PREÇO DO ARROZ: RETORNO À MÉDIA?
Os preços, em reais, pagos ao produtor pela saca de arroz atingiram novos patamares. Será que esses preços permanecerão altos ou retornarão à média histórica?
A análise inicia em janeiro de 2014 e segue até outubro de 2024, abrangendo um período relevante de comparação.
Como fonte de coleta dos dados foram utilizados:
- CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada): valores à vista pagos ao produtor, em reais e dólares americanos;
- Memorial Exotics: ferramenta de atualização dos valores pelo IPCA;
- CONAB: dados sobre oferta e demanda.
Antes de prosseguir, importante definir média como o somatório de um grupo de números e a posterior divisão deste resultado pela quantidade dos números analisados.
A apresentação do gráfico abaixo – Relação entre Oferta e Demanda - serve como base de ilustração e embasamento para os movimentos nos preços pagos ao produtor a nível nacional, objeto principal deste texto.
Fonte: CONAB 2024
Dentre os períodos analisados, excetuando as safras 2015/2016 e 2019/2020 chega-se em 2023/2024 com o menor estoque final, além desta última ser a primeira safra, onde se tem um aumento de produção, após três anos seguidos de queda.
Com base nas considerações iniciais, o gráfico a seguir apresenta o comportamento do preço da saca de arroz, pago ao produtor, em reais e dólares americanos à vista, a aplicação da correção pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo - Inflação Oficial utilizada pelo governo brasileiro, além da movimentação no preço do contrato futuro contínuo do arroz praticado na CBOT – Chicago Board of Trade.
Fonte: Elaborado pelo Autor – 11/10/2024
Através da imagem acima é possível constatar que a partir de março de 2020 o preço em reais da saca de arroz obteve uma valorização muito superior às demais variáveis analisadas. Algumas suposições podem ser construídas, mas o que mais fica evidente é a distorção que, atualmente, existe entre o preço em reais à vista e os demais itens comparáveis.
Faz-se necessário relembrar que em 2020 as cadeias de suprimento foram desorganizadas pela pandemia do Covid19, e os Governos injetaram dinheiro na economia para socorrer suas populações. A partir de novembro de 2020, ápice dos preços vigentes naquele momento, até fevereiro de 2022 ocorre uma redução nos valores dos produtos analisados, todavia, retomando o processo de alta até os dias atuais.
E como se comportaram as outras variáveis analisadas? É possível constatar que destas quatro alternativas estudadas, três delas encontram-se mais próximas das suas médias do que o preço em reais à vista. Vejamos desde janeiro/ 2014 até outubro/ 2024
Variável
Valor Atual
Média (2014-2024)
Saca de zrroz (em R$)
119,78
60,95
Saca de arroz (em US$)
21,87
14,31
Contrato Futuro (CBOT US$)
15,07
13,30
Saca corrigida pela SELIC (em R$)
66,82
50,93
E como estariam as médias de preços compreendidos entre janeiro de 2014 até agosto/ 2020, período que antecede o movimento mais agudo de alta.
Variável
Média (jan2014-ago2020
Média (2014-2024)
Saca de zrroz (em R$)
42,34
60,95
Saca de arroz (em US$)
12,36
14,31
Contrato Futuro (CBOT US$)
11,80
13,30
Saca corrigida pela SELIC (em R$)
45,06
50,93
À luz dos dados apresentados e ressalvando a existência da variável Taxa de Câmbio como fator impactante na composição dos preços em reais, existe a probabilidade de que os preços à vista retornem às médias históricas. Difícil precisar quando, mas é importante que a cadeia produtiva de arroz esteja preparada para essa eventualidade. A falta de instrumentos financeiros, como contratos futuros e opções negociados na B3, é um obstáculo que deve ser enfrentado. Assim, a união entre produtores, indústrias e beneficiadores seria essencial para viabilizar ferramentas de proteção e garantir maior estabilidade econômica ao setor.
Fontes:
https://www.cepea.esalq.usp.br/br/indicador/arroz.aspx
https://portaldeinformacoes.conab.gov.br/oferta-e-demanda.html
Márcio R. Santos
Cultivar Capital Assessoria em Investimentos // Nova Futura Investimentos