De acordo com as últimas previsões do Instituto Internacional de Pesquisas para Clima e Sociedade (IRI), o El Niño-Oscilação Sul (ENSO) deve permanecer em estado neutro nos próximos dois trimestres de 2023. No entanto, há uma grande chance (64%) do surgimento de um evento El Niño durante o período de junho a agosto, que provavelmente persistirá durante o restante do período de previsão.
As projeções do instituto sugerem que o El Niño será a categoria dominante, com probabilidades variando de 60-67%. A Neutralidade é a segunda categoria mais provável, com probabilidades de permanecer na faixa de 31-35%. Os prognósticos também indicam uma probabilidade muito baixa de uma retomada da La Niña (inferior a 10%).

QUAIS POSSÍVEIS IMPACTOS
A variabilidade climática é um fator crucial para o sucesso da produção agrícola, sendo que cerca de 80% depende diretamente das condições climáticas. A mudança no padrão do ENSO pode trazer alterações significativas nas chuvas e temperaturas em diversas regiões do mundo.
De acordo com a previsão do IRI ENSO-plume, os efeitos da possível ocorrência de um evento El Niño serão sentidos principalmente durante o verão.
Sul - Período mais quente e chuvoso
Sudeste - Aumento nas temperaturas médias, mas sem mudanças específicas no regime das chuvas.
Centro-Oeste - Não existem evidências de efeitos pronunciados na região. Apesar de que há uma tendência de chuvas acima da média e temperaturas mais altas no sul do MS.
Nordeste - Secas Severas
Norte - Diminuição das chuvas e secas, aumento do risco de incêndios.

As principais culturas plantadas no Brasil no verão são: Milho 1ª safra, algodão, amendoim, arroz, sorgo e soja, dentre outros. O verão mais quente e chuvoso na região sul, deve contribuir para bons rendimentos das lavouras de milho, soja e arroz. Mas caso essas chuvas se antecipem, podem atrapalhar o avanço da colheita das safras de inverno, como trigo, cevada e aveia.
Esse padrão de um verão mais quente e chuvoso, também abrange a Argentina – inclusive há um aumento nas vazões dos rios. Essa é uma projeção que pode trazer esperança para bons rendimentos nas safras do país, visto que a Argentina enfrenta episódios de seca severa, praticamente desde 2018. Além disso, é durante os meses de Outubro e Dezembro que ocorrem o plantio das principais culturas no país.
Um verão – no hemisfério sul – de El Niño, também muda o padrão do clima sobre partes da China e EUA, com uma tendência de temperaturas mais altas. Mas no hemisfério norte a estação é de inverno. Praticamente nenhuma cultura tem o seu pleno desenvolvimento no período de inverno, com exceção da cevada e trigo de inverno nos EUA. Na China, além dessas duas culturas, existe o cultivo de Colza, utilizado para a produção de óleos e biodiesel.
Portanto, um com o possível estabelecimento do El Niño no quarto trimestre do ano pode alterar a produção agrícola ao redor do globo, provocando importantes movimentos no mercado internacional de commodities.
É importante destacar que as previsões climáticas não são certeiras, e é preciso estar preparado para lidar com diferentes cenários. Além disso, é interessante observar que a influência do El Niño não afeta apenas o Brasil e a Argentina, mas também pode alterar o padrão climático em outros principais produtores, como a China e os Estados Unidos.