No Brasil são utilizados dois tipos de cultivares de milho: as variedades e os híbridos. As variedades melhoradas possibilitam fornecer ao agricultor sementes de baixo custo e mais produtivas que as variedades locais, além de poderem ser reproduzidas pelo próprio produtor, desde que tomados alguns cuidados, como por exemplo, o isolamento de outras variedades. Essas variedades podem, ainda, apresentar maior estabilidade de produção, mas são inferiores aos híbridos em produtividade.
As áreas de terra firme, do Estado do Amapá, compreendendo as áreas de cerrado e capoeiras ocupam milhares de hectares e despontam como promissora para produção de grãos. Considerando o perfil do agricultor encontrado nesses ecossistemas, se aconselha o uso de variedades. Considera-se, portanto, que a utilização de cultivares melhoradas pode aumentar substancialmente a produtividade da cultura, além das sementes dessas cultivares se constituírem em insumos baratos e acessíveis para os produtores e as tecnologias serem de fácil adoção. Porém, não existe material disponível melhorado que seja adaptado às condições do Estado, havendo a necessidade de se obter populações melhoradas dentro da própria região.
O conhecimento do nível de variação genética de uma população, por meio da estimação dos diversos parâmetros genéticos, é de grande valia e relevância para os melhoristas, porque permite direcionar as estratégias de melhoramento a serem adotadas de modo a maximizar os ganhos genéticos e avaliação da viabilidade da continuação de um programa de melhoramento. No Brasil, o método de seleção entre e dentro de progênies de meios irmãos tem sido o mais usado no melhoramento intrapopulacional de milho, pois além de ser de fácil execução permite estimar a variância genética aditiva, a herdabilidade e o progresso genético esperado por meio da seleção.
Dentro deste enfoque, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, visando oferecer ao produtor do Amapá material adaptado às condições de terra firme, iniciou um programa de melhoramento genético com a população de milho CMS 14 com o emprego da seleção entre e dentro de famílias de meio-irmãos.
Em 1998 as pesquisas foram iniciadas, sendo a população CMS 14 submetida inicialmente a dois ciclos de seleção massal estratificado, onde foram extraídas 200 famílias de meio-irmãos com base em boas características de altura da planta e espigas, resistência ao acamamento, empalhamento.
Inicialmente as progênies foram avaliadas no campo experimental da Embrapa Amapá, localizado do município de Mazagão, em dois experimentos tipo látice simples 10 x 10, no espaçamento de 1,0m x 0,40m, com duas plantas por cova após o desbaste e parcelas representadas por uma fileira de 5,2 metros lineares, correspondendo a uma densidade de 50 mil plantas por hectare. A adubação constou de 80-41-48 kg/ha de nitrogênio, fósforo e potássio, respectivamente, sendo o nitrogênio parcelado em duas vezes iguais, na semeadura e 30 dias após.
Embora tenham sido tomados dados de vários caracteres agronômicos, foram analisados estatisticamente somente os caracteres altura da planta e espiga e peso de grãos. O caráter peso de grãos foi corrigido para um grau de umidade padrão, de 14,5% e para um estande ideal, de 50.000 plantas/ha por meio da correção para estande inicial.

