No trabalho abaixo são apresentadas as estimativas dos custos de produção fixo, variável e total da cultura do algodão para os Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, safra 2005/06.
São custos fixos: depreciação e juros sobre o valor de máquinas e equipamentos, além da remuneração do capital empregado em terra (estimada como valor de arrendamento). O custo variável refere-se às despesas que variam de acordo com a escala de produção, tais como: sementes, fertilizantes, calcário, defensivos, combustíveis, lubrificantes, reparos de máquinas e equipamentos. O custo total é a soma dos custos fixos e variáveis.
Nas Tabelas de 1 a 9 são apresentadas as estimativas dos custos de produção para o Estado de Mato Grosso do Sul. Os dados foram obtidos em levantamentos realizados em Itaquiraí, Nioaque, Naviraí, Maracaju, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste.
Nas Tabelas de 10 a 13 são apresentadas as estimativas dos custos de produção para o Estado de Mato Grosso. Os dados foram obtidos em levantamentos realizados em Sorriso, Primavera do Leste, Campo Novo do Parecis e Sapezal.
As estimativas dos custos foram elaboradas tendo como referência os sistemas de produção praticados pelos agricultores.
Em Itaquiraí e Nioaque, MS, predomina a produção de algodão por pequenos produtores dos assentamentos de reforma agrária, com uso sazonal de mão-de-obra contratada na colheita; as operações mecânicas são terceirizadas. Não é feita a correção do solo e as doses de adubo são pequenas. Os agricultores comercializam o algodão em caroço.
Nos demais municípios, o algodão é cultivado por médios e grandes produtores. Os sistemas de produção caracterizam-se pelo intenso uso de insumos e por cultivares que apresentam alto potencial produtivo e de rendimento de fibra. Com exceção dos produtores de Naviraí, que vendem o algodão em caroço, os demais beneficiam o algodão em algodoeiras locais e comercializam a pluma.
Em Naviraí foram estimados custos para o algodão produzido em Sistema Convencional (SC) e Sistema Plantio Direto (SPD). Em Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste são utilizadas cultivares resistentes e suscetíveis ao vírus do mosaico da nervura. Portanto, para estes municípios foram estimados custos contemplando ambas as condições. Recomenda-se ao produtor dar atenção às recomendações da pesquisa no uso das tecnologias.
Para a diminuição dos custos, algumas providências podem ser adotadas sem, necessariamente, acarretar redução da produtividade, tais como as apresentadas a seguir:
1. o uso de cultivares resistentes ao vírus do mosaico resulta em menores gastos com inseticidas para o controle do pulgão transmissor da doença. A redução de gastos chega, em alguns casos, até a 20% das despesas totais com inseticidas durante o ciclo da cultura;
2. para uma adubação equilibrada, os teores de nutrientes no solo devem ser manejados de modo a se construir sua fertilidade até os níveis considerados altos ou adequados. Assim, a adubação deve objetivar manter a fertilidade e o nível da produtividade alcançada. O fósforo e o potássio são recomendados em função da análise do solo, considerando as tabelas de recomendação de adubação de cada estado ou região. A recomendação de nitrogênio é baseada na produtividade esperada e no potencial de resposta da cultura associado ao histórico de uso da área;
3. com relação aos micronutrientes, recomenda-se apenas a utilização de boro. Entretanto, constata-se que em importantes municípios produtores de algodão está ocorrendo uso indiscriminado de outros micronutrientes que não elevam a produtividade, mas aumentam o custo;
4. o manejo adequado de alguns herbicidas pós-emergentes poderá proporcionar economia de até 40% no controle de plantas daninhas;
5. usando-se inseticidas seletivos no início do ciclo da cultura, ocorrerá estabelecimento de inimigos naturais da lagarta-da-maçã, resultando em redução de até 50% na quantidade de inseticida para o controle desta praga;
6. quanto ao uso de regulador de crescimento, a recomendação da pesquisa é de até 1,5 l/ha de cloreto de mepiquat ou até 1,0 l/ha de cloreto de clormequat. Não raro são usados os dois e em doses maiores que as recomendadas. É fundamental fazer a primeira aplicação no momento adequado, que varia de acordo com a cultivar utilizada;
7. geralmente, usam-se desfolhantes em área total, mas pode-se, perfeitamente, restringir a aplicação a 40% da área de lavoura, na maioria dos casos;
8. quanto ao controle de doenças, em média, está ocorrendo elevado número de aplicações de fungicidas. Na maioria dos casos podem ser reduzidas a duas ou três aplicações, bastando tomar alguns cuidados conforme recomendação da pesquisa. A primeira aplicação deve ser feita no aparecimento dos sintomas. Nas demais, se for o caso, usar produtos que tenham modo de ação diferente para evitar problemas de resistência;
9. o uso de maturador é requerido em casos específicos, mesmo assim em parte da área. O que se observa é o uso generalizado em área total. Manejando-se adequadamente a adubação nitrogenada e o controle de doenças, o uso de maturador é dispensável.
A adoção das recomendações da pesquisa de forma criteriosa resulta quase sempre em uso mais adequado de insumos e, por conseqüência, em menor custo de produção e menores problemas ambientais e à saúde das pessoas.