Aumento na área cultivada, na produção e na produtividade. Pode ser assim resumido o cenário da cultura do sorgo na atual safra quando compara-se com a anterior. Em 2007/2008, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção nacional foi 24% maior que na safra anterior. Em termos de área plantada, o aumento foi menor: de exatos 14,5%. Cruzando-se os números, fica fácil concluir que coube ao aumento da produtividade (que foi de 8,3%) a honrosa responsabilidade de proporcionar mais ganhos ao produtor rural.
Os estados da região Centro-Oeste produzem a maior parte do sorgo do país. Dos 1.857,1 milhão de toneladas produzidas na atual safra, 1.232,5 milhão de toneladas foram colhidas nesta região. Ou seja, os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal respondem por 66% de toda a produção nacional. Como não poderia deixar de ser, os estados maiores produtores estão no Centro-Oeste. Goiás está em primeiro lugar, com 729,3 mil toneladas; em seguida, vem Mato Grosso, com 296,6 mil toneladas. Em termos de área dedicada ao sorgo, os dois também lideram no Brasil.
Dois pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo constataram a expansão da cultura no Centro-Oeste. José Avelino Santos Rodrigues e Flávio Dessaune Tardin, da área de melhoramento genético, percorreram cidades do interior de Goiás e conversaram com produtores e empresários. “Hoje o sorgo é uma cultura que se firmou como mais um elo da corrente produtiva e da geração de rendimentos. O produtor acredita no seu potencial, buscando cultivares mais produtivas (em primeiro lugar), mais resistentes a doenças e adaptadas às condições de plantio após as culturas de verão ou de primeira safra”, explica José Avelino.
Ele relaciona a expansão do sorgo a alguns fatores: “o alto potencial de produção de grãos, a excelente palhada (importante para o plantio direto), as cultivares adaptadas às diferentes condições e sistemas de plantio da região e o fato de os técnicos conhecerem mais a cultura, o que faz com que eles levem mais informações aos produtores”, enumera. Com tudo isto, segundo o pesquisador, está havendo um preço mais compensador e uma inversão. “Hoje, o produtor está sendo procurado pela indústria de ração e pelo confinador; ao invés dele correr atrás, estão vindo atrás do produtor buscar este grão. A comercialização é garantida”.
E as perspectivas são boas para a cultura. O pesquisador acredita que o sorgo tem potencial para crescer, chegando a no mínimo três vezes a área plantada atualmente. “O mercado de leite, carne e ovos é crescente e demanda mais grãos. Com esta produção, conviveremos muito bem com outros grãos e, além disso, vai haver um casamento perfeito. Imagine a soja produzindo proteína no verão, o sorgo produzindo grãos na segunda safra, além de deixar excelente palhada para plantio direto”, empolga-se, lembrando que a convivência é saudável e não há competição, e sim parceria, com outras culturas. “Podemos aumentar a produção de sorgo de uma maneira econômica e sem danificar o meio ambiente”, garante.
Cultivares da Embrapa
José Avelino lembra que os híbridos BRS 308 e BRS 310 são adaptados à região Centro-Oeste do país, apresentando alto potencial de produção de grãos. “Acredito que o BRS 309, que na próxima safra deverá estar no mercado, também será uma excelente opção para os produtores da região. Já o híbrido BR 304, mais antigo e com alguns problemas de quebra de resistência a doenças, ainda tem seu nicho de mercado, pois tem potencial em certas situações”, emenda.
Segundo o pesquisador, “a Embrapa tem procurado desenvolver híbridos mais produtivos e adaptados às diversas condições brasileiras. A disseminação de informações ou de tecnologias é outro ponto importante. O produtor precisa utilizar tecnologia, precisa plantar direito para ter sucesso. É importante lembrar que a Embrapa tem firmado parcerias com empresas privadas para acelerar esse processo”, finaliza.
Outras informações podem ser obtidas junto à Área de Comunicação Empresarial (ACE) da Embrapa Milho e Sorgo: (31) 3027-1272 ou
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