A Embrapa Agrobiologia tem há mais de 10 anos um programa de seleção de estirpes de rizóbios para incrementar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em feijão-caupi. Inicialmente restrito a áreas de sequeiro do Nordeste, o programa sempre apresentou resultados promissores que motivaram a equipe, garantindo a consolidação dos estudos de FBN na cultura, Nos últimos anos, experimentos também foram implantados em área irrigadas do Sertão, em áreas da Zona da Mata e Agreste da região Nordeste e mesmo no ecossistema do Cerrado da região Norte.
A implantação de todas essas atividades só foi possível graças ao empenho de várias instituições: Embrapa Agrobiologia, Embrapa Semi-árido, Embrapa Meio-Norte, Embrapa Roraima, UFRPE, UNEB, UEPB. Reunidas e integradas, essas instituições consolidaram uma Rede de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) para avaliação da eficiência agronômica destas estirpes no campo, sob a coordenação da Embrapa Agrobiolgia.
Os testes de dois anos da Rede que levaram a recomendação da estirpe BR 3267 estão chegando ao fim este ano. Além dessa estirpe, mais duas também são recomendadas para o feijão-caupi: UFLA 3-84 (SEMIA 6461) e INPA 3-11B (SEMIA 6463).
Mais uma vez os resultados trouxeram surpresas agradáveis. A novidade é que além das estirpes recomendadas pelo MAPA, novas estirpes ainda mais promissoras se destacaram. Os exemplos vêem dos ensaios em Juazeiro (BA) e Recife (PE). Em ensaio de sequeiro na Caatinga (Juazeiro), a inoculação da cultivar Maratuã com uma nova estirpe (BR 3299), de crescimento rápido, atingiu produtividade de 1.480 kg/ha, cerca de 30% superior ao tratamento de 80 kg N/ha na forma de uréia. Em relação ao controle absoluto (sem adubação nitrogenada e não inoculado) o incremento foi cerca de 85%.
Resultados ainda mais expressivos foram encontrados na Zona da Mata (Recife). Em 2005, a inoculação da cultivar Canapu, também com a mesma estirpe (BR 3299), atingiu produtividade de 1740 kg/ha, 80% acima ao tratamento de 80 kg N/ha na forma de uréia e 230% superior ao controle absoluto. Em 2006, esses patamares foram confirmados. A produtividade neste ano foi de 1.556 kg/ha, cerca de 50% em relação ao tratamento com adubação nitrogenada (80 kg N/ha) e 190% acima do controle não inoculado e não adubado.
Os resultados de Roraima também mostraram que para aquele ecossistema a recomendação da estirpe BR 3262, isolada do Sistema Integrado de Produção Agroecológica, em Seropédica (RJ), pode garantir ganhos de produtividade expressivos.
Esses resultados indicam um possível efeito de solo, clima e cultivar que pode afetar a resposta da inoculação do feijão-caupi. Nesse sentido, a importância da continuidade de um programa integrado de PD&I de FBN em feijão-caupi, que atenda os diferentes ecossistemas brasileiros onde a cultura tem expressão, pode ser em breve utilizado nos programas de melhoramento vegetal.
Estes cenários indicam o quanto o agronegócio do feijão-caupi pode expandir com a inoculação de estirpes de rizóbio, contribuindo para aumentar a produtividade da cultura, a qualidade de vida do agricultor e o progresso das regiões.
No Brasil existem cerca de dez empresas cadastradas para a produção de inoculantes registrados pelo MAPA. Pedidos de inoculantes devem se solicitados diretamente à estas empresas.
Autores: Norma Rumjanek e Gustavo Xavier - pesquisadores da Embrapa Agrobiologia.