A alta dos preços no atacado elevou a inflação acumulada e ampliou a pressão sobre contratos com reajuste anual. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, o IGP-M subiu 1,47% em outubro, após 1,57% em setembro, e acumula 4,97% no ano. Em 12 meses, a taxa passou de 3,35% para 5,24%.
O IPA-M, que responde por 60% do índice, avançou 1,93% no mês, enquanto o IPC-M subiu 0,45% e o INCC-M, 0,35%. No atacado, os produtos industriais tiveram alta de 2,16%, acima dos 1,29% dos agropecuários. O movimento inverteu o quadro de setembro, quando o agro liderou as altas.
Em 12 meses, o IPA-M passou de 2,69% para 5,30%. Os bens intermediários acumularam 6,51%, maior variação entre os estágios de processamento. No varejo, a alimentação subiu 1,02%, pressionada por hortaliças e legumes in natura, que avançaram 10,6%.
As projeções da AE apontam altas de 1% em novembro e 1,02% em dezembro, levando o IGP-M a 7,1% em 2026. A taxa em 12 meses pode se aproximar de 9% em março de 2027, antes de ceder, devido à base de comparação negativa do início deste ano.
Na avaliação apresentada, aluguéis comerciais, tarifas de concessão e contratos de energia vinculados ao IGP-M tendem a entrar em 2027 com correções superiores ao IPCA. Reajustes no primeiro trimestre podem coincidir com o pico projetado, ampliando a discussão sobre renegociações.
Outro ponto de atenção são os bens intermediários sem combustíveis e lubrificantes, cuja alta passou de 0,63% em setembro para 0,87% em outubro. A série ajuda a acompanhar a pressão dos custos industriais, que já acelerava antes da alta do gás europeu e da oscilação cambial desta semana.