Em fevereiro, os preços mundiais do arroz permaneceram firmes devido a uma oferta ainda limita para exportação. A maioria dos exportadores, com exceção da Índia e dos Estados Unidos, registraram aumentos significativos de preços. A Índia ainda tem abundantes suprimentos a preços muito competitivos. No final de fevereiro, os preços mundiais começaram a cair com a chegada da nova safra ao mercado, mas continuam em média 15% mais altos do que em 2020, na mesma época.
O Vietnã teve o aumento mais significativo (+30%) nos últimos 12 meses, representando os preços mais altos da década. O comércio mundial foi revisado para cima tendo em conta o aumento da demanda de importação de Bangladesh, China e Nigéria. Espera-se um salto de 15% na demanda africana em 2021.
Do lado dos exportadores, a Índia poderia repetir seu recorde de vendas externas em 2020 e até ultrapassar a 16 Mt. Para isso, a Índia pretende fortalecer suas capacidades logísticas nos portos marítimos. As perspectivas para a produção mundial em 2020/2021 também foram revistas para cima, com um possível aumento de 2,1% em comparação com a safra anterior graças a uma segunda safra da Índia melhor do que previsto.
Em fevereiro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 4,1 pontos para 243,1 pontos (base 100 = janeiro de 2000) contra 239,0 pontos em janeiro. No início de março, o índice IPO tendia a enfraquecer para 238 pontos.
Produção mundial
De acordo com as últimas estimativas da FAO, a produção mundial em 2020 teria aumentado 2,1% para 772,8 Mt (513,2 Mt base beneficiado). A produção asiática aumentou graças à extensão das áreas plantadas e a melhores rendimentos na China e na Índia. Na Índia, estima-se que a produção tenha aumentado em 3,5%, enquanto na China estima-se que tenha um aumento apenas 0,5%. Na Tailândia, a produção melhorou em 3,7%, apesar da seca de meados do ano. Nos Estados Unidos, a safra aumentou 22% em relação ao ano anterior.
Houve também uma recuperação da produção na América Latina, particularmente no Brasil. Na África subsaariana, a produção de arroz foi atingida por inundações no final do ciclo de colheita, especialmente nas regiões ocidentais, e não se espera que aumente muito em comparação com 2019, o que aumentará significativamente as necessidades de importação em 2021.
Comércio e estoques mundiais
Em 2020, o comércio mundial cresceu 2% para 45,1 Mt contra 44,2 Mt em 2019. As necessidades de importação foram maiores na América Latina e no Caribe devido a um salto no consumo de arroz em função da incerteza causada pela pandemia de Covid-19. A Índia, o maior exportador do mundo, viu suas exportações dispararem em 50% graças aos preços extremamente competitivos. Em contraste, as vendas tailandesas caíram novamente em 25%, atingindo seu nível mais baixo em 20 anos.
O Vietnã resistiu melhor à onda indiana, com uma queda de apenas 4,5%, subindo para o segundo ranking mundial e ultrapassando a Tailândia pela primeira vez em sua história. As primeiras projeções para 2021 indicam uma recuperação significativa no comércio mundial de 7% a 48,2 Mt, já mais 3,2 Mt do que em 2020. Espera-se uma forte demanda de importação de Bangladesh e de países africanos, principalmente Nigéria, Costa do Marfim e Senegal.
Os estoques mundiais de arroz no final de 2020 diminuíram 1,7% para 182,2 Mt contra 185,4 Mt em 2019. No entanto, eles permanecem em níveis satisfatórios, representando 36% das necessidades mundiais. Este declínio afetou principalmente a China, mas seus estoques ainda são significativos, equivalentes a 70% de seu consumo anual. Por outro lado, os estoques nos principais países exportadores devem aumentar novamente em 2020/21 para atingir 53 Mt, já 30% dos estoques mundiais. Por outro lado, os estoques devem diminuir nos principais países importadores, especialmente nos países africanos.
Na Índia, os preços do arroz subiram 2%, mas continuam sendo os mais competitivos do mercado. As exportações têm sido particularmente ativas desde o início do ano e as perspectivas de vendas em 2021 são promissoras e podem exceder um volume recorde de 16 Mt. A demanda de Bangladesh e do Nepal deve ser forte, assim como em Benin e no Senegal. As necessidades de importação de arroz basmati também estão aumentando na Arábia Saudita, no Irã e no Iraque. Em fevereiro, o arroz indiano 5% quebrados marcou $ 393/t Fob contra $ 385 em janeiro. Enquanto isso, o arroz indiano 25% se manteve estável em $ 353. No início de março, os preços se mantiveram estáveis.
Na Tailândia, os preços aumentaram em 3% devido a uma oferta mais restrita. No entanto, os preços tenderam a cair no final do mês com a chegada da nova safra ao mercado. A demanda de importação tende a reanimar-se graças aos novos contratos na África e no Sudeste Asiático. Porém, as exportações tailandesas estão atrasadas de 10% em relação ao ano anterior a mesma época. Em 2020, as vendas tailandesas caíram 25% para 5,7 Mt, o nível mais baixo em 20 anos. Em fevereiro, o preço médio do arroz 100%B tailandês foi de $ 540/t contra $ 525 em janeiro. O arroz tailandês parboilizado subiu para $ 520 contra $ 534 anteriormente. A arroz quebrado A1 Super subiu 6% para $ 458 contra $ 433. No início de março, os preços estavam em queda.
No Vietnã, os preços de exportação permaneceram relativamente estáveis, passando abaixo dos preços tailandeses, mas ainda bem acima dos preços indianos. O mercado de exportação não está muito ativo, afetado pelo alto custo de transporte marítimo. Em fevereiro, as exportações caíram 15% em relação a janeiro e marcam um atraso de 30% em relação ao ano passado na mesma época. Contudo, espera-se que a oferta de exportação melhore nas próximas semanas, graças às boas perspectivas da safra primaverainverno. Em fevereiro, o Viet 5% marcou $ 520 contra $ 518 em janeiro. O Viet 25% foi negociado a $ 494 contra $ 490 anteriormente. No início de março, os preços tinham tendências baixistas.
No Paquistão, os preços do arroz subiram 3%, mas as exportações estão progredindo moderadamente. Em 2020, as exportações paquistanesas alcançaram 3,9 Mt contra 4,6 Mt em 2019, marcando uma queda de 14%. Em fevereiro, Pak 25% foi negociado a $ 404 contra $ 393 em janeiro. No início de março, os preços estavam estáveis. Na China, as exportações aumentaram 7% para 3 Mt contra 2,8 Mt em 2019. Em 2021, as vendas externas poderiam aumentar novamente para 3,2 Mt. Nos Estados Unidos, os preços do arroz permaneceram relativamente estáveis dentro de um mercado bastante ativo.
Em fevereiro, as exportações aumentaram significativamente atingindo 300.000 t contra 190.000 t em janeiro. As vendas aumentaram principalmente no México e no Haiti. Contudo, a concorrência deve ser bastante dura este ano com os exportadores sul-americanos e até os asiáticos. Em fevereiro, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 permaneceu estável em $ 589/t. No início de março, o preço tendia a cair com uma média de $ 578. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do paddy estiveram estáveis a $ 287/t. No início de março, os preços estavam subindo para $ 292. No Mercosul, os preços de exportação caíram 2,5% em um mercado bastante ativo. Em fevereiro, as exportações brasileiras aumentaram em relação a janeiro, mas já estão 50% atrasadas em relação a 2020 na mesma época. No Uruguai, as exportações também estão progredindo, mas apontam um atraso de 43% em relação ao ano passado. O preço indicativo do arroz paddy brasileiro caiu para $ 325/t contra $ 339 em janeiro. No início de março, os preços continuaram a cair com a chegada da nova safra, atingindo uma média de $ 298.
Na África subsaariana, os preços internos são estáveis nas regiões costeiras ocidentais, exceto na Guiné, onde foram observados pequenos aumentos, bem como nos países do Sahel. A produção de arroz em 2020/2021 não deveria aumentar muito em geral, apesar de uma boa pluviosidade em 2020. As necessidades de importação aumentarão consideravelmente e poderão chegar a 17,8 Mt em 2021 contra 15,6 Mt em 2020, ou seja, 37% das importações globais.