Os Sistemas de Produção de Grãos (SPG) da região Oeste do Brasil, em particular do Estado de Mato Grosso do Sul, apresentam sérios problemas, dentre eles a falta de espécies alternativas para o cultivo de outono-inverno. A rotação de culturas é uma das maneiras mais eficientes de utilização do solo, exigência importante para o uso do sistema plantio direto (SPD). Para tanto, é indispensável que no seu planejamento tenhamos diversificação de espécies.
A diversificação de espécies nos atuais SPG tem estimulado o setor agropecuário, por motivos diversos, como a necessidade de integrar a agricultura com a pecuária, visando à melhoria das pastagens degradadas. No SPD com a rotação de culturas, evita-se a degradação do solo e o aparecimento de pragas, doenças e plantas daninhas.
No Mato Grosso do Sul, no período de outono-inverno, os atuais sistemas de produção de grãos restringem-se, quase que exclusivamente, ao cultivo de milho, trigo e aveia preta. No entanto, algumas culturas podem adaptar-se a estes sistemas, necessitando de estudos para avaliar possível aproveitamento das mesmas, nas condições edafoclimáticas do Estado.
O girassol é uma espécie produtora de grãos, de fácil adaptabilidade, que, apesar de não possuir tradição de cultivo no Estado, como a soja e o milho, produz óleo com propriedades organolépticas de excelente qualidade industrial e nutricional. Além do óleo comestível, que é o subproduto mais conhecido, também pode ser utilizado como forragem na alimentação de animais. O girassol poderá, num futuro próximo, produzir o "biodiesel", como combustível para motores estacionários, máquinas agrícolas e demais veículos automotores.
A Embrapa Agropecuária Oeste, ao longo dos anos, vem realizando pesquisas com a cultura do girassol, com o objetivo de adequá-la aos atuais sistemas de produção. Nestes estudos, verificou-se que a primeira quinzena do mês de março é a época ideal para semeadura do girassol na região, desde que tenhamos umidade suficiente no solo para sua emergência.
Numa mesma cultura, existem diferentes genótipos que, por sua vez, comportam-se de maneira diferenciada em relação ao outro, tanto na produtividade de grãos como em outras características, quando cultivados em diferentes situações. No estudo de competição de cultivares, realizado no ano de 2000, o híbrido M 734 produziu 3.026 kg/ha. Outros genótipos testados nos anos 2000 e 2003, produziram em média 1.848 kg/ha.