De origem européia, a oliveira foi trazida ao Brasil por imigrantes há quase dois séculos, mas somente na década de 50 foi introduzida no Sul de Minas Gerais. Sem uma produção própria de azeitonas e azeite de oliva, o Brasil tornou-se dependente da importação para abastecimento interno. Para reverter esse quadro, a EPAMIG, através da Fazenda Experimental de Maria da Fé, desenvolve trabalhos de pesquisa e cultivo das oliveiras, que já apresentam resultados bastante satisfatórios.
Os estados do Sul do Brasil apresentam microclimas favoráveis ao cultivo da oliveira.
Em Maria da Fé, MG, que possui condições semelhantes ao Sul do país, duas variedades têm-se destacado nas pesquisas: a "Grapollo", destinada à extração de óleo, e a "Ascolana", para produção de azeitonas de mesa. Essas variedades, dentre as 37 trabalhadas, são as que apresentam maior produtividade e melhor adaptação ao clima da região.
Característica de clima temperado quente, a oliveira é uma planta que necessita de baixas temperaturas no período que antecede a floração para que se obtenham resultados satisfatórios na produção. Para o pesquisador Luiz Eugênio Santana de Mattos (EPAMIG), temperaturas de inverno com médias entre 8 e 10ºC, altitudes que variam entre 200 e 1.300 metros e regime de chuvas superior a 800 mm são suficientes para produções econômicas. O pH do solo, que deve ser superior a 5,5, também interfere na qualidade da produção, principalmente do azeite.
Cada muda de oliveira é vendida na Fazenda Experimental a R$ 15,00, devendo ser encomendada com, no mínimo, 18 meses de antecedência. Luiz Eugênio justifica esse prazo com a própria característica da oliveira: "a cultura produz por muitos anos, mas o desenvolvimento inicial da planta é lento". Somente após quatro anos de plantio é que as mudas tornam-se produtivas. Podem ser plantadas em qualquer época do ano, preferencialmente no período chuvoso. O plantio realizado no período seco necessita de irrigação até o completo "pegamento" da muda, o que aumenta os custos da produção. Já a colheita é realizada em janeiro e fevereiro, após o completo desenvolvimento dos frutos.
As azeitonas podem ter dois destinos. De acordo com as características de cada variedade, a produção se destina ao consumo em mesa ou à extração do óleo de oliva. De acordo com Luiz Eugênio, as azeitonas destinadas à mesa devem ser colhidas manualmente, evitando "machucaduras", que são prejudiciais ao curtimento.
As destinadas à extração de azeite devem ser colhidas após a completa maturação, época em que apresentam maior percentual de óleo.
Uma advertência com relação às azeitonas diz respeito à impropriedade para o consumo logo após a colheita. Neste estado, apresentam-se extremamente amargas, devendo ser "adoçadas" ou "curtidas" por diferentes processos.
O pesquisador informa que logo após a colheita, as azeitonas devem ser submetidas a uma seleção manual (maiores e menores), quando se eliminam as defeituosas, as que sofreram ataques de pragas e doenças, assim como os resíduos, ramos e folhas vindos do campo.
Em seguida, são acondicionadas em vasilhas de plástico onde serão submergidas em solução de hidróxido de sódio. Luiz Eugênio alerta que a concentração dessa solução varia para cada local e variedade.
Condições adequadas aliadas à tecnologia proporcionam uma excelente produção de azeitonas. Cada oliveira é capaz de produzir de 80 a 100 quilos de frutos por safra. O pesquisador ressalta que a pesquisa iniciada pela EPAMIG é inédita no país e pode gerar uma grande oportunidade do Brasil investir na cultura da oliveira.
Processamento das azeitonas
Após a colheita e seleção manual dos frutos, as azeitonas são submergidas em uma solução de hidróxido de sódio, onde permanecem de 5 a 10 horas, sendo necessário verificar a reação da solução com a polpa dos frutos em intervalos de 1 ou 2 horas.
Realizando cortes transversais em amostras de três ou quatro azeitonas, verifica-se uma mudança de coloração da polpa, de verde-claro para róseo, com aspecto úmido, da parte externa para a interior do fruto.
Antes que a solução penetre até a semente, ou em dois terços da polpa, as azeitonas devem ser retiradas da solução de hidróxido de sódio e submetidas à lavagem em água limpa por um período de 15 a 20 dias.
A lavagem é feita preferencialmente em água corrente, ou trocando-se a água das vasilhas duas ou mais vezes ao dia.
Após esse período, as azeitonas perdem totalmente o sabor amargo característico dos frutos, tornando-se adocicadas.
Finalmente os frutos podem ser armazenados em vasilhas apropriadas (vidro, plástico ou louça), em solução de cloreto de sódio (sal de cozinha) à concentração de, no máximo, 5%. Nessa condição as azeitonas podem ser armazenadas por um longo período.
OLIVEIRAS
PROJETO
Local: Fazenda Experimental de Maria da Fé, no Sul de Minas.
Tempo de existência:
Mais de 30 anos.
Objetivo: Introduzir uma nova atividade agrícola como
alternativa de renda e emprego para os agricultores de base familiar da região.
Número de profissionais envolvidos: 12
Estuda: 37 variedades de oliveira
Variedades que se destacaram: Grappolo (para
extração de óleo) e Ascolana (produção de azeitonas de
mesa).
Mudas adaptadas disponibilizadas pela EPAMIG em 2002: 945
Preço da Muda: R$15,00