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Genética acelera a pecuária leiteira

Genômica e raças zebuínas impulsionam a eficiência na produção de leite


Foto: Pixabay

Com avanço das avaliações genômicas e força das raças zebuínas, produtores de leite buscam cada vez mais eficiência para enfrentar desafios da atividade; 4ª ExpoLeite promoverá Debate Agro Leite, com palestra de Jônadan Ma, no próximo dia 16

A cadeia produtiva do leite vive um período de transformações, equilibrando-se entre desafios econômicos e avanços tecnológicos no campo. O país se consolida como o terceiro maior produtor mundial de leite e, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE, a produção nacional atingiu o recorde histórico de 36,7 bilhões de litros em 2025, registrando uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior.

No entanto, as margens apertadas e as oscilações de preço no mercado internacional testam a resiliência dos produtores de forma constante. Nos últimos meses, o preço médio pago ao produtor no Brasil alcançou a marca de R$ 2,87 por litro, segundo o Cepea. Embora o valor represente uma recuperação frente aos anos anteriores, o ganho é rapidamente coroado pela alta dos custos de produção, puxada por insumos como ração, suplementos minerais, energia e fertilizantes.

No cenário externo, o Brasil enfrenta uma forte pressão das importações de lácteos e leite em pó, vindas majoritariamente de vizinhos do Mercosul, como Argentina e Uruguai. Setores da indústria nacional apontam que essa entrada volumosa, muitas vezes associada a práticas concorrenciais desproporcionais (dumping), desestimula o mercado interno. Por outro lado, as exportações brasileiras focam em nichos de derivados e, com destaque crescente, no comércio internacional de genética viva e animais leiteiros adaptados, valorizados pelo mercado intertropical global.

Para o produtor Jônadan Ma, uma das lideranças expressivas do setor, o momento exige profissionalismo e ações governamentais coordenadas para a sobrevivência da atividade. Ele afirma que o produtor não pode aceitar apenas tirar leite, sendo fundamental gerir a fazenda como uma empresa de alta eficiência.

“O setor produtivo brasileiro carece de mecanismos eficientes de previsibilidade de preços e de uma defesa comercial sólida e ativa que coíba as distorções causadas pelo dumping internacional de lácteos. O produtor precisa de estabilidade para planejar seus investimentos em tecnologia e nutrição”, afirma.

Jônadan Ma ressalta que é hora de o país começar a pensar mais em políticas públicas que viabilizem a produção do leite e de toda a cadeia de produção de seus derivados. “Em outubro estarão encerradas as manifestações rurais para que o governo possa avaliar a possibilidade de implantação ou não das políticas antidumping. É o momento de manifestarmos porque o Brasil é grande exportador de alimentos. Mas, sem ações efetivas do governo que deem segurança aos produtores brasileiros, em breve a falta das políticas públicas internas para proteção da nossa cadeia produtiva cobrará um preço alto. Isso porque, a médio e longo prazo, os produtos estrangeiros, que entram no Brasil com preços entre 25% e 27% até mais baixo do que eles cobram em seus mercados internos, vão desmontar nossa cadeia produtiva. Sem competição, será hora deles aumentarem o preço e quem sofrerá mais será o consumidor”.

O papel do Zebu e a revolução da genômica

Diante dos desafios, o produtor de leite busca a máxima eficiência por meio do melhoramento genético. Os reflexos dessa busca já aparecem nos indicadores nacionais de produtividade: mesmo com uma redução de 2,7% no rebanho de vacas ordenhadas (que somou 14,7 milhões de cabeças), o país alcançou uma média recorde de 2.498,7 litros por animal ao ano, um crescimento expressivo de 5,6% em eficiência por indivíduo.

“No Brasil, a grande engrenagem produtiva gira em torno das raças Girolando e Holandês, unindo o volume de produção europeu à rusticidade necessária para os trópicos. Nesse arranjo, o gado Zebu desempenha um papel fundamental. Raças como o Gir Leiteiro, o Guzerá e o Sindi fornecem a base de adaptabilidade ao calor, resistência a parasitas e conversão alimentar eficiente. O trabalho contínuo de seleção do Zebu converteu animais tradicionalmente rústicos em verdadeiras matrizes de alta performance, elevando os teores de gordura e proteína do leite e assegurando um alimento seguro e de altíssima qualidade no prato do consumidor”, avalia Rafael Vizoná, gerente de Melhoramento Genético do Leite da ABCZ.

O motor dessa evolução atende por ferramentas de precisão como o PMGZ Leite (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), coordenado pela ABCZ. A grande revolução recente no setor são as avaliações genômicas, tecnologia de ponta que permite ler o DNA dos animais ainda jovens para prever sua capacidade produtiva, longevidade e saúde, encurtando o tempo necessário para o ganho genético no rebanho.

Rafael Vizoná explica que o avanço das avaliações genômicas, que agora abrangem raças zebuínas leiteiras de forma consolidada, trouxe um salto de velocidade e precisão na pecuária tropical. Ele pontua que ferramentas como o PMGZ Leite dão ao produtor a certeza científica de quais animais vão performar melhor no ambiente brasileiro, e ressalta que selecionar com base na genômica significa reduzir o custo com animais improdutivos, otimizar recursos e garantir uma cadeia que entrega um alimento de qualidade superior com menor impacto ambiental e financeiro.

Debate setorial na ExpoLeite 2026

As principais discussões sobre custos, comércio exterior e os novos horizontes da genômica têm data e local marcados. O “Debate Agroleite”, organizado pela ABCZ, será o epicentro das discussões da cadeia leiteira nacional. O evento ocorrerá no próximo dia 16, a partir das 10h, no Parque Fernando Costa, durante a 4ª ExpoLeite.

O debate reunirá importantes cooperativas de leite, lideranças do agronegócio e produtores de todas as regiões do Brasil, que juntos representam a fatia majoritária do volume leiteiro nacional. A feira, realizada de 12 a 18 de outubro, reunirá mais de 700 animais em julgamentos, mostra e torneio leiteiro, provando que a resposta para a rentabilidade da atividade passa obrigatoriamente pela inovação e pela força da pecuária zebuína leiteira.

A 4ª ExpoLeite é realizada pela ABCZ com o apoio do Banco do Brasil, ApexBrasil, Emater Minas Gerais, Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), Sebrae, Sicoob e Sistema CNA/Faemg/Senar. O patrocínio oficial fica por conta da Neogen e da Romancini Troncos & Balanças, tendo a Amstel como cerveja oficial e a Geremia Fest como distribuidora exclusiva.

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