* Mauro César Rodrigues é presidente do Sindiagri
O setor público agrícola de Goiás encaminha para uma terra arrasada. O sucateamento anda a todo vapor no que era de Emater, de Agenciarural e, agora, de uma mera superintendência da Secretaria da Agricultura. As mudanças bruscas ocorrem sufocando os técnicos e pesquisadores do que sobrou dessas instituições, que precisam, isto sim, de soerguimento e conseqüente motivação de seu corpo de recursos humanos.
Como baratas tontas, esses servidores, a maior parte com muitos anos de experiência e responsável pelo incremento da soja em Goiás, ficam deslocados de suas funções naturais, como se fossem criminosos de guerra.
Os Convênios Cerrados, relacionados à pesquisa e ao melhoramento da cultura da soja, sofre com o imprevisível torpedo. É como se numa guerra a grande nau fosse abalroada e indo a pique.
A remoção de comando de figuras altamente dedicadas à pesquisa, à assistência técnica e à extensão rural provoca preocupações num Estado que possui as condições ideais ao crescimento de toda a cadeia do agronegócio.
Ninguém em sã consciência é contrário à entrada de novos personagens, que poderão inclusive fazer história no futuro.
Mas, no presente, é contraproducente essas mudanças, porque as pessoas novas envolvidas não têm o menor compromisso nem conhecimento do processo. Em qualquer hierarquia digna desse nome, como no meio militar e no clero, ninguém chega a general ou a cardeal sem o devido mérito. Os anos se encarregam do amadurecimento e do aperfeiçoamento daquele que desejou seguir carreira, que entrou como soldado e atingiu o generalato; que na igreja passou da condição de padre à mais alta hierarquia.
As demissões nas equipes de apoio das estações de Goiânia e Anápolis ocorreram de forma insana, precipitada e, sobretudo, arrogante, e que pecou pela falta de ética. Trata-se, na verdade, de um segmento altamente técnico e estratégico para Goiás e que envolve um programa de melhoramento de soja de importância técnica e financeira sem precedentes. O programa, que advém de anos de pesquisa, é responsável por novas variedades destinadas aos Cerrados, gerando royalties e um banco de germoplasma que é um verdadeiro patrimônio do Estado.
Com essa mexida, o governo quebra a espinha dorsal do programa de melhoramento, pondo um fim nos cruzamentos e na redução dos Bulks e populações segregantes.
Esse comportamento consuma com a entrega ao CPTA da rede de avaliação de cultivares. A participação do Estado torna-se meramente coadjuvante, quebrando toda uma história de sucesso da pesquisa com variedades reconhecidas no Brasil e exterior.
O Convênio Cerrado com o novo cenário fica restrito à Embrapa e ao CTPA (Centro Tecnológico de Pesquisa Agrícola). A Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias assume a parte técnica e o CTPA administra o financeiro. À Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, sobram as migalhas do processo, atuando como mera facilitadora.
Entendemos que ao secretário da Agricultura cabe um esclarecimento à sociedade com a transparência que o caso requer.