Queda nos preços mundiais do arroz
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Imagem: Pixabay
ANÁLISE

Queda nos preços mundiais do arroz

Perspectivas para a produção mundial são boas
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Em outubro, os preços mundiais do arroz caíram novamente na maioria dos mercados de exportação,  exceto no Vietnã, onde permaneceram relativamente firmes devido ao atraso da safra de outono/inverno. Tal atraso foi causado por fortes inundações, que também afetaram o Camboja. A redução de preços foi significativa especialmente na Tailândia, onde os exportadores tentam reduzir as diferenças de preços com o Vietnã e também são afetados por uma demanda global que continua fraca.

Nesta época do ano, a demanda de importação é geralmente menor em função das colheitas principais do hemisfério norte, que estão no pico e durarão até o início do próximo ano. As perspectivas para a produção mundial são boas, com um aumento de 1,5% em 2020/2021 graças a uma extensão das áreas de arroz, especialmente na China e na Índia. O comércio mundial deve permanecer relativamente estável, com um ligeiro aumento em relação a 2019. Em contraste, espera-se que o comércio mundial aumente acentuadamente em 2021 devido a um possível aumento da demanda de importação no sudeste asiático e na África subsaariana.

Em outubro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 5,0 pontos para 221,9 pontos (base 100 = janeiro de 2000) contra 224,9 pontos em setembro. No início de novembro, o índice IPO tendia a subir para 222 pontos, influenciado pela revalorização do bath tailandês e pela redução das reservas no Vietnã.

Produção mundial

De acordo com as últimas estimativas da FAO, a produção mundial em 2019 teria sido de 754,7 milhões de toneladas (501,1 Mt base beneficiado), 1% a menos que em 2018. Em 2020, as projeções indicam uma recuperação de 1,5% a 766,1 Mt (508,7 Mt base beneficiado). Espera-se que a produção chinesa e a indiana aumentem devido a maiores áreas plantadas e melhores condições climáticas. No Sudeste Asiático,  especialmente na Tailândia, a produção deve aumentar, mas menos do que o previsto por causa da seca que afetou a segunda safra na metade do ano. No resto da sub-região, acredita-se numa melhoria geral da produção. Na África subsaariana, e especialmente nas regiões ocidentais, as chuvas abundantes têm incentivado o desenvolvimento das culturas.

Mas as recentes inundações, as piores dos últimos sessenta anos, podem impactar as safras que já estão saindo. Assim, as perspectivas de aumento da produção africana poderiam ser reduzidas. No Mercosul, a temporada 2020 foi boa, marcando um aumento geral na produção de arroz de 3,2% em comparação com 2019. Nos Estados Unidos, a colheita tem sido atrasada pelas más condições climáticas nas principais regiões produtoras de arroz do sul. Entretanto, a produção interna teria aumentado 17% graças à expansão das áreas semeadas.

Comércio e estoques mundiais

Em o comércio mundial caiu 9% para 44,2 Mt contra 48,5 Mt em 2018. Os principais importadores asiáticos, exceto as Filipinas, reduziram suas demandas de importação. As importações africanas também teriam sido menores em 2019, totalizando 16,7 Mt contra 16,9 Mt em 2018. Em 2020, as novas projeções globais foram revistas ligeiramente para cima em 0,4% para 44,4 Mt. Dentro desta relativa estabilidade do comércio mundial, há contrastes do lado dos exportadores. As vendas tailandesas diminuíram drasticamente em 30%, marcando o nível mais baixo dos últimos 20 anos. O Vietnã finalmente estaria ultrapassando a Tailândia, subindo para o segundo lugar no ranking mundial com um avanço, em relação ao concorrente tailandês, de 15% nos primeiros dez meses do ano. A Índia, por outro lado, estaria marcando uma boa recuperação de suas exportações, de 25% graças aos preços competitivos, consolidando assim sua liderança mundial.

As projeções iniciais para 2021 indicam um aumento significativo no comércio mundial de 6,9% para 47,2 Mt, 2,8 Mt a mais do que em 2020. Os estoques mundiais de arroz no final de 2019 aumentaram em 4,7% para  184,8 Mt em comparação com 176,4 Mt em 2018, atingindo o nível historico mais alto. Esses estoques representam 37% das necessidades globais. O aumento adicional se deve principalmente ao incremento das reservas da China, Índia e Indonésia. Os países exportadores  também teriam aumentado suas reservas em 2019 para 45 Mt, o equivalente a 25% dos estoques mundiais. As estimativas para 2020 indicam um declínio de 1,3% para 182,4 Mt. Esta redução poderia se repetir em 2021, cuja projeção é de 182,0 Mt, 0,2% menor do que em 2020

Na Índia, os preços do arroz baixaram 2% e permanecem os mais competitivos do mercado, em parte graças à depreciação da rupia em relação ao dólar. As exportações indianas continuam a progredir apesar da demanda global enfraquecida e das dificuldades logísticas que ainda existem nos portos marítimos indianos. Os operadores indianos mantêm uma oferta significativa, procurando reduzir as enormes reservas nacionais. As vendas externas poderiam aumentar 25% para 12,3 Mt, contra 9,8 Mt em 2019. Em outubro, o arroz indiano quebrado 5% baixou para US$ 350/t Fob contra $ 358 em setembro. O arroz indiano 25% também caiu para $ 330 contra $ 335 anteriormente. No início de novembro, os preços permaneciam estáveis.

Na Tailândia, os preços de exportação tiveram uma significativa queda de 7% em um mês. Eles sofrem os impactos da redução da demanda mundial e da chegada da nova safra ao mercado. As exportações mensais, no entanto, tendem a aumentar graças à reativação da demanda africana. As vendas externas em outubro foram de cerca de 450.000 toneladas em comparação com as 390.000 toneladas de setembro. No entanto, elas estariam 30% menores do que na mesma época do ano passado, e poderiam não exceder 5,5 Mt em 2020, nível mais baixo dos últimos 20 anos, colocando assim o país atrás do Vietnã pela primeira vez.

Em outubro, o preço médio do arroz tailandês 100%B foi de $ 464 contra $ 491 em setembro. O parboilizado tailandês caiu para $ 459 contra $ 493 anteriormente. No início de novembro, os preços tendiam a se firmar graças aos novos embarques de exportação e também graças à valorização do bath em relação ao dólar. No Vietnã, os preços de exportação permaneceram firmes, subindo 1% em relação
a setembro. Este aumento se deve, por um lado, à contração das reservas na tentativa de atender à demanda doméstica e, por outro lado, às graves inundações que estão atrasando a colheita principal.

Em outubro, o Vietnã teria exportado apenas 320.000 toneladas em comparação com 378.000 toneladas em setembro. A demanda das Filipinas, seu principal mercado, permaneceu fraca, enquanto os embarques para a África e China teriam aumentado. As exportações estão 8% menores que no mesmo periodo do ano passado. Ao ritmo atual, as vendas externas não excederiam 6 Mt em 2020, mas subiriam para o 2º lugar no mundo, atrás da Índia. Pela primeira vez, as exportações vietnamitas excederiam as vendas tailandesas. Em outubro, o Viet 5% marcou $ 473 contra $ 469 em setembro. O Viet 25% subiu ligeiramente para $ 450 contra $ 448 anteriormente.

No início de novembro, os preços permaneciam firmes. No Paquistão, os preços do arroz caíram 2% como resultado da forte concorrência indiana e do aumento da oferta de exportação. A nova safra chega ao mercado e a produção deve aumentar em 10% em relação à safra anterior. As exportações em setembro subiram para 188.000 toneladas em comparação com 168.000 toneladas em agosto. No entanto, elas continuam atrasadas em 20% em relação ao ano anterior, na mesma época. No ritmo atual, as vendas externas não ultrapassariam 3,5 Mt, frente a 4,5 Mt em 2019. Em outubro, o Pak 25% foi cotado a $ 354 contra $ 360 em setembro. No início de novembro, os preços ainda eram fracos. Na China, a oferta de exportação deve ser mais consistente nas próximas semanas graças à boa safra principal.

O aumento da produção e das disponibilidades exportáveis se deve à expansão das áreas de cultivo, seguindo uma política de incentivo de preços ao produtor. Em 2020, as exportações chinesas poderiam exceder 3 Mt contra 2,6 Mt em 2019. Nos Estados Unidos, os preços de exportação caíram novamente, embora a queda tenha sido menos significativa do que no mês anterior. Os clientes tradicionais, que são o México e o Haiti, têm sido lentos em repassar novos contratos. Os Estados Unidos contam agora com as necessidades de importação do Brasil para reavivar suas vendas ao exterior. Em outubro, o Brasil teria comprado mais de 55.000 toneladas de arroz norte-americano.

Foi o segundo maior cliente, depois do México, cujas compras ultrapassaram 92.000 toneladas. As vendas externas subiram acentuadamente para quase 290.000 toneladas contra apenas 85.000 toneladas em setembro. O México é seu principal cliente com 24% das exportações, seguido pelo Japão (14%) e Haiti (12%). O preço indicativo médio do arroz Long Grain 2/4 foi de $ 593/t contra $ 595 em setembro. No início de novembro, o preço continuou a cair para $ 585. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz em casca aumentaram ligeiramente para $ 275/t contra $ 273 em setembro. No início de novembro, os preços permaneciam em torno de $ 273.

No Mercosul, os preços de exportação aumentaram 2% graças à reativação da demanda regional. No Brasil, as exportações teriam atingido cerca de 70.000 toneladas (base beneficiado) contra 40.000 toneladas em setembro. Também no Uruguai, as vendas externas subiram para 95.000 toneladas em outubro, em comparação com as 70.000 toneladas anteriores. A depreciação do real em relação ao dólar reduziu o preço indicativo do arroz em casca brasileiro em 3% em média, marcando $ 375 contra $ 387 em setembro. No início de novembro, o preço permanecia em torno de $ 374. Na África Subsaariana, os preços internos continuaram estáveis na maioria dos mercados regionais. Mas eles podem começar a diminuir com a chegada das novas colheitas, que devem ser boas. A demanda de importação de arroz permanece estável por enquanto, com uma possível recuperação nas próximas semanas, graças aos preços internacionais particularmente atraentes.


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