Tenho dito e repetido que a derrama tributária vale por duas das sete pragas que impedem o agronegócio brasileiro de realizar seu potencial pleno. Qualquer estudante do primeiro semestre de economia intui que sonegação somente compensa com impostos muito altos. E que as maiores arrecadações tributárias são obtidas com taxas tributárias razoáveis, suportáveis pela população e pela economia. Abundam nos manuais de economia exemplos demonstrando que taxas menores aumentam a arrecadação, diminuem a sonegação e a informalidade. Sabemos que a enorme carga tributária repousa apenas sobre os ombros dos honestos. Se os impostos baixassem, muitos abandonariam o risco da sonegação, todos pagariam menos – porém pagariam - e o governo arrecadaria mais.
Medalhe de bronze
Talvez até o final do Governo Lula, a continuar a derrama tributária, o Brasil conquiste a pole position, ou a medalha de ouro tributária. Por enquanto, conforme o Banco Mundial, ele é o terceiro colocado, encostado na Dinamarca e na Bélgica. As diferenças entre o Brasil e os companheiros de pódio são duas: a renda per capita brasileira é de US$2.920,00, enquanto os demais medalhistas têm renda de US$ 22 e US$30.000 por pessoa, ao ano. E – tão importante quanto – no Brasil, você paga um caminhão de impostos e outro caminhão para comprar os mesmos serviços já pagos através dos tributos (educação, saúde, transporte, C&T, etc.) No Primeiro Mundo, o contribuinte recebe serviços da mais alta qualidade em retribuição aos impostos. Mesmo quando você não é cidadão do país, recebe serviços de primeira linha e gratuitos, como ocorreu com este escriba quando necessitou de serviços médicos na Europa.


