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Feijão: atenção ao manejo pode evitar perdas na lavoura

Monitoramento contínuo ajuda a proteger a produtividade


Foto: Ibrafe

O monitoramento da lavoura de feijão deve acompanhar todo o ciclo da cultura, do plantio à colheita, para identificar problemas antes que eles provoquem perdas de produtividade e qualidade. A estratégia envolve observar o estande de plantas, a sanidade, a presença de pragas e doenças, as plantas daninhas e as condições de solo e clima em diferentes épocas do ano e sistemas de cultivo.

O feijão é uma cultura sensível às variações de clima, solo e manejo. Por isso, o acompanhamento precisa ser contínuo e adaptado às condições de cada propriedade, seja em cultivo de sequeiro ou irrigado, nas safras de águas, seca ou inverno.

O monitoramento começa antes mesmo da emergência das plantas. Após a semeadura, é importante verificar a uniformidade de distribuição das sementes e observar problemas como encharcamento, erosão e formação de crosta superficial, que podem prejudicar a germinação.

Nos primeiros dias após a emergência, o produtor deve avaliar o estande, a uniformidade das linhas e a ocorrência de falhas. Também é necessário observar plântulas quebradas, sintomas de murcha e tombamento, conhecidos como damping-off, além de possíveis ataques de pragas de solo que atingem sementes e raízes.

Essa avaliação inicial permite identificar falhas de plantio em uma fase em que eventuais correções ainda podem ser tecnicamente viáveis.

Durante o desenvolvimento vegetativo, o foco passa para o crescimento e a sanidade da parte aérea. A cor das folhas, o vigor das plantas e diferenças de porte entre áreas podem indicar alterações que exigem investigação.

As vistorias também devem buscar sinais iniciais de pragas sugadoras e mastigadoras. Caminhadas em zigue-zague ou no formato de “W” ajudam a obter uma amostragem mais representativa da lavoura e evitam que a avaliação fique concentrada apenas nas bordas.

Percevejos, mosca-branca, ácaros e insetos desfolhadores podem aparecer durante o período vegetativo. O acompanhamento deve considerar a contagem de insetos por planta ou por meio de batida de pano, conforme a recomendação técnica.

Também é importante verificar o verso das folhas, onde diversos organismos podem se abrigar. O registro da intensidade dos ataques, da localização dos focos e das condições de temperatura, umidade e chuvas recentes ajuda na tomada de decisão junto ao responsável técnico.

Na fase reprodutiva, que envolve floração, formação e enchimento de vagens, o monitoramento precisa ser intensificado. Nesse período, estresses provocados por pragas, doenças ou deficiência hídrica e nutricional podem afetar diretamente o pegamento das flores, o número de vagens e o enchimento dos grãos.

A lavoura deve ser observada em busca de manchas nas folhas, lesões em vagens, murcha, amarelecimento e queda prematura de folhas. Esses sinais podem estar associados a doenças fúngicas, bacterianas ou viróticas.

O acompanhamento após períodos de chuva ou de orvalho intenso é especialmente importante. Nessas condições, o produtor deve verificar se surgiram novas manchas ou se houve avanço das lesões já identificadas.

A identificação correta dos sintomas é fundamental. Em caso de dúvida, o material recomenda a coleta de amostras e a busca por apoio técnico ou laboratório de diagnóstico. A partir da confirmação, a estratégia de manejo deve considerar o nível de infecção, o estádio da cultura e a previsão climática.

As plantas daninhas também precisam fazer parte do monitoramento desde o início do ciclo. O produtor deve identificar as espécies presentes, avaliar o porte e a densidade e acompanhar os períodos de maior competição por água, luz e nutrientes.

As vistorias em diferentes momentos após a emergência permitem verificar se o controle inicial foi eficiente ou se existe necessidade de uma intervenção complementar. O reconhecimento das espécies também auxilia na definição das estratégias de manejo e na rotação de mecanismos de ação de herbicidas.

Outro ponto importante é manter um histórico das condições encontradas na lavoura. Um caderno ou uma planilha de campo pode reunir as datas das vistorias, o estádio da cultura, as pragas e doenças identificadas, os níveis de infestação, a presença de plantas daninhas e as condições climáticas recentes.

Também devem ser registradas as intervenções realizadas, como aplicações de defensivos, adubações de cobertura e irrigação. Essas informações permitem comparar diferentes safras, ajustar estratégias de manejo e planejar o controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

A frequência das vistorias varia conforme o clima e o estágio de desenvolvimento do feijão. Em períodos quentes e úmidos, que podem ocorrer em diferentes regiões produtoras ao longo do ano, as visitas podem precisar ser realizadas a cada dois ou três dias.

Em períodos mais secos ou frios, a frequência pode ser reduzida, mas sem criar intervalos que façam o produtor perder o momento adequado para uma intervenção. Muitos problemas evoluem rapidamente e podem causar danos difíceis de reverter quando identificados tardiamente.

O monitoramento também pode ser complementado por ferramentas como armadilhas para insetos, imagens de satélite, drones e sensores de solo e clima. Armadilhas adesivas ou de feromônio podem contribuir para a detecção precoce de determinadas pragas.

Imagens aéreas permitem identificar áreas com sinais de estresse relacionados ao excesso ou à falta de água, deficiência nutricional ou possíveis focos de doenças. Sensores de umidade do solo e estações meteorológicas locais também podem auxiliar no manejo da irrigação e na identificação de condições favoráveis ao surgimento de doenças.

Monitorar a lavoura não significa apenas procurar problemas. Também é necessário verificar se as medidas adotadas estão funcionando.

Depois de uma aplicação de produto fitossanitário, por exemplo, o retorno à área permite avaliar a redução das pragas ou doenças-alvo, possíveis sintomas de fitotoxicidade e sinais de ressurgência de populações indesejáveis. A avaliação ajuda a identificar falhas e aprimorar as ações futuras.

A identificação precoce de infestações e doenças também pode permitir medidas mais pontuais, com potencial para reduzir o volume de produtos utilizados, os custos e o impacto ambiental.

O monitoramento integrado a práticas como rotação de culturas, manejo adequado de resíduos, correção e adubação do solo e uso de cultivares adaptadas e mais tolerantes pode contribuir para sistemas de produção mais estáveis e menos dependentes de intervenções emergenciais.

Ao longo dos doze meses do ano, o acompanhamento sistemático permite construir um histórico da lavoura e antecipar decisões. Caminhar pela área, registrar informações, interpretar os sinais das plantas e do ambiente e buscar apoio técnico são medidas que ajudam a diferenciar um sistema de manejo reativo de uma estratégia preventiva.

As decisões relacionadas ao uso de produtos fitossanitários, reguladores de crescimento ou fertilizantes devem seguir as recomendações de rótulo, bula e receituário agronômico, com orientação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

O monitoramento fornece informações para a tomada de decisão, mas a definição das intervenções deve considerar o diagnóstico local, a análise de solo, o histórico da área e as características de cada safra e propriedade.

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