No nordeste brasileiro, o feijão caupi (Vigna unguiculata (L.) WalP) exerce uma grande função social de suprir as necessidades alimentares das camadas carentes, devido a sua propriedade nutricional relativamente superior à do feijão comum (Phaseolus vulgaris). O caupi é também amplamente cultivado e, de forma crescente, por pequenos produtores da região norte do Brasil.
Como para às demais culturas exploradas, no Estado do Amapá, não se dispõe de informações precisas sobre a importância sócio-econômica do caupi para a região. Porém nos três últimos anos tem sido observado um crescente interesse pelo cultivo da leguminosa no Estado. O preço compensador ao consumidor, que hoje esta em torno de 93% do preço pago ao feijão comum, pode ser uma dos fatores que tenha contribuído para que os pequenos produtores se interessassem pela exploração da leguminosa. Também a limitação ao cultivo do feijoeiro comum no Amapá, em virtude das condições climáticas adversas, tenha contribuído para a grande procura pela exploração da espécie.
Com finalidade de estimular a expansão do cultivo do caupi no Amapá, a EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, através da Embrapa Amapá e em conjunto com a Embrapa Meio Norte vêm desenvolvendo trabalhos de melhoramento genético com vistas a disponibilizar para os agricultores, genótipos com características superiores. Como parte dos resultados deste trabalho integrado, foi colocado para o Estado duas novas cultivares de caupi, com produtividades de até cinco vezes superiores àquelas que se obtém na região.
Como o trabalho de melhoramento genético tem um caráter dinâmico outras ações de pesquisas devem ser seguidas em buscas de novas linhagens promissoras. Desta forma os trabalhos com o caupi no Estado do Amapá objetivam identificar novas cultivares de elevado potencial produtivo, boa aceitação comercial e resistentes ou tolerantes as principais pragas e doenças, para serem lançadas comercialmente.
No ano de 2000 foi conduzido um experimento no campo experimental da Embrapa Amapá, em condição de sequeiro, no município de Mazagão, que apresenta clima Ami, precipitação média anual de 2.300mm e um período chuvoso que se inicia no final de dezembro ou início de janeiro e termina e junho. Os meses de menor queda pluviométrica são outubro e novembro. A temperatura média anual é de 27º C e a umidade relativa do ar pouca acima de 80%. O solo é do tipo Latossolo Amarelo de textura média e baixa fertilidade natural.
O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados com dezesseis tratamentos, todos de tegumento branco, e quatro repetições. A semeadura ocorreu no dia 12/05/00 com adubação de 80 kg/ha de P205 (superfosfato triplo) e 40 kg/ha de K20 (cloreto de potássio). As parcelas tiveram uma área total de 10,0m2 , com quatro fileiras de 6,0m de comprimento, sendo colhidas as duas fileiras centrais com uma área útil de 5,0m2. Quinze dias após a emergência foi realizado, contra o ataque de “vaquinha” – Diabrotica speciosa,, uma aplicação de folisuper na dosagem de 1ml para 20 litros de água, sendo repetido esta operação 15 dias após a primeira aplicação. Os dados avaliados foram, floração inicial, tipo de planta, valor agronômico, comprimento médio de vagens, número de grãos por vagens, peso de 100 grãos, produtividade e ocorrência de doenças.

