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Cancro bacteriano

Mancha olho de perdiz (Clavibacter michiganensis subsp michiganensis)

Culturas Afetadas: Berinjela, Jiló, Pimenta, Pimentão, Quiabo, Tomate

Sinônimos: Corynebacterium michiganense e Corynebacterium michiganense pv. michiganense 

É uma doença inexpressiva para o tomateiro industrial, dada sua baixa incidência. Isto se deve, provavelmente, ao tipo de cultivo onde não são feitos desbrotamentos e tutoramento das plantas. Para o tomateiro estaqueado, no entanto, é uma das doenças mais importantes, pois pode destruir grande parte da plantação.

Danos: O tomateiro é suscetível em qualquer idade e todos os órgãos da planta podem ser afetados. A bactéria caracteriza-se por apresentar dois tipos de colonização em tomateiro: a localizada e a sistêmica. A colonização localizada é mais comum nas épocas chuvosas, porque favorece a disseminação e penetração da bactéria nos tecidos das plantas, via estômatos e hidatódios. Sintomas iniciais nos folíolos variam desde encharcamento, seguido de necrose, até pequenas elevações de forma circular, com o centro esbranquiçado, que se rompem, liberando a bactéria e formando pequenos cancros de 1 a 2 mm de diâmetro de centro suberoso. Como essas lesões são levemente salientes, os folíolos afetados podem mostrar-se ásperos ao tato.

Outro sintoma, comum a várias bacterioses do tomateiro, é a queima dos bordos dos folíolos em conseqüência da penetração do patógeno pelos hidatódios. Lesões em hastes, ráquis, pecíolos e frutos são semelhantes às do limbo foliar. Na superfície dos frutos, os sintomas apresentam-se como lesões circulares, brancas, com 1 a 3 mm de diâmetro, que se rompem formando um tecido suberificado no centro e um halo esbranquiçado. Este sintoma é conhecido como “olho-de-passarinho”. Quando ocorre grande número de lesões nos frutos, estes podem ser deformados.

A colonização sistêmica é a mais importante porque plantas afetadas murcham parcial ou totalmente. A bactéria pode penetrar por aberturas naturais (estômatos, hidatódios) e ferimentos, inclusive pelas raízes. No hospedeiro, a bactéria multiplica¬se rapidamente, colonizando o sistema vascular de maneira ascendente. A invasão sistêmica é mais rápida quando a penetração ocorre através dos ferimentos ocasionados pela desbrota em tomateiro estaqueado. Nestes, os sintomas sistêmicos ocorrem sempre acima do ponto de desbrota no caule, mas a murcha pode ser vista, primeiramente, na folha adjacente a este local. Além de murcha, pode ocorrer também necrose dos bordos dos folíolos da metade da folha, de apenas metade da planta ou de toda a planta.

O sintoma interno da colonização sistêmica envolve a alteração da cor da região vascular de amarela à pardo-escura. Em conseqüência da colonização na região dos vasos liberianos, o córtex tende a destacar-se com facilidade, mostrando tecido desintegrado entre os vasos lenhosos e liberianos. Em alguns casos, até a medula apresenta-se amarelada, devido à presença da bactéria. A colonização sistêmica pode atingir toda a planta, inclusive a placenta do fruto, daí chegando até o interior da semente.

A manifestação de sintomas de murcha das folhas intensifica-se a partir do início da frutificação, quando os frutos não se desenvolvem normalmente e caem com facilidade, O prejuízo causado pelo cancro bacteriano varia de acordo com o grau de suscetibilidade da variedade, estádio de desenvolvimento das plantas quando infectadas, condições climáticas, cuidados tomados pelo produtor e proporção de plantas afetadas na cultura, principalmente, pela colonização sistêmica.

Controle: O controle só é efetivo quando se aplica um conjunto de medidas de caráter preventivo, uma vez que não existe produto químico que controle eficientemente a doença após sua instalação na cultura. Pulverizações com produtos químicos recomendados visam, principalmente, impedir que o patógeno multiplique, dissemine e penetre nos diferentes órgãos das plantas. As principais medidas de controle são: evitar o plantio em local anteriormente cultivado com o tomateiro, obedecendo-se rotação de culturas por um período mínimo de 3 anos; evitar o plantio de outras solanáceas; tratar as estacas de tutoramento, mourões, arames, bandejas de semeadura e madeiramentos para barracão com produtos que eliminem possíveis fontes de inóculo do patógeno.

O tratamento de estacas, mourões, etc., pode variar em função do volume de material a ser tratado e da disponibilidade de condições para um tratamento seguro, principalmente ao aplicador e ao meio ambiente. O tratamento pode ser efetuado com uma misturado 500 g de oxicloreto de cobre a 50%, em 100 litros de água, e mais 50 mL de espalhante adesivo. E necessário que todas as partes dos materiais sejam bem atingidas pela calda bactericida. Neste tratamento, não há necessidade de lavar os materiais após o tratamento, exceto as partes metálicas, pois o produto pode provocar oxidação. Ao invés de oxicloreto de cobre, pode ser utilizado o hipoclorito de sódio. Neste caso, é usada uma solução contendo 0,1 % de cloro ativo. Quando os materiais tratados não forem utilizados imediatamente, não há necessidade de lavagem com água.

A eficiência do tratamento de sementes depende do nível de sanidade destas e da suscetibilidade das variedades e/ou híbridos. As sementes podem ser tratadas pela imersão em água quente a 56ºC durante 30 minutos, em 5% HCl (proporção de 135 mL de HCI em 865 ml de água) durante 5 horas ou em 5% hipoclorito de sódio por 20 minutos, nestes últimos dois casos seguida de exaustiva rinsagem.

Pulverizações preventivas com fungicida à base de cobre também podem apresentar controle satisfatório. É importante ressaltar que, embora os cúpricos tragam benefícios ao controle de muitas doenças, aplicações freqüentes, mesmo em doses recomendadas, podem ocasionar prejuízos no desenvolvimento das plantas e no pegamento e desenvolvimento dos frutos.

A utilização de cultivares que apresentam algum nível de resistência também compreende uma medida auxiliar de controle. No caso do tomateiro estaqueado, os cultivares Príncipe Gigante e Jumbo (tipo Santa Cruz), MR-4, H-2990 e Rotam-4 (tipo caqui), e os híbridos First Piolex, Zuiko 208 e Okitsu Sozai 1 (tipo caqui), apresentam níveis intermediários de resistência.

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