Custos da safra dão salto em poucas semanas
O movimento ocorre em um contexto de impacto indireto da guerra sobre cadeias
Agrolink
- Leonardo Gottems
O movimento ocorre em um contexto de impacto indireto da guerra sobre cadeias - Foto: Pixabay
O mercado de defensivos agrícolas tem registrado oscilações recentes nos preços internacionais, refletindo mudanças no cenário global de insumos. Segundo análise de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, com base em dados da Agrinvest Commodities, já há sinais consistentes de valorização nos principais princípios ativos negociados na China.
Levantamento dos últimos 30 dias mostra alta generalizada entre diferentes moléculas. O glifosato 95% avançou 19%, passando de US$ 3,45 para US$ 4,10. O 2,4-D 97% subiu 18%, enquanto o diquat 40% teve elevação de 17%. Produtos como metribuzim e glufosinato também registraram aumentos relevantes, de 11% e 7%, respectivamente. Outros itens, como cletodim, imazethapyr e picloram, apresentaram altas mais moderadas, variando entre 4% e 5%.
O movimento ocorre em um contexto de impacto indireto da guerra sobre cadeias globais, embora a dinâmica dos defensivos seja distinta da observada em fertilizantes. Ainda assim, a tendência de alta na China já começa a influenciar as discussões no Brasil, onde o mercado tenta diferenciar o que é efeito especulativo e o que tem आधार em fundamentos.
Há cerca de um mês e meio, o cenário era oposto, com quedas relevantes em produtos como o cletodim, em um momento em que os preços atingiam mínimas históricas. A reversão recente reforça a importância de acompanhar a formação internacional de preços, especialmente porque o Brasil depende quase integralmente de importações.
O cenário ganha ainda mais relevância diante da formação de custos da safra 2026/27. Nos últimos cinco meses, o custo total com insumos, incluindo fertilizantes, sementes e defensivos, já aumentou mais de 3,5 sacas por hectare, pressionando o planejamento do produtor rural.