Desbaste de mudas do tipo filhote
As plantas da variedade Pérola produzem, em geral, número de mudas do tipo filhote muito maior do que as que o produtor precisa para os novos plantios. A eliminação do excesso destas mudas tem permitido um aumento significativo do peso médio do fruto e do vigor das mudas que permanecem na planta, sem influenciar de modo significativo na ocorrência da fusariose e da queima-solar.
Recomenda-se, portanto:
1. Desbastar as mudas do tipo filhote menos desenvolvidas e localizadas muito próximas de outras mudas ao longo do pedúnculo que sustenta o fruto, e
2. Manter-se as mudas mais vigorosas. Deve-se deixar apenas em torno de quatro a seis filhotes por planta.
O desbaste deve ser realizado com uma leve pressão manual sobre o broto do filhote, depois de 90 a 100 dias após a indução da floração, o que corresponde ao período da semana posterior ao fechamento das últimas flores da inflorescência. De preferência, deve-se eliminar as mudas do lado do sol nascente, de modo a favorecer o crescimento daquelas que ficam do lado do sol poente, que poderão, assim, ajudar na proteção dos frutos contra a queima-solar.
Proteção dos frutos contra a queima-solar
A queima-solar ou escaldadura do fruto do abacaxizeiro é uma anomalia de causa não parasitária ou não biológica, que pode causar perdas de até 70% na produção, a depender da época de colheita. Durante o período de maturação, que corresponde aos 60 dias que antecedem a colheita, os frutos de abacaxi tornam-se muito sensíveis à queima causada pelo sol. Desta forma, é necessário que os frutos sejam protegidos, sobretudo em épocas de altas temperaturas e alta radiação solar, o que corresponde, na região de Itaberaba, principalmente ao período de outubro a dezembro.
A proteção dos frutos do lado do sol poente pode ser feita de várias formas, incluindo algumas que não exigem a compra de materiais, conforme descritas a seguir:
1) direcionamento do plantio – aqueles posicionados no sentido Leste-Oeste apresentam menor intensidade de queima-solar do que os plantados no sentido Norte-Sul;
2) estabelecimento de um programa de indução da floração que permita o desenvolvimento da inflorescência e do fruto em épocas não favoráveis à ocorrência da queima-solar – indução feita até o mês de abril;
3) efetuar a adubação de acordo com a análise do solo, a fim de diminuir a ocorrência de tombamento das plantas;
4) efetuar a proteção mecânica dos frutos, usando-se materiais vegetais (capim seco, palha de bananeira, mudas de abacaxi etc.), papel de jornal usado, sacos de papel, dentre outros;
5) amarrar as próprias folhas do abacaxizeiro sobre os frutos, promovendo assim sua proteção. No caso de papel de jornal, estudos devem ser feitos para determinar-se se a tinta usada na impressão é fator de contaminação do fruto por chumbo.
Com relação ao uso das próprias folhas do abacaxizeiro, pode-se usar três métodos:
a) levantando-se as folhas mais compridas em volta do fruto, as quais são amarradas acima do mesmo, com um cordão;
b) fincando-se piquetes ao longo das linhas de plantio, distantes 2,50 a 3,00m uns dos outros, por onde são passados e atados cordões paralelos (entrecruzados ou em ziguezague), que servem para suspender e sustentar as folhas, na posição vertical, em volta dos frutos, protegendo-os coletivamente;
c) rasgando-se a maior folha do abacaxizeiro ao meio, até a metade de seu comprimento e sem destacá-la da planta, e com suas duas partes envolver as demais folhas, que são levantadas em volta do fruto e amarradas acima da coroa. A proteção com as próprias folhas do abacaxizeiro tem se revelado o método mais econômico.