Trigo enfrenta problemas de qualidade e preços pressionados
A concorrência argentina limita as cotações
A concorrência argentina limita as cotações - Foto: Divulgação
A colheita de trigo avança no Sul do Brasil sob preocupação com a qualidade dos grãos e maior concorrência do produto importado. Segundo a TF Agroeconômica, problemas identificados nas lavouras, aliados à competitividade do trigo estrangeiro, dificultam as negociações entre produtores e moinhos.
No Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 4% da área, após avanço pontual nas Missões. Amostras têm apresentado níveis elevados de DON, com registros entre 2.500 e 4.000. No mercado, o trigo da safra anterior é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, enquanto compradores indicam R$ 1.550. Para o cereal novo, há negócios pontuais a R$ 1.400. Em Panambi, a saca segue em R$ 75.
A concorrência argentina limita as cotações. O trigo do país vizinho aparece indicado a US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas, tornando menos atrativo o produto gaúcho para os moinhos. Já o trigo destinado à alimentação animal tem indicação de R$ 1.100 por tonelada no porto.
Em Santa Catarina, a indústria enfrenta escassez de trigo com qualidade adequada e maior interesse pelo importado. Conforme a Epagri, a área cultivada deve diminuir cerca de 35% na safra 2026/27, com produção estimada em 243 mil toneladas, queda de aproximadamente 37%. Moinhos catarinenses já relatam reajuste de 11,5% nas tabelas de farinha.
No Paraná, o principal problema também está na qualidade. Lotes colhidos nas últimas semanas apresentam peso hectolítrico ou índice de queda abaixo do desejado, enquanto algumas áreas germinadas chegaram a ser abandonadas. Com oferta restrita de trigo tipo 1, as indicações para entrega em novembro estão em R$ 1.450 por tonelada, e moinhos devem ampliar a busca por produto importado.