A mudança do clima global vem ocorrendo ao longo do tempo, alterando a estrutura organizacional dos ecossistemas. A emissão de gases de efeito estufa, em nível acima da capacidade da absorção pelos ecossistemas naturais, é a principal causa. Isso resultou na elevação da concentração desses gases na atmosfera terrestre.
Atualmente, a utilização de combustíveis fósseis é a principal fonte responsável por incrementar em mais de 12 de bilhões toneladas de dióxido de carbono anualmente na atmosfera. As diferentes formas de exploração agrícola (mudanças no uso do solo) contribuem com, aproximadamente, 22% do total emitido, embora essas estimativas tenham uma grande incerteza. No entanto, o potencial do solo em armazenar o dióxido de carbono (na forma de matéria orgânica), pode compensar sua emissão, quando manejado através de práticas conservacionistas, como o sistema plantio direto na plaha, por exemplo.
# A PESQUISA
Anderson Santi, pesquisador da Embrapa trigo, atua na área de mudanças climáticas e de monitoramento de sistemas agrícolas em relação a emissão de gases de efeito estufa. Ele estuda quais os sistemas agrícolas produtivos que melhor se adaptam ao sul do Brasil, em relação a menor emissão de gases de efeito estufa, observando qual a melhor alternativa de sistemas que captem mais CO2.
A pesquisa desenvolvida na Embrapa Trigo, sobre mudanças clímáticas na agricultura brasileira, trabalha essencialmente para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos e a adaptação das culturas a um possível novo clima no mundo.
De acordo com Santi, também se estuda a intensificação em sistemas produção visando a parte econômica: colocar maior quantidade de cultivos durante mais tempo, visando a produtividade e a adição de carbono ao sistema.
# OS ATORES
O aquecimento global é causado, principalmente pelo Gás Carbônico (CO2), responsável por 77% do efeito estufa hoje. Junto à ele, outros vilões também participam como Metano e Óxido Nitroso (NO2). Estes gases, presentes na atmosfera, são em sua maioria, proporcionados pelo próprio homem. O CO2, por exemplo, provém de processos de combustão de materiais fósseis como petróleo e carvão. Já o Metano, acontece da liberação deste, nas lavouras de arroz e na produção de gado. O N2O, no entanto, é em grande parte liberado pelos processos agrícolas de utilização de fertilizantes nitrogenados.
De acordo com Santi, sabe-se que a agricultura emite esses gases, mas que esta tem seu revés. “O que ela emite ela capta novamente pelo seqüestro de carbono através da fotossíntese”. Por isso, o pesquisador salienta a importância das praticas agrícolas voltadas a conservação no impedimento e redução da possibilidade de emissão de CO2. A principal prática conservacionista é o sistema plantio direto na palha.
# O QUE O PLANTIO DIRETO FAZ?
O Plantio direto, apesar de possuir pouca influência no seqüestro de carbono, ainda é a melhor alternativa para a agricultura. Segundo Santi, este, demonstra efeitos positivos por acumular mais CO2 do que emitir. No entanto, Santi salienta que, para uma maior conservação em relação às conseqüências causadas pelas mudanças climáticas, além do plantio direto, tem de se considerar onde estão as maiores emissões, como por exemplo as queimadas, no Brasil, e as matrizes energéticas nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
# O BRASIL E SUAS MEDIDAS
O Brasil está incentivando a plantação de cana de açúcar e culturas para produção de biodiesel, pois a partir destes se pode gerar energias renováveis, ou seja, que “vão e voltam”, enquanto os combustíveis fósseis são, praticamente, não renováveis.
Conforme Santi, todas as medidas que estão em voga no momento , no país, são paliativas. O pesquisador vê como solução, mexer na matriz energética (eólica, solar, hídrica, uso de resíduos de biomassa, etc.) para uma maior preservação.
# EFEITO ESTUFA E AQUECIMENTO
O efeito estufa está basicamente ocorrendo pela elevação da concentração de CO2 que provém, em sua maioria, da queima de combustíveis fósseis, ou seja, 70% do total mundial.
No Brasil, as maiores emissores são as queimadas na Mata Atlântica e os desmatamentos na Amazônia.
Em relação ao trigo produzido no Brasil, em especial na Região Sul, os aumentos de temperatura, de 1 a 2 graus, e aumento de chuvas não necessariamente afetarão o plantio, diz Santi. A Embrapa Trigo e outras instituições já estão trabalhando com essa perspectiva e buscando o desenvolvimento de novas tecnologias adaptadas a essa condição futura de ambiente.
“Ainda não tem-se dados específicos. No entanto, está se trabalhando sobre essas questões, principalmente na parte de adaptação das culturas a temperaturas mais elevadas e as prováveis mudanças nos padrões de chuva”, disse Santi.