A trajetória dos juros no Brasil entrou em uma fase de cautela, com a interrupção dos cortes diante de inflação resistente e incertezas econômicas. Segundo análise do Rabobank, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade manter a Selic em 13,75% ao ano, resultado alinhado às expectativas do banco e do mercado.
Em relação ao comunicado de setembro, o Comitê passou a avaliar o ambiente externo como mais adverso e destacou uma desaceleração mais intensa da economia brasileira. O cenário se soma à inflação ainda acima da meta, restringindo o espaço para uma nova redução dos juros.
A autoridade monetária evitou indicar antecipadamente quando poderá retomar os cortes. Assim, as próximas decisões continuam condicionadas à evolução dos indicadores, preservando margem para mudanças de postura.
Um dos principais pontos de atenção está nas projeções de preços. A estimativa de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, passou de 3,1% para 3,5%. As expectativas dos agentes econômicos também pioraram: para 2026, subiram de 5,0% para 5,2%; para 2027, de 4,3% para 4,8%; e, para 2028, de 3,8% para 4,0%.
Na avaliação do Rabobank, novos cortes não foram descartados, mas a deterioração das expectativas inflacionárias e as incertezas internas e externas reduzem a possibilidade de flexibilização ainda em 2026. O banco mantém como cenário possível a retomada da redução da Selic em março de 2027, condicionada à melhora das expectativas e à maior clareza sobre o ambiente econômico.
A ata da reunião, prevista para 10 de novembro, deverá detalhar os critérios considerados pelo Copom nas decisões futuras. O documento, somado aos próximos indicadores, poderá levar a ajustes nas projeções da instituição.