O Nordeste brasileiro ocupa uma área de 1.540.000 Km2, representando 18% do território nacional. A região semi-árida ocupa 49% dessas terras (754.600 Km2). Embora pobre em termos agrícolas, possui uma expressiva parcela da população rural, e é importante para a economia agrícola. É nessa região que as secas periódicas criaram, com os anos, sérios problemas sócioeconômicos. Normalmente, a precipitação pluviométrica de 300 mm a 700 mm, com distribuição irregular, ocorre em um único período de três a cinco meses, o que tem provocado freqüentes frustrações de safras, causando sérios prejuízos à agricultura regional.
Nesse cenário, a utilização de variedades superprecoces de milho, a exemplo da Caatingueiro, poderá reduzir os riscos do cultivo desse cereal, proporcionando melhoria da produtividade dos sistemas de produção dos pequenos e médios produtores rurais do semi-árido nordestino. Considerando esses aspectos, desenvolveu-se o presente trabalho visando a conhecer o comportamento produtivo da variedade de milho Caatingueiro, quando avaliada em diferentes ambientes do Nordeste brasileiro, para fins de recomendação.
Os ensaios foram instalados em 31 municípios do Nordeste brasileiro, distribuídos em todos os Estados dessa região, entre as latitudes 2º 63", em Parnaíba, no Piauí, a 14º 36", no município de Barra do Choça, na Bahia. Foram utilizados 101 ambientes, no período de 1994 a 2003, para a realização dos ensaios. Em todos os ensaios utilizou-se o delineamento em blocos ao acaso, com três repetições. Os ensaios foram realizados em 101 ambientes, no período de1998 a 2003, distribuídos em 39 municípios do Nordeste brasileiro, entre as latitudes 3º 41", no município de Brejo, no Maranhão a 14° 36", em Barra do Choça, na Bahia
Em todos os ensaios utilizou-se o delineamento em blocos ao acaso, com três repetições. As parcelas
constaram de quatro fileiras de 5,0m de comprimento. Nos anos agrícolas de 1998 e 1999 manteve-se a distância de 0,90m entre fileiras. Entre os anos de 2000 a 2003 essa distância foi reduzida para 0,80m. Colocaram-se três sementes/cova, deixando-se, após o desbaste, duas plantas/cova. As adubações realizadas nesses ensaios seguiram os resultados das análises de solo das respectivas áreas experimentais. Em todos os ensaios foram tomados os pesos de grãos, os quais foram submetidos a análise de variância obedecendo ao modelo em blocos ao acaso.
A variedade Caatingueiro necessitou de 41 dias, em média, para atingir a fase de florescimento masculino no Estado do Piauí e entre 43 a 45 dias, para alcançar essa fase, nas condições ambientais do Estado do Rio Grande do Norte. Essa
superprecocidade é de extrema importância para assegurar uma safra em um curto período chuvoso, trazendo menos risco para as frustrações de safras freqüentemente registradas nessas áreas do semiárido.
Nos Estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia, onde foi observado o florescimento feminino, constata-se também a superprecocidade dessa variedade, o que contribui, sobremaneira, para sua adoção nas áreas semi-áridas desses Estados nordestinos.
O rendimento médio de grãos registrado na média dos 101 ambientes foi de 4.129 kg/ha, evidenciando o alto potencial para a produtividade da variedade Caatingueiro, o que associado à sua superprecocidade faz dessa variedade uma excelente alternativa para o semi-árido nordestino.
# Características Médias da Variedade Caatingueiro
Tipo: variedade de polinização aberta
50% do florescimento masculino: 41 a 55 dias
50% do florescimento feminino: 43 a 57 dias
Ciclo: superprecoce
Graus dias: 702
Altura da planta: 1,70 m a 1,90 m
Altura da espiga: 0,70 m a 0,90 m
Tolerância ao acamamento: boa
Tolerância ao quebramento: boa
Tipo de grãos: semi-duros
Coloração dos grãos: amarelo-alaranjada
Região de adaptação: Nordeste brasileiro com foco direcionado para a região semi-árida.
Potencial genético para a produtividade: 5 toneladas/hectare
Produtividade média: 2-3 toneladas/hectare na região semi-árida
OBS: Por se tratar de valores médios, estes podem variar para mais ou para menos, dependendo das condições ambientais.
Autores: Hélio Wilson Lemos de Carvalho; Manoel Xavier dos Santos; Ana Alexandrina Gama da Silva; Milton José Cardoso; Denis Medeiros dos Santos; José Nildo Tabosa; Miguel Michereff Filho; Marcelo Abdon Lira; Manoel Henrique Cavalcante Bonfim; Evanildes Menezes de Souza; Giderval Vieira Sampaio; Ana Rita de Moraes Brandão Brito; Valfredo Vilela Dourado; José Álvares Tavares; José Guilherme do Nascimento Neto; Marta Maria Amâncio do Nascimento; José Jorge Tavares Filho; Aderson Soares de Andrade Júnior; Benedito Carlos Lemos de Carvalho.