A presença de investimentos chineses na economia brasileira alcançou US$ 85,5 bilhões em 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O volume de recursos e as possibilidades de expansão da cooperação econômica entre os dois países estiveram em discussão durante um encontro empresarial realizado na quarta-feira (4), em Xangai, com a participação de aproximadamente 300 representantes dos setores público e privado.
O capital chinês permanece concentrado principalmente nas atividades de eletricidade e petróleo, mas a distribuição dos investimentos começa a alcançar um número maior de segmentos. A indústria manufatureira, a mineração e a economia digital estão entre as áreas que registram crescimento na quantidade de projetos desenvolvidos no Brasil.
Esse cenário foi apresentado durante o Fórum Empresarial Brasil-China 2026, que reuniu representantes de companhias brasileiras e chinesas para avaliar perspectivas de negócios, financiamento e desenvolvimento de projetos conjuntos. O agronegócio integrou a programação, especialmente nas discussões relacionadas à inovação e à sustentabilidade.
A agenda também contemplou questões ligadas ao abastecimento energético, à exploração de minerais estratégicos e à organização das cadeias de suprimento. Outro tema tratado foi a cooperação financeira, considerada uma das frentes para ampliar as relações empresariais entre Brasil e China.
Entre as organizações presentes estavam Suzano, COFCO, FGV Agro, ApexBrasil e Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso. Empresas como Petrobras, Vale, CNOOC, COSCO SHIPPING e Envision Energy também participaram, ao lado de instituições financeiras e representantes de outros setores da economia.
A possibilidade de aumentar a participação de produtos brasileiros de maior valor agregado no mercado chinês foi abordada por Victor Queiroz, representante da ApexBrasil para a região Ásia-Pacífico. Em sua avaliação, as características das duas economias oferecem condições para desenvolver iniciativas capazes de fortalecer a produção, estimular avanços tecnológicos e contribuir para a geração de empregos.
Na avaliação da diretora executiva do CEBC, Cláudia Trevisan, a ampliação da presença chinesa em diferentes atividades econômicas evidencia uma mudança no perfil dos investimentos realizados no país. Ela destacou que o relacionamento empresarial precisa avançar para iniciativas de longo prazo, com a concretização de novos negócios e projetos.
A aproximação entre governos regionais também entrou na pauta. Zhou Xiaoyan, vice-presidente executiva e secretária-geral do Conselho Chinês para Promoção do Investimento Internacional (CCIIP), apontou a cooperação entre estados brasileiros e províncias chinesas como uma possibilidade para facilitar a identificação de oportunidades e a realização de investimentos.
Como parte dessa aproximação, está prevista para abril de 2027, em Xangai, a segunda edição da Feira de Investimento no Exterior e Serviços Integrados. Segundo Zhou, a intenção é incluir na programação uma sessão específica para apresentar oportunidades brasileiras e promover encontros entre empresas interessadas em desenvolver negócios com o país.
As perspectivas para os próximos anos também foram abordadas pelo embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão. O diplomata associou o interesse internacional das empresas chinesas aos esforços brasileiros de reindustrialização e transição energética, apontando possibilidades de atuação conjunta em diferentes atividades.
Galvão afirmou existir “amplo espaço para ampliar investimentos, fortalecer a cooperação empresarial e construir parcerias de longo prazo”. Para o embaixador, o estágio atual das relações entre os países oferece condições para ampliar os resultados da cooperação bilateral.
"Creio, porém, que esse melhor período não deve ser visto como um ponto de chegada, mas como uma plataforma para novas conquistas", declarou.
O diplomata também identificou oportunidades nas áreas de inteligência artificial, saúde, energias alternativas, economia digital, desenvolvimento sustentável e inovação industrial. Entre os próximos compromissos da agenda bilateral, mencionou a expectativa de uma nova reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) em 2027.
Realizado pelo CEBC em conjunto com o CCIIP, o fórum teve apoio da ApexBrasil, patrocínio de Bradesco, Suzano e Vale e parceria de mídia do China Trade News. A abertura contou com a participação do cônsul-geral do Brasil em Xangai, embaixador Augusto Pestana, além de representantes das instituições organizadoras.