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Como melhorar a eficiência e a rentabilidade das fazendas de gado

Melhoramento genético aumenta a eficiência dos rebanhos


Foto: Pixabay

A adoção de melhoramento genético, inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e ferramentas genômicas pode aumentar a eficiência reprodutiva e a rentabilidade das fazendas comerciais de gado. Segundo informações divulgadas pelo Governo da Argentina, especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e da Câmara Argentina de Biotecnologia Reprodutiva e Inseminação Artificial (CABIA) destacam que essas tecnologias, associadas ao manejo, à nutrição e à saúde do rebanho, contribuem para elevar a prenhez, melhorar o peso dos bezerros à desmama e aumentar a produção por hectare.

A genética tem ganhado espaço na pecuária de corte comercial por contribuir para melhorar indicadores produtivos e acelerar os resultados dos sistemas de cria. Para Federico Hozbor, pesquisador do Grupo de Biotecnologia Reprodutiva do INTA Balcarce, em Buenos Aires, os ganhos dependem da integração entre genética, manejo, nutrição e saúde animal. “As ferramentas para alcançar a eficiência reprodutiva já estão disponíveis”, afirmou Hozbor.

Em um estudo interdisciplinar realizado com Hugo Nigro, também pesquisador do INTA e especialista em manejo de melhoramento genético bovino, foi demonstrado que a aplicação de um programa de inseminação artificial em tempo fixo, acompanhada do controle dos touros 10 dias após a inseminação, permitiu alcançar taxas de prenhez superiores a 80% nos primeiros 27 dias de serviço.

Os pesquisadores ressaltaram que o resultado depende de condições adequadas das matrizes. Para favorecer o sucesso reprodutivo, as vacas devem apresentar balanço energético positivo e condição corporal de pelo menos 2,5, em uma escala de 1 a 5.

A inseminação artificial em tempo fixo permite organizar o calendário reprodutivo e concentrar os nascimentos. Segundo os especialistas do INTA, a técnica também favorece o aumento do peso e da idade de desmama em uma data fixa, facilita a introdução de genética melhorada a custos menores e contribui para um manejo mais racional da nutrição e da saúde do rebanho.

Pablo Veiga, veterinário especializado em reprodução bovina, também destacou a importância do melhoramento genético para a eficiência dos sistemas produtivos. “A genética é um dos pilares da produção pecuária eficiente”, afirmou durante uma apresentação sobre a implementação de programas genéticos e seus impactos na produtividade e na rentabilidade dos rebanhos.

Entre os principais indicadores para avaliar o desempenho de uma fazenda, Veiga apontou o número de bezerros produzidos, o peso individual dos animais e os quilos de bezerro produzidos por hectare.

De acordo com os dados apresentados, melhorias na taxa de marcação dos bezerros podem gerar diferenças econômicas significativas na receita de um sistema de cria. “A IATF permite o uso de touros comprovadamente superiores, antecipa o parto, concentra a estação de nascimento e produz animais mais eficientes”, explicou Veiga.

O mercado de genética bovina apresenta dinâmica estável, com destaque para a inseminação artificial e o crescimento da demanda por sêmen e embriões. Na Argentina, foram comercializadas mais de 8,3 milhões de doses de sêmen bovino, predominantemente de raças de corte. As exportações do setor também registraram aumento.

Mariano Etcheverry, integrante da CABIA, ressaltou a contribuição das biotecnologias reprodutivas para ampliar o acesso à genética melhorada e reduzir problemas relacionados à saúde animal e ao transporte. “As biotecnologias reprodutivas permitem a disseminação de genética melhorada e reduzem os problemas de saúde e transporte”, afirmou.

Segundo Etcheverry, o mercado internacional continua concentrado na América do Norte e na Europa, embora existam oportunidades específicas para a genética bovina argentina.

Outra ferramenta que avança na pecuária de corte é a genômica, utilizada para identificar genes associados a características de interesse econômico.

Segundo Veiga, a tecnologia permite avaliar características como crescimento, facilidade de parto e eficiência de conversão alimentar. Com isso, os produtores podem tomar decisões de seleção mais precisas e alinhadas aos objetivos de cada sistema de produção. “A genômica aprimora a precisão da seleção e permite decisões mais objetivas”, afirmou o especialista.

A seleção genética também pode acelerar os ganhos produtivos quando combinada à concentração dos partos e ao uso de material genético superior. “Quando o parto é concentrado e se utiliza material genético superior, os resultados aparecem rapidamente nos quilogramas produzidos”, destacou Veiga.

Apesar dos benefícios, a genética não resolve isoladamente os desafios da produção pecuária. Veiga alertou que os resultados dependem de um conjunto de práticas que permitam aos animais expressar seu potencial produtivo. “A genética não faz milagres. É preciso controlar os outros fatores envolvidos na produção”, afirmou.

Entre os cuidados necessários estão a manutenção de planos sanitários, o manejo reprodutivo eficiente e o registro dos indicadores de produção. Essas medidas ajudam a acompanhar os resultados e a orientar as decisões de melhoramento do rebanho. “O touro perfeito não existe, mas existem touros reprodutores que podem melhorar parâmetros específicos alinhados com os objetivos de cada rodeio”, concluiu Veiga.

A combinação entre seleção genética, tecnologias reprodutivas e gestão do rebanho permite direcionar os investimentos para características de maior valor econômico, com potencial para melhorar a produtividade e a rentabilidade das fazendas comerciais.

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