“Incluir o diesel na CIDE significa imposto e, consequentemente, isso vai implicar em maiores custos aos produtores, custos na logística dos insumos como fertilizantes, sementes, defensivos, custo no transporte das safras e custos com impacto na distribuição dos alimentos, e vai para o bolso do consumidor”. A denúncia partiu do professor José Luiz Tejon Megido, conselheiro fiscal do CCAS (Conselho Científico para Agricultura Sustentável).
O especialista comentava a iniciativa da ministra da Agricultura Katia Abreu, que sugeriu à Presidente Dilma incluir o óleo diesel no imposto da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), tal como já ocorre na gasolina. “Falar em aumento de custos para o produtor brasileiro através do imposto no diesel, não faz sentido nas atuais circunstâncias nacionais”, sustenta.
“Na França os produtores dirigiram seus tratores para Paris, semana passada. Foram 1.500 máquinas tomando o centro parisiense para protestar contra os custos da agricultura francesa, contra o embargo russo, as despesas com investimentos ambientais, encargos sociais crescentes, e a pressão de diminuição de preços, na ponta das bolsas e do consumo. O primeiro-ministro Manuel Valls recebeu os produtores e prometeu: 'nossa meta é dar novas perspectivas e esperanças aos nossos produtores'”, contou Tejon.
“Os custos de logística, a burocracia, os impostos, o combustível, penalizam dois setores do agronegócio: produtores rurais, pois esses não conseguem repassar custos para os preços, eles não mandam nos preços, e penalizam consumidores, que recebem o pacote pronto na hora de consumir. Mas o que o povo francês sabe de longa data é que segurança alimentar depende dos seus produtores. Portanto, lá na França, o governo já decidiu afrouxar as exigências ambientais, e oferecer um pacotaço de ajuda aos seus agricultores”, arrematou ele, que dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM e é comentarista da Rádio Jovem Pan.