A assinatura de contratos a termo para a venda antecipada de soja na safra 2002/2003, feita no ano passado, está tirando o sono de dezenas de agricultores do Paraná. A justificativa reside no fato de que os produtores assinaram contratos comprometendo-se a receber cerca de R$ 26,00/sc para entrega em março/2003, enquanto que os negócios a vista hoje não saem por menos de R$ 37,00/sc e chegam até a R$ 41,00/sc.
A utilização de mecanismos financeiros é uma opção para o agricultor aumentar sua lucratividade. A aquisição antecipada de insumos, por exemplo, é um mecanismo financeiro que proporciona uma economia da ordem de 20% nos custos da produção.
Outro meio é vender sua produção na entressafra, quando o produto atinge um preço de até 21% maior em relação ao praticado no pico da safra. Para segurar a sua produção até a entressafra, o agricultor pode antecipar os recursos emitindo uma CPR (Cédula de Produto Rural). A CPR também pode estar atrelada a um contrato de Opção, que protege o preço de comercialização contra uma eventual queda.
Assim o agricultor entraria num novo ciclo, vendendo sua produção na entressafra a preços mais altos e utilizando desse mesmo recurso para fazer a aquisição antecipada dos insumos a preços mais baixos, aumentando sua lucratividade.
O Brasil já mostrou-se modelo para o mundo em termos de produtividade, mas precisamos evoluir no processo de comercialização para que os lucros retornem para o campo fortalecendo o processo produtivo. Para isso, os agricultores podem começar a utilizar-se mais do assessoramento técnico e financeiro que já dispõem para exercerem o papel de empresários rurais.