Como a água sobe dezenas de metros nas árvores
O mecanismo segue princípio semelhante ao de um canudo
O mecanismo segue princípio semelhante ao de um canudo - Foto: Pixabay
A água consegue percorrer dezenas de metros dentro das árvores, das raízes até as folhas, sem depender de bombas ou de gasto energético direto para realizar esse transporte. Segundo Gleycon Silva, consultor técnico, o processo é explicado por mecanismos físicos relacionados principalmente à transpiração e à coesão entre as moléculas de água.
Durante as horas de luz, as folhas liberam vapor de água pelos estômatos, pequenos poros presentes na superfície foliar. Essa perda contínua gera uma tensão que se propaga para baixo por toda a coluna de água existente nos vasos do xilema, fazendo com que a água seja puxada das raízes em direção à copa.
A continuidade desse fluxo é possível graças à coesão entre as moléculas de água. A atração entre elas mantém a coluna unida mesmo diante de fortes tensões negativas. Em árvores de grande porte, essas tensões podem alcançar o equivalente a menos 30 atmosferas, sem que a coluna de água se rompa.
O transporte ocorre pelo xilema, formado por tubos microscópicos de madeira morta que percorrem o tronco. Esses vasos possuem entre 0,01 e 0,5 milímetro de diâmetro e formam uma estrutura oca por onde a água circula continuamente.
Nas raízes, a reposição acontece pela absorção da água disponível no solo. As micorrizas, fungos que mantêm uma relação simbiótica com as plantas, ampliam a área de absorção radicular e auxiliam nesse processo. Em um carvalho adulto, por exemplo, a transpiração pode variar de 200 a 400 litros de água por dia durante o verão.
O mecanismo segue princípio semelhante ao de um canudo: a tensão gerada na parte superior cria a força necessária para puxar o líquido. Nas árvores, transpiração, coesão da água, xilema e absorção radicular atuam de forma integrada para sustentar o fluxo até grandes alturas.