registrar mais de 125 mm em 24 horas. Segundo dados divulgados pelo Meteored, o cenário exige atenção dos arrozeiros com drenagem, taipas, canais e quadros recém-semeados antes da retomada das operações.

Na Fronteira Oeste, Campanha e Missões, a semeadura do arroz avança em ritmos diferentes, enquanto milho e soja também ocupam áreas de terras baixas. O excesso de água pode interromper o trânsito de máquinas, deslocar sementes e fertilizantes e exigir reparos na infraestrutura das lavouras.

Chuva no oeste gaúcho aumenta os desafios para a semeadura

Segundo dados divulgados pelo Meteored, a instabilidade retorna ao centro-sul e ao oeste do Rio Grande do Sul na noite desta quarta-feira (7), com possibilidade de tempestades e granizo.

Na quinta-feira (8), a chuva se espalha pelo Estado. No oeste gaúcho, os acumulados podem superar pontualmente 125 mm em 24 horas. Entre 5 e 12 de outubro, os volumes previstos podem alcançar 200 mm no norte do Rio Grande do Sul. Esse acumulado semanal inclui os dias anteriores a esta quarta-feira.

Na Fronteira Oeste, alguns municípios já ultrapassaram metade da área prevista para a semeadura do arroz, enquanto outros tiveram as operações interrompidas pela umidade.

Na Campanha e nas Missões, tempestades anteriores também provocaram danos em lavouras e estruturas. Entre 24 e 30 de setembro, Rosário do Sul registrou 259 mm de chuva.

Drenagem do arroz passa a exigir atenção

O arroz irrigado depende do controle da água, mas chuvas intensas podem superar a capacidade de escoamento dos talhões.

Na Fronteira Oeste, alagamentos pontuais já levaram à necessidade de avaliar taipas, drenos, canais, sementes e fertilizantes.

A condição de cada área deve ser observada individualmente. Talhões com boa drenagem podem retomar as operações quando houver sustentação suficiente para as máquinas, enquanto outros precisarão de mais tempo para perder o excesso de umidade.

Em regiões produtoras como Uruguaiana, Bagé e São Borja, a capacidade de drenagem precisa ser analisada em cada talhão. As médias regionais não mostram necessariamente a quantidade de água retida dentro dos quadros.

No levantamento de 5 de outubro, 19,7% da área de arroz estava semeada no país. Esse índice, porém, não representa especificamente a situação do Rio Grande do Sul.

Milho e soja também sentem o excesso de água

Nos quadros recém-semeados, enxurradas podem deslocar sementes e provocar falhas no estande. Nas áreas de soja cultivadas em terras baixas, o encharcamento também restringe a aeração do solo e pode comprometer a emergência das plantas.

O milho gaúcho havia alcançado 73% da área prevista, com desenvolvimento inicial considerado geralmente satisfatório. Ainda assim, episódios de granizo e frio provocaram prejuízos localizados.

A chuva pode reduzir temporariamente a necessidade de bombeamento nas áreas de arroz, desde que a lâmina de água seja monitorada.

Depois das tempestades, a inspeção deve identificar quais áreas sofreram danos e quais permaneceram preservadas, evitando decisões baseadas apenas na condição média da região.

Próximos dias serão decisivos para retomar as operações

Segundo dados divulgados pelo Meteored, as instabilidades devem continuar no Sul até o fim de semana, com maiores volumes previstos para o norte gaúcho e o oeste de Santa Catarina e do Paraná no acumulado entre 5 e 12 de outubro.

Na Fronteira Oeste, a quinta-feira (8) concentra a principal atenção. A partir de sexta-feira (9), a possibilidade de retomada da semeadura dependerá da recuperação de cada talhão.

Antes de liberar a entrada de máquinas, é necessário verificar pontos baixos, obstruções, erosão e eventual deslocamento de insumos.

O manejo da irrigação, a recomposição das taipas e novas aplicações também dependem do cultivo, da fase de desenvolvimento das plantas e da avaliação agronômica local.

Confira o que observar após a chuva

No oeste gaúcho, onde há previsão de volumes superiores a 125 mm em 24 horas em pontos isolados, a inspeção dos canais deve ocorrer antes da entrada de máquinas.

Na Fronteira Oeste, municípios que já ultrapassaram 50% da área prevista para a semeadura devem ter atenção especial aos quadros recém-implantados, verificando possíveis deslocamentos de sementes.

Na Campanha e nas Missões, os danos provocados pelo granizo devem ser registrados após a passagem das instabilidades.

A prioridade é separar os reparos que precisam ser feitos imediatamente das áreas que ainda permanecem encharcadas e não apresentam condições para retomada das operações.

A evolução da chuva no RS nos próximos dias será, portanto, um dos fatores para definir quando cada talhão poderá voltar a receber máquinas e avançar com a implantação das lavouras.

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