Queda dos preços mundiais do arroz
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Imagem: Marcel Oliveira
PRODUÇÃO

Queda dos preços mundiais do arroz

Em novembro, os preços mundiais do arroz desceram na maioria dos mercados de exportação, após a chegada progressiva das novas colheitas asiáticas.
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Em novembro, os preços mundiais do arroz desceram na maioria dos mercados de exportação, após a chegada progressiva das novas colheitas asiáticas. Os importadores também tendem a reduzir suas demandas de importação na época da colheita. Além disso, antecipam novas quedas de preços quando a maior parte da safra principal asiática comece a chegar ao mercado em meados de dezembro. A Índia continua a liderar o mercado de exportação graças à abundantes estoques e apontando também excelentes perspectivas para a safra Kharif.

A Índia poderia alcançar um novo recorde de vendas em 2021, superando 20 Mt, já 40% do comércio mundial de arroz e três vezes mais do que seus dois principais concorrentes asiáticos. O Vietnã e a Tailândia disputam-se o segundo lugar mundial, mas com uma vantagem para o Vietnã, apesar de uma boa
recuperação das exportações tailandesas desde agosto passado. As perspectivas globais indicam uma forte recuperação no consumo devido às boas colheitas nas principais regiões produtoras de arroz. Espera-se que o comércio mundial aumente 7,5% a 49,0 Mt contra 45,6 Mt em 2020.

Em novembro, o índice OSIRIZ/InfoRice (IPO) diminuiu 1,2 pontos para 202,3 pontos (base 100=janeiro de 2000) contra 203,5 pontos em outubro. No início de dezembro, o índice IPO ainda estava descendo para 198 pontos. Esta tendência deve continuar nas próximas semanas.

Produção mundial

Segundo as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2021 deve aumentar em 1% para 780,7 Mt (518,4 Mt base beneficiado) contra 773,7 Mt em 2020. A produção asiática deve aumentar graças à safra recorde esperada na Índia. Também na China, a produção poderia melhorar em 1%, contra 0,5% em 2020. Na Tailândia, a produção deve melhorar novamente em 3,5%, enquanto no Vietnã, as colheitas aumentariam apenas 0,7%. Nos Estados Unidos, após o forte aumento em 2020, a produção tive uma queda de 10% em 2021 devido à redução das áreas plantadas. No Mercosul, a produção melhorou, especialmente no Brasil onde se estima um aumento de 4,5% em relação a 2020. Na África subsaariana, a produção de arroz voltou a sofrer das más condições climáticas, especialmente na África Ocidental. Em Madagascar, estima-se que a produção também tenha diminuído 3,5% em 2021.

Comércio e estoques mundiais

Em 2021, espera-se que o comércio mundial do arroz aumente significativamente em 7,5% para 49,0 Mt contra 45,6 Mt em 2020. As necessidades de importação aumentaram em 10% no sul da Ásia, especialmente em Bangladesh. As importações chinesas também aumentaram em 2021. Da mesma forma, a África subsaariana mostra um forte crescimento das importações, especialmente na Nigéria, Costa do Marfim e Senegal. A Índia reforça sua liderança global e espera estabelecer um novo recorde de exportação em 20 Mt, 37% acima de seu recorde anterior em 2020 e representando 40% do comércio mundial, muito à frente do Vietnã e da Tailândia.

Embora as exportações tailandesas tenham mostrado um forte aumento desde agosto passado, elas permanecerão em terceiro lugar, atrás do Vietnã que mantém o segundo lugar graças a um aumento de 7% nas exportações em 2021. Em 2022, o comércio mundial poderia aumentar novamente em 5% e alcançar pela primeira vez cerca de 51,4 Mt, o equivalente a 10% da produção mundial.

Os estoques mundiais de arroz no final de 2021 devem aumentar em 0,7% para 187 Mt contra 185,8 Mt em 2020, representando 36% das necessidades mundiais et ficando dentro da média dos últimos cinco anos. Este aumento se deve principalmente ao aumento dos estoques indianos graças às boas colheitas esperadas em 2021. Por outro lado, espera-se que os estoques chineses diminuam em 0,5%, mas ainda são abundantes, o equivalente a 70% do consumo anual. Espera-se que os estoques nos principais países exportadores aumentem novamente em 5% em 2020/21 para 52 Mt, ou 28% dos estoques mundiais.

Na Tailândia, os preços caíram em menos de 1%. Meados de novembro, os exportadores tiveram que revelar seus preços após a valorização do bath tailandês em relação ao dólar e preços internos mais altos. Entretanto, a oferta abundante e as perspectivas de crescimento na produção tailandesa enfraquecem os preços de exportação. As mesmas perspectivas tendem a levar a previsões de vendas externas mais otimistas em 2022. Em novembro, as exportações mensais teriam ultrapassado 790.000 t contra 774.000 t em outubro. As exportações tailandesas marcam assim um avanço de 2,5% em relação ao ano passado no mesmo período, mas atingindo apenas 6 Mt contra 5,7 Mt em 2020. Em novembro, o preço médio do arroz tailandês 100%B atingiu $ 390 contra $ 393 em outubro.

O arroz parboilizado caiu para $ 386 contra $ 389 anteriormente. Em contraste, o arroz quebrado A1 Super subiu 1,5%, para $ 359 contra $ 354. No início de dezembro, os preços ficavam fracos devido a uma diminuição da demanda de importação e a uma depreciação do bath em relação ao dólar. No Vietnã, os preços de exportação diminuíram de 1% devido à diminuição da demanda de importação de seus principais clientes, a China e sobretodo as Filipinas onde as importações serão extremamente limitadas durante o período de colheita. Em novembro, as exportações vietnamitas teriam atingido 563.000 t contra 622.000 t em outubro, mas marcando um avanço de 6,5% em comparação com o ano anterior no mesmo periodo.

Ao ritmo atual, as exportações poderiam atingir 6,6 Mt em 2021, 7% a mais do que em 2020. Em novembro, o Viet 5% desceu para $ 427 contra $ 433 em outubro. O Viet 25% foi negociado a $ 407 contra $ 405 anteriormente. No início de dezembro, os preços marcavam uma forte tendência baixista. No Paquistão, os preços do arroz valorizaram-se ligeiramente graças à demanda de importação mais ativa do Sudeste Asiático, especialmente da China, Malásia e Indonésia. Por outro lado, a falta de containers ainda limita as atividades comerciais à África Ocidental. Em novembro, as exportações paquistanesas terão atingido 395.000 t contra 250.000 t em outubro, marcando um atraso de 3% em relação ao ano passado na mesma época.

Em novembro, Pak 25% marcou $ 338 contra $ 334 anteriormente. No início de dezembro, os preços tendiam a enfraquecer. Na China, as importações continuam aumentando e podem exceder 4,5 Mt em 2021. Para cobrir o déficit de produção em relação às necessidades de consumo, a China aproveita da abundante oferta de exportação de seus vizinhos asiáticos e de preços externos mais atrativos. O Vietnã continua sendo seu principal fornecedor, mas tende a diversificar suas fontes de abastecimento a partir da Tailândia, Birmânia, Índia e Paquistão. Nos Estados Unidos, os preços do arroz se recuperaram em 1% em um mercado bastante ativo. Em novembro, as exportações subiram acentuadamente para 345.000 t contra 205.000 t em outubro, marcando um avanço de 7% em relação ao ano passado no mesmo período.

Em novembro, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 foi de $ 586/t contra $ 581 em outubro. No início de dezembro, o preço ficava firme em $ 490. Na
Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz paddy subiram uma média de 2,5% para $ 309/t contra $ 302 anteriormente. No início de dezembro, os preços mostravam-se estáveis a $ 308.  No Mercosul, o mercado externo foi pouco ativo em novembro. As exportações brasileiras caíram para 18.000 t (base beneficiado) contra 98.000 t em outubro, marcando um atraso de 45% em relação a 2020 no mesmo período. Entanto no Uruguai, as exportações melhoraram para 77.000 t contra 44.000 t em outubro, mas ainda atrasadas de 35% em relação ao ano passado na mesma época. Na Argentina, as vendas externas também estão progredindo com um aumento de 10%.

O preço indicativo do arroz paddy brasileiro caiu novamente em 10% para $ 235/t contra $ 261 em outubro. No início de dezembro, o preço do paddy ainda estava fraco em US$ 221. Na África subsaariana, os preços internos permanecem relativamente estáveis. As colheitas estão em andamento na maioria dos países da região da África Ocidental, mas seriam afetadas pelas más condições climáticas. Os mercados domésticos ainda recebem pouco arroz local e a demanda de importação está bastante ativa. Em 2021, as importações poderiam atingir um volume recorde de 17,8 Mt contra 15,6 Mt no ano anterior, já 37% das importações mundiais.


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