A cultura do feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) apresenta destacável valor sócio-econômico para a região Nordeste do Brasil. Esta região é responsável por 1.205.839 ha (94,40%) da área e 412.458 t (87,73%) da produção total de feijão-caupi no Brasil. A produtividade média de grãos, 342 kg.ha-1, de feijão-caupi é baixa. As principais causas da baixa produtividade são: i) cultivo em ambientes que apresentam restrições edafoclimáticas, baixa utilização de tecnologias e a ocorrência de pragas e doenças.
A Embrapa Meio-Norte é responsável pelo Programa de Melhoramento Genético do Feijão-Caupi no Brasil, o qual está sustentado pelo tripé: pré-melhoramento, melhoramento e pós-melhoramento. O programa dispõe de mais de 2.000 acessos no Banco Ativo de Germoplasma de Feijão-caupi (BAG Feijão-caupi), os quais contribuíram para o lançamento de 24 cultivares para as regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Atualmente, entre os objetivos do programa de melhoramento destaca-se a obtenção de cultivares com porte ereto e precoce. Algumas pessoas poderiam pensar que cultivares com esse porte atenderia apenas as necessidades dos agricultores que dispõe de recursos para investir em tecnologia, tal como a colheita mecanizada da lavoura. Na verdade esse pensamento é incoerente, visto que cultivares de porte ereto propiciam melhores resultados tanto para a agricultura familiar quanto a empresarial.
O plantio de uma cultivar de porte ereto por agricultores com origem na agricultura familiar proporciona maior facilidade nos tratos culturais, redução na incidência de doenças devido à maior aeração na cultura, maior absorção de luz solar pelas folhas podendo levar a um aumento de fotoassimilados pela cultura proporcionando maior energia para a produção de grãos. Aliado a esses fatores, a maior facilidade de arranquio (colheita) e o amadurecimento simultâneo das vagens proporciona uma colheita concentrada, ou seja, na mesma época. Considera-se, não menos importante, a adoção de um pacote tecnológico, pois ao adquirir uma cultivar de porte ereto, será utilizado uma maior densidade de plantas.
Já a agricultura empresarial beneficia-se principalmente da vantagem da colheita mecanizada, além da facilidade de emprego dos tratos culturais. Um outro aspecto importante é o plantio do feijão-caupi na safrinha, já que se pode usar, por exemplo, o mesmo maquinário que é utilizado para a cultura da soja.
Recentemente, a Embrapa Meio-Norte em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental (Belém – PA) lançou uma cultivar de porte semi-ereto, a cultivar Novaera, recomendada para os estados das regiões Norte (Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá, e Pará), Nordeste (Maranhão e Rio Grande do Norte) e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul). No momento, algumas linhagens de porte ereto obtidas na Embrapa Meio-Norte estão sendo testadas para posterior lançamento.