Inverno pode ser mais quente e seco
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Imagem: Arquivo
AGROTEMPO

Inverno pode ser mais quente e seco

Período terá permanência do La Niña, poucas chuvas e temperaturas mais altas
Por: -Aline Merladete
  • Na média, julho, agosto e setembro apresenta o período mais seco no centro do país. Na média, as chuvas retornam em Agosto na primavera. 
  • Estamos sob a atuação do fenômeno La Niña. Com 64% de chances de permanecer no inverno.
  • La Niña pode persistir até o primeiro trimestre de 2023, mas segue na incerteza.
  • Previsão indica temperaturas acima da média no período. Ondas de frio podem ser mais rápidas ou mais fracas.
  • Previsão mostra chuvas abaixo da média no centro-sul do Brasil, com destaque para a região sul.
  • Faixa norte e leste do nordeste, poderá registrar um inverno mais úmido. 

Antes mesmo de iniciar a nossa análise, podemos constatar pelo menos dois grandes fatores que vão influenciar o clima neste inverno de 2022. Um deles é o que diz respeito ao comportamento das chuvas ao longo do período – climatologia – e o outro é a influência do fenômeno La-Niña no Oceano Pacífico Equatorial. 

Comportamento da média histórica das chuvas. 

Em relação à climatologia – isto é, a média das chuvas ocorridas ao longo dos anos – temos um claro padrão de estiagem na parcela central do país, como podemos observar ao longo dos meses de Julho, Agosto e Setembro nos mapas abaixo. 

Este padrão mostra os dois meses mais secos do ano, especialmente na parcela central do Brasil. Onde há áreas onde a média em Julho e Agosto fica abaixo dos 10 mm ao longo do mês. 

Porém, no mês de Setembro, com a entrada da primavera as chuvas voltam a ocorrer sobre o centro do país, mas mantendo o tempo seco desde o norte de Minas até o norte do Nordeste. 

Vale ressaltar que em pelo menos três regiões do país, o período do inverno é relativamente chuvoso. As chuvas são mais abundantes no sul do país devido à entrada das frente frias, no leste do nordeste também é esperada mais chuvas e no extremo norte do Brasil.

Porém, isso refere-se ao que foi registrado ao longo das últimas décadas. Levando em consideração a média da soma das chuvas registradas em cada um dos meses, portanto o padrão climático apresenta variações em relação aos valores médios. 

Condições oceânicas. 

O consenso entre os diversos centros de previsão é de que estamos sob a influência do fenômeno La Niña. Ou seja, as águas na região do Oceano Pacífico Equatorial estão pelo menos 0.5°C mais frias do que a média.

E nas observações via satélite, é notável o tamanho da área onde as temperaturas estão abaixo da média (tons de azul no mapa abaixo), apesar de alguns núcleos de água quente emergindo ao longo da linha do equador (manchas em tons de amarelo).

Estes núcleos de águas mais quentes também são observados abaixo da superfície, indicando pelo menos um enfraquecimento do fenômeno La-Niña. Mas as projeções apontam para a permanência do fenômeno durante o inverno de 2023.

As projeções indicam grandes chances (64%) do fenômeno continuar ao longo do período de Julho, Agosto e Setembro. Para os próximos trimestres as chances para neutralidade aumentam, mas ainda seguem inferiores às condições de La Niña. Este cenário só muda no primeiro trimestre do ano de 2023, indicando uma grande incerteza em relação ao fim do fenômeno La Niña.

Mapas de Previsão

As projeções numéricas, estão indicando um padrão mais quente e mais seco no território nacional. E vale ressaltar que, além da La Niña, outros fatores contribuem para isto. Como por exemplo a temperaturas das águas na costa do Brasil, a Oscilação Antártica e a Oscilação de Madden Julian que não vamos abordar aqui. 

Em relação às temperaturas, espera-se que o inverno seja mais quente do que a média. Isso podemos interpretar também como um período de tempo mais seco, permitindo um maior aquecimento da superfície pelo Sol. 

Praticamente todas as áreas do país seguem com essa tendência de temperaturas acima da média. Sendo que entre o oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro até o sul do Tocantins, a expectativa é de um período com a média de até 2°C acima do esperado.

Mas isso não significa que não teremos eventos de frio. As massas de ar polar comumente avançam até o sul da região norte.  Entretanto, com a média indicando temperaturas mais quente podemos esperar eventos mais rápidos ou de fraca intensidade. 

Em relação às chuvas, a tendência indica que os volumes serão inferiores ao esperado para o período na região centro-sul do Brasil. Apesar deste texto mencionar apenas uma projeção, há uma concordância em relação à este padrão em diversos outro modelos de diferentes centros que disponibilizam os dados. Portanto, as chances para este padrão se confirmar são elevadas. 

Sobre o centro-norte a tend?ncia é de chuvas dentro daquilo que seria esperado para o período. Contudo, é importante notar que as chuvas na região são baixas mesmo dentro da normalidade. Assim qualquer volume acima ou abaixo dessa média, terá reflexos significativos. 

Mas há regiões onde serão esperadas chuvas acima da média, como por exemplo o extremo norte do país e no leste do nordeste.

A principal função das projeções numéricas é indicar a tendência do comportamento do clima em relação à média do período. Portanto, não é possível prever com exatidão algum evento específico como por exemplo alguma chuva intensa ou uma onda de frio muito significativa. 

Material exclusivo elaborado pela equipe Agrotempo*

 

 


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