Adubo - Enxofre
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Fertilizantes

Adubo - Enxofre

Leia sobre as principais características dos adubos com enxofre.
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O enxofre (do latim Sulphur) é um elemento químico de símbolo S , número atômico 16 (16 prótons e 16 elétrons) e de massa atómica 32 u. À temperatura ambiente, o enxofre encontra-se no estado sólido.

 

O enxofre no solo

O comportamento do enxofre no solo é semelhante ao do nitrogênio, estando a maior parte na matéria orgânica, e a sua dinâmica regida pela atividade microbiana (quanto maior a atividade microbiana, maior a mineralização do nutriente). Em solos bem drenados e com boa precipitação, ocorre um predomínio do enxofre na forma orgânica, que representa mais de 90% do total da maioria dos solos. Em solos ácidos, ocorre maior adsorção do enxofre em óxidos de ferro e alumínio, diminuindo a disponibilidade do nutriente. Assim, neste cenário, se observa a necessidade da calagem para aumentar a disponibilidade do íon de enxofre na solução do solo, ficando disponível às plantas.

O enxofre tem menor energia de ligação do que o fosfato, podendo descer no perfil do solo e ser perdido por lixiviação. Desta forma, a camada analisada para interpretar o enxofre no solo tem sido cada vez mais a camada subsuperficial (10 - 20 cm) no lugar da camada superficial. Além disso, devido a possibilidade do perder o elemento devido ao seu movimento vertical no solo, observa-se a importância da rotação de culturas com plantas com diferentes sistemas radiculares, que captam o nutriente e o trazem para cima no solo. Solos argilosos, com altos teores de óxidos de ferro apresentam grande capacidade de adsorção do nutriente, diminuindo sua movimentação no perfil do solo. Já em solos arenosos, além de possuírem baixas quantidades. do nutriente devido ao baixo teor de matéria orgânica, ocorre maior movimentação vertical e percolação.

As perdas de enxofre no solo podem ocorrer por erosão, lixiviação, queimadas, exportação pelas colheitas e redução.

 

O enxofre na planta

O enxofre é um macronutriente secundário, absorvido pela planta na forma de ânion SO42- da solução do solo, e na forma de SO2 do ar (a contribuição atmosférica de enxofre é uma importante fonte do nutriente), podendo ser mais requerido do que o fósforo em algumas culturas. As culturas mais exigentes em enxofre são repolho, couve-flor, brócolis, alho e cebola, exigindo valores que geralmente atingem 70 a 80 kg/ha. As plantas leguminosas exigem valores de 40 a 50 kg de enxofre por hectare, já as gramíneas e forrageiras, valores entre 15 a 30 kg por hectare. Lembrando que estes valores são generalizados. Para se realizar uma aplicaçao de enxofre, ressaltamos a necessidade de se realizar uma análise do solo, bem como a realização de cálculos de adubação conforme os métodos de recomendação vigentes em cada região.

Quanto à função do enxofre na planta, o nutriente possui bastante importância na formação de proteínas e aminoácidos, semelhante ao nitrogênio, de forma que os sintomas da deficiência destes nutrientes sejam semelhantes. Porém, devido à menor mobilidade do enxofre, os sintomas da sua deficiência são mais visíveis em folhas novas, ao passo que os sintomas da deficiência de nitrogênio são mais visíveis em folhas mais velhas, além de se observar uma clorose generalizada. Além disso, a falta do nutriente faz com que a planta tenha um menor desenvolvimento (imagem abaixo).

 

Adubação com enxofre

Os aportes do nutriente ocorrem por mineralização da matéria orgânica, chuvas, fertilizantes e, em alguns casos, adição de fungicidas à base de enxofre.

A adubação com enxofre possui boas respostas em:

  • Solos arenosos com baixo teor de matéria orgânica;
  • Em locais de cultivo bem distanciados de centros industriais e urbanos. Em locais próximos de centros industriais ou urbanos, a entrada do nutriente pela atmosfera é significativa, podendo suprir parte das necessidades das plantas;
  • Em sistemas intensivos com alta produtividade;
  • Uso de fertilizantes concentrados (sem S).

 

Fertilizantes com enxofre

Tabela 1. Adubos com enxofre (teores em %).
Produto Porcentagem de S
Enxofre elementar 98 - 99
Fosfato natural parcialmente acidulado 7
Sulfato de amônio 24
Sulfato de cálcio (gesso agrícola) 15 - 16
Sulfato de magnésio 13 - 14
Sulfato de potássio 15 - 19
Sulfato de potássio e magnésio 20 - 22
Sulfanitrato de amônio 23
Superfosfato simples 12 - 14
Ureia + enxofre (com 40% de N) 7 - 12

 

Enxofre elementar

Possui mais de 90% de enxofre, porém, precisa passar pelo processo de oxidação (causado pelas bactérias) para a forma inorgânica disponível, sendo um processo que depende da ação de fatores como a atividade de microrganismos. Assim, não é interessante aplicar enxofre elementar em um solo deficiente de enxofre, este não terá um efeito rápido, demorando algum tempo para se decompor. Desta forma, sugere-se o uso de enxofre elementar como adubação de manutenção ou reposição de enxofre retirado pela colheita.

Em áreas arenosas e pobres em matéria orgânica, deve-se aplicar doses maiores de enxofre elementar para fornecer as mesmas condições para o desenvolvimento de plantas quando comparado a fontes com o enxofre na forma de sulfato. Pode ser utilizado em combinação com outros fertilizantes. Alguns estudos indicam eficácia maior quando aplicado via aplicação foliar.

 

Sulfato de amônio

O nitrogênio proveniente do sulfato apresenta baixíssimas perdas e, associado ao enxofre elementar, no caso do amônio, se apresenta como uma fonte nobre de N. Indicado para solos pouco ácidos (pois tende a aumentar a acidez do solo) e pobres em enxofre ou para culturas mais exigentes em enxofre. Este adubo nitrogenado só é viável economicamente quando ocorre necessidade de ambos os nutrientes (nitrogênio e enxofre) no solo.

 

Superfosfato simples

O superfosfato simples se diferencia dos adubos fosfatados pela presença de enxofre (10% a 12%), e possui grande amplitude de oferta. É solúvel em água, permitindo rápida disponibilidade do fosfato para as plantas, porém, também está sujeito à fixação no solo. Além disso, possuem gesso em sua composição, contribuindo para a redução do alumínio tóxico. São usados principalmente na forma de grânulos, facilitando o manejo e a aplicação, visto que são bastante usados nos adubos formulados.

 

Sulfato de potássio

O sulfato de potássio, fornece potássio e enxofre, que possui um baixo teor de cloro, sendo uma opção para culturas sensíveis a este elemento. É um fertilizante solúvel em água, sendo indicado para sistemas hidropônicos, adubação foliar e adubação via fertirrigação. Na irrigação por gotejamento em solos alcalinos, o sulfato de potássio pode acidificar ligeiramente o pH na zona radicular da planta, aumentando a disponibilidade de fosfato e micronutrientes.

 

Sulfato de potássio e magnésio

É um fertilizante natural, sem adição de produtos químicos depois de sua extração, sendo um produto possível de se utilizar em produções orgânicas. Pode ser usado também em situações com deficiência de magnésio.

 

Para complementar o conteúdo, sugerimos assistir ao video do canal "Adubos & Adubações", no qual o Engenheiro Agrônomo Dr. Nelson Horowitz explica a diferença entre o enxofre sulfato e enxofre na forma elementar.

 

 

Ecila Maria Nunes Giracca - Eng. Agrª, Drª em Ciência do Solo

José Luis da Silva Nunes - Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

Anderson Wolf Machado - Eng. Agrº

 

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. Manual de Adubação e de Calagem Para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004.


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