A trajetória do Brasil como potência agrícola passa pela pesquisa e pelo desenvolvimento de tecnologias capazes de atender aos desafios da agricultura tropical. Foi para fortalecer essa conexão entre inovação e produtividade que nasceu a CropLife Brasil, em 2019. Neste mês, a entidade completa sete anos. Para marcar a data, revisita sete marcos de sua atuação que contribuíram para ampliar a representatividade da indústria, aprimorar o ambiente regulatório e fortalecer as condições para que novas soluções cheguem ao campo.
Hoje a CropLife Brasil reúne 53 empresas associadas que atuam na indústria de tecnologias agrícolas, um setor que movimenta mais de R$ 114 bilhões por ano no país e destina 3,1% desse montante à inovação, três vezes acima da média nacional. A associação conta com uma equipe técnica de 32 profissionais especializados em diferentes áreas de atuação, que contribuem para a produção de conhecimento, a qualificação do debate e a construção de repertório técnico e institucional sobre os temas estratégicos para o setor.
“O Brasil tem a maior agricultura tropical do mundo, com enorme potencial produtivo e competitivo. Ao completar sete anos, a CropLife Brasil reafirma seu compromisso de reunir diferentes tecnologias e soluções que dão vida à lavoura, impulsionam a inovação no campo e contribuem para uma agricultura cada vez mais sustentável e preparada para os desafios do futuro”, pontua a presidente, Ana Repezza. Os avanços ajudam a dimensionar a contribuição institucional da associação para o setor de insumos do país e para a reputação internacional do agronegócio brasileiro.
Sete anos, sete marcos
1. Fusão e representatividade da indústria de tecnologias agrícolas
A criação da CropLife Brasil, em 2019, consolidou a união de quatro entidades: Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) e Associação das Empresas de Biotecnologia na Agricultura e Agroindústria (AgroBio). A integração estabeleceu uma agenda comum para os segmentos de defensivos químicos, bioinsumos, biotecnologia e germoplasma, preservando suas especificidades técnicas.
2. Marco Legal dos Defensivos Agrícolas: modernização regulatória
Para trazer segurança jurídica e orientações claras de registro, uso e fiscalização, a sanção da Lei dos Agrotóxicos (nº 14.785/2023), que atualiza o marco legal dos defensivos agrícolas e produtos de controle ambiental, representou um avanço relevante. Foram mais de duas décadas de tramitação para chegar a uma legislação alinhada às necessidades do setor. A CropLife Brasil participou das discussões em defesa de regras alinhadas à evolução científica e tecnológica.
Entre as defesas, a entidade prezou por competências regulatórias definidas, critérios técnico-científicos baseados no controle de qualidade e risco e maior previsibilidade nos processos de análise. A modernização regulatória é importante para estimular investimentos e ampliar o acesso a novas soluções, preservando as avaliações de segurança relacionadas à saúde humana e ao meio ambiente. A implementação das novas regras e a regulamentação dos dispositivos aplicáveis permanecem fundamentais para a efetividade do marco.
3. Marco Legal dos Bioinsumos: pioneirismo no segmento
A sanção da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070/2024) estabeleceu um marco regulatório pioneiro e específico para os bioinsumos, reconhecendo a diversidade dos produtos biológicos utilizados na agricultura e criando regras próprias para sua produção, registro, comercialização e uso, inclusive na modalidade de produção para uso próprio, conhecida como on farm. A legislação acompanha a expansão dessas tecnologias no Brasil, líder na adoção da tecnologia e com potencial para ampliar a presença no mercado internacional, uma vitrine para exportação global.
Neste marco, a CropLife Brasil contribuiu com apoio técnico e articulação institucional para a aprovação da lei, defendendo segurança jurídica, qualidade dos produtos e respeito às particularidades desse segmento. A regulamentação e a implementação dos dispositivos seguem como etapas fundamentais para orientar a cadeia e apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias. A atuação também se estende à expansão internacional dos bioinsumos brasileiros por meio do Renera, projeto desenvolvido em parceria com a ApexBrasil.
4. Defesa Constitucional da Lei de Biossegurança e da CTNBio
No ambiente regulatório, a defesa da Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/2005) e do papel da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também contou com a atuação institucional da CropLife Brasil, em favor da avaliação científica e da previsibilidade regulatória para a biotecnologia agrícola. Em meados de 2021, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3.526 constituiu um marco jurídico para a discussão de legitimidade ao confirmar a constitucionalidade dos dispositivos.
5. Propriedade Intelectual: proteção aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento
A proteção da propriedade intelectual é uma das frentes de atuação da CLB para estimular investimentos em melhoramento genético, desenvolvimento de novas cultivares e outras tecnologias agrícolas. A associação articula ações e mobilizações com entidades setoriais e acompanha discussões no Congresso Nacional em defesa de mecanismos que reconheçam os direitos dos desenvolvedores e incentivem a inovação. A atuação inclui o diálogo com a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria. O objetivo é contribuir para um ambiente que valorize a pesquisa, favoreça a competitividade e promova o respeito à legislação.
6. Combate ao Mercado Ilegal Agrícola: articulação e proteção
Diante do crescimento acelerado do agronegócio e sua oportunidade econômica, a indústria se deparou com um desafio paralelo: o mercado ilegal de insumos agrícolas. O enfrentamento ao comércio ilícito tornou-se outra frente prioritária da CropLife Brasil. Por meio de um comitê, a associação articula ações com órgãos públicos, autoridades de fiscalização, academia e entidades do setor produtivo e contribui com capacitações, acompanhamento de apreensões e apoio à destinação ambientalmente adequada dos produtos retirados de circulação.
Pela trajetória, a CLB foi selecionada para integrar o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e aos Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A participação ampliou sua atuação nessa agenda, que busca proteger produtores, os investimentos em inovação e a concorrência leal diante dos riscos dos insumos ilegais para a produção agrícola, a saúde e o meio ambiente.
Um dos principais desafios globais é garantir a produção agrícola de forma eficiente e sustentável, otimizando o uso de insumos, evitando desperdícios e protegendo o meio ambiente. Nessa agenda, a CLB também atua em prol das pessoas que estão no dia a dia do campo e são essenciais para a produção de alimentos. Por meio de iniciativas como o Aplicador Legal, a associação promove a capacitação de técnicos e agricultores, contribuindo para a qualificação profissional e a segurança nas atividades rurais.
7. CropData: transparência e ampliação do acesso a dados setoriais
Para ampliar o acesso a indicadores do setor, a CropLife Brasil lançou, em outubro de 2025, o portal CropData. A plataforma reforça o compromisso da entidade com a transparência, a credibilidade e o diálogo responsável, oferecendo a pesquisadores, formuladores de políticas públicas, imprensa e sociedade dados para compreender o papel da inovação agrícola. O portal reúne informações de diferentes fontes públicas e privadas sobre sementes, defensivos químicos e bioinsumos, além de indicadores relacionados a mercado, registros, comércio exterior, sustentabilidade e rastreabilidade.
A cada mês, a entidade divulga um novo dado, e há previsão de incorporação de novas informações ao portal até dezembro de 2027.
Uma agenda voltada ao futuro da agricultura tropical
Os sete marcos refletem diferentes dimensões da atuação da CropLife Brasil ao longo desses sete anos: a integração de setores tecnológicos, o aprimoramento regulatório, a defesa da inovação, a proteção da propriedade intelectual, o combate à ilegalidade e a ampliação do acesso a informações qualificadas. São agendas conectadas ao desafio de fortalecer a competitividade da agricultura tropical brasileira diante das demandas por alimentos, fibras e energia, em um cenário de mudanças climáticas, pressão sobre os recursos naturais e crescente necessidade de eficiência produtiva.
Essa conexão orienta a campanha “O que é que só o Brasil tem?”, lançada pela entidade em maio de 2026, que busca ampliar o conhecimento sobre a produção brasileira, valorizar a ciência que sustenta seus resultados e levar ao debate público a importância de uma regulação que considere as condições do país. Ao olhar para o futuro, a entidade mantém como prioridade o diálogo institucional e a defesa de um ambiente regulatório previsível. A proposta é contribuir para que o Brasil continue desenvolvendo e incorporando tecnologias capazes de elevar a produtividade, apoiar boas práticas agrícolas e conciliar produção e conservação dos recursos naturais.