Mais uma expedição para monitorar aves da Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses foi realizada entre os dias 16 e 22 de outubro, dando continuidade às ações de monitoramento da biodiversidade na unidade de conservação. A iniciativa é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), por meio da sua Superintendência de Biodiversidade e Áreas Protegidas, em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão, Campus Caxias, Laboratório de Ornitologia e participação de ornitólogos especializados.
A expedição contou também com a colaboração das prefeituras municipais e das secretarias de Meio Ambiente e de Igualdade Racial dos municípios visitados.
Cinco municípios abrangidos pela APA das Reentrâncias Maranhenses fazem parte da área monitorada: Guimarães, Porto Rico do Maranhão, Cururupu, Apicum-Açu e Luís Domingues.
“O monitoramento dessas áreas é fundamental para direcionar os esforços de conservação, ampliar o conhecimento sobre a ocorrência das espécies na UC, especialmente daquelas ameaçadas de extinção, e subsidiar estratégias para a conservação da biodiversidade”, destacou a Superintendente de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema, Laís Morais Rêgo.
As atividades de campo foram direcionadas ao monitoramento de aves de mata e costeiras, com destaque para as aves limícolas migratórias, uma vez que a APA das Reentrâncias Maranhenses possui relevância internacional e integra a Rede de Reservas de Aves Limícolas Migratórias.
Para a bióloga da Uema, Surama Pereira, os resultados obtidos no monitoramento fornecem dados técnicos e científicos para o manejo da unidade de conservação. “Anualmente inúmeras espécies de aves limícolas migram da américa do norte para a costa maranhense e monitorar as espécies contribui para detectar impactos causados pelas mudanças climáticas, poluição e pressão antrópica, outro resultado importante é avaliar a conservação dos remanescentes da vegetação nativa por meio do monitoramento das aves florestais”, explicou.
Durante a expedição foram registradas aves de mata, como a mãe-de-taoca (Phlegopsis nigromaculata), classificada como Em Perigo (EN), e aves costeiras, como o vira-pedras (Arenaria interpres), maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squatarola) e o maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus), classificados como Criticamente em Perigo (CR).
Também foram registradas a ocorrência do maçarico-de-asa-branca (Tringa semipalmata), classificado como Em Perigo (EN), e da batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia), classificada como Vulnerável (VU), conforme a classificação estadual de espécies da fauna ameaçada de extinção estabelecida pela Resolução CONSEMA nº 82/2025.
Esses registros reforçam a importância da APA das Reentrâncias Maranhenses para a conservação da avifauna e evidenciam a relevância do monitoramento contínuo da biodiversidade na Unidade de Conservação.
A iniciativa integra as ações de monitoramento da biodiversidade desenvolvidas pela Sema e conta com o apoio do Projeto GEF Mar, que busca fortalecer a gestão integrada dos ecossistemas marinhos e costeiros, promovendo a conservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais em áreas protegidas do litoral brasileiro.