Adubo - Fósforo
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Fertilizantes

Adubo - Fósforo

Entenda as principais características dos fertilizantes fosfatados.
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O fósforo (Phosphorus - portador de luz) é um elemento químico de símbolo P, número atômico 15 (15 prótons e 15 elétrons) e massa atómica igual a 31. É um não-metal multivalente pertencente à série química do nitrogênio.

Trata-se de um elemento quase imóvel no solo, muito reativo com diversos compostos minerais, e é essencial para a vida animal e vegetal, sendo absorvido pelas plantas na forma de íons HPO42- e/ou H2PO4-.

Alguns estudos apontam que as reservas de fósforo ainda deverão durar aproximadamente 150 anos, e não existe outro elemento sucedâneo que possa substituí-lo. A maioria das reservas brasileiras são de origem ígnea, com presença acentuada de rocha carbonática. Sua concentração nos fertilizantes é expressa na forma de óxido (P2O5), mesmo que o P não esteja presente nos fertilizantes / absorvido pelas plantas nesta forma. É absorvido pelas plantas na forma de H2PO4-.

 

O fósforo no solo

Existe um grande predomínio de solos pobres em fósforo. Além disso, os solos têm muita “fome” pelo nutriente, de modo que 70 a 80% do que é aplicado vai para o solo (colóides, sais, óxidos de ferro e alumínio que “sequestram” o nutriente), e não para a planta. Desta forma, estes sítios devem ser preenchidos para que o nutriente fique disponível para as plantas. Além disso, o nutriente está sujeito a perdas por percolação e principalmente por erosão. Existem associações micorrízicas para auxiliar as plantas na captação do nutriente, porém estas relações ainda não são bem estudadas a ponto de se estabelecer recomendações mais específicas.

No solo, o fósforo tem uma atuação complexa. Este nutriente tem pouquíssima mobilidade e sofre interações com microrganismos e partículas de solo, principalmente as coloidais (minerais de argila ou orgânicas). Desta forma, o fósforo tem uma grande probabilidade de ser modificado na solução do solo para as formas menos disponíveis às plantas, reduzindo a absorção pelas raízes. Para evitarmos este problema, devemos nos atentar à escolha da fonte do fertilizante, tamanho de grânulos e localização do adubo em função do pH ideal do solo. Fertilizantes como superfosfato simples e triplo, MAP e DAP com elevada solubilidade em água devem ser preferencialmente aplicados em solos com pH em água variando de 6 a 6,5, na forma granulada aplicado em sulcos (localizada).

No solo, o fósforo pode estar na fase inorgânica e orgânica. Nos solos mais argilosos, há um predomínio da forma inorgânica devido à maior presença de óxidos de ferro e alumínio. Nesta forma, grande parte do nutriente está adsorvido a argilominerais, óxidos de ferro e alumínio. Já na forma orgânica, encontra-se na matéria orgânica, biomassa microbiana, fosfolipídios, fosfato inositol etc. Os solos arenosos possuem menor capacidade de ligação com o nutriente, possuindo menor disponibilidade. Nestes solos, pode-se aumentar o teor de matéria orgânica, aumentando as cargas que irão reter o nutriente no solo.

 

O fósforo nas plantas

O fósforo é absorvido pelas plantas nas formas de ânion de H2PO4- e HPO42-. A função do fósforo está na formação de ácidos nucléicos, membranas, síntese de ATP, ADP e NADP, atuando diretamente na divisão celular, reprodução, metabolismo, armazenamento e transferência de energia. Contribui para o crescimento prematuro das raízes, qualidade de frutas, verduras, grãos e formação de sementes. A planta jovem absorve maiores quantidades de fósforo, ocorrendo rápido e intenso crescimento das raízes em ambientes com níveis adequados do nutriente.

O teor médio de fósforo nas plantas é muito menor do que os teores de nitrogênio e potássio, se assemelhando às quantidades de cálcio, magnésio e enxofre (0,2 a 0,3%). Porém, aplica-se quantidades muito maiores justamente devido à "fome" do solo pelo nutriente. Os sintomas de deficiência (imagens abaixo) são plantas menos desenvolvidas, ficando menores (enfezamento), má fecundação e maturação tardia dos frutos. Nas folhas, os sintomas são observados em folhas mais velhas, através de cores verdes-escuras ou amareladas, que com o tempo tornam-se arroxeadas. Impactando diretamente na produtividade.

 

Aplicação de fertilizante com fósforo

Dentro da nutrição das culturas comerciais, há a tendência de se aplicar o fósforo a lanço, na superfície do solo sem incorporá-lo, ganhando rendimento operacional tanto na semeadura quanto na aplicação do nutriente. Aplicar desta forma ou não se tornou um assunto de amplos debates, mas é fundamental entendermos o manejo e objetivos de curto e longo prazo para debatermos esta questão. É importante destacar que a aplicação a lanço pode resultar em eutrofização dos mananciais, diminuindo o valor dos produtos agrícolas no mercado internacional.

Existe uma íntima relação entre o local de aplicação de fósforo e o crescimento das raízes, observando-se maior proliferação de raízes finas e longas nos locais onde há fósforo externo em maiores concentrações. Quando temos uma falta de fósforo no solo, a raiz tem maior dificuldade para se desenvolver, se enovelando no local onde o fósforo foi aplicado. Desta forma, é interessante manter os teores adequados de fósforo no perfil do solo, proporcionando melhor distribuição e quantidade de raízes em maior volume do solo.

No momento de tomada de decisão quanto à aplicação do fósforo, é interessante termos um diagnóstico consistente da fertilidade do solo em fósforo e sua distribuição em profundidade no perfil, para depois definirmos a estratégia de aplicação do nutriente. 

As formas mais utilizadas para adicionar fósforo ao solo são:

  • a lanço na superfície (com ou sem incorporação): com incorporação, ocorre uma uniformização nas concentrações devido à lavração e gradagem. Em solos com baixa disponibilidade de fósforo, a incorporação cria uma camada de 0 a 20 cm com bastante fósforo, proporcionando maior desenvolvimento radicular, resultando em maior absorção de água e nutrientes e maior desenvolvimento da planta. Aumenta-se também a resistência da planta à secas, devido ao maior desenvolvimento radicular. Para adubação de correção, esta deve ser superior à quantidade retirada pela cultura.
    No caso da aplicação sem incorporação, o fósforo não desce muito em profundidade nas camadas do solo ao longo dos anos. Tal fato pode não representar um problema em solos bem supridos com o nutriente. Vale destacar que neste tipo de aplicação, devemos ter cuidado com o escorrimento superficial que pode causar eutrofização dos recursos hídricos. Desta forma, é interessante considerar a realização de terraceamento e práticas conservacionistas.
  • no sulco de plantio: é aplicado ao lado da semente e abaixo, ou junto à semente (cuidar muito a dosagem neste caso). A dosagem deve ser menor do que 100 kg de P2O5 por hectare (80 kg para algumas culturas). A planta terá um menor desenvolvimento radicular quando comparado à aplicação a lanço, pois a raiz ira se desenvolver na região da linha de semeadura, e assim a planta terá uma menor resistência em situações de deficiência de água. A vantagem deste método de aplicação é a praticidade de operação conjunta com a semeadura. Se o solo possui uma adequada disponibilidade de fósforo, o modo de aplicação é indiferente, porém algumas culturas se beneficiam com uma pequena quantidade na linha, resultando no efeito “starter”. Neste caso, é raro se observar maiores produtividades, porém o maior desenvolvimento inicial faz com que a planta seja menos suscetível à adversidades.
    Em sistema de plantio direto, em solos com baixos teores de fósforo, no primeiro ano o resultado é inferior à aplicação no sulco, se equivalendo nos anos seguintes.


Diretrizes para a localização do fósforo na adubação de manutenção

As diferentes condições das áreas de produção e manejos do sistema irão nos responder qual a interpretação de fósforo no solo, fonte e dose correta, época correta e local correto de aplicação. Existem poucas pesquisas no Brasil que possam nos dar melhores orientações quanto à aplicação do nutriente, desta forma sugere-se alguns princípios gerais que facilitam a tomada de decisão em relação à localização do fósforo na adubação. 

  • Na abertura de área para cultivo em solo deficiente em fósforo, quando o produtor disponibiliza de recursos, pode-se optar pela adubação corretiva do solo, aplicando até a condição ótima (acima do nível crítico) a lanço, e incorporando em até cerca de 15 cm de profundidade. Esta adubação é importante para o bom estabelecimento do sistema plantio direto e melhor distribuição do sistema radicular.
  • Solos com alto potencial de perda de fósforo por escorrimento superficial devem receber o nutriente aplicado de forma localizada no sulco de plantio.
  • Para a adubação corretiva gradual (2 a 3 anos) com doses maiores do que as doses de manutenção, em solos com baixos teores de fósforo na camada de até 20 centímetros de profundidade, podemos dar preferência para a aplicação localizada, no sulco de plantio.
  • Em áreas com solos que possuem teores médio (ou superiores) de fósforo na profundidade de até 10 cm, e teores baixos ou muito baixos em camadas mais baixas (principalmente entre 10 e 20 cm), sugere-se considerar aspectos como declividade do terreno e possibilidade de veranico na tomada de decisão. Quanto mais intensos forem esses fatores, maior a necessidade de aplicação localizada no sulco de plantio.
  • Quando se deseja alto rendimento operacional da semeadura, em solos com teor médio (ou superior) de fósforo na profundidade de até 20 cm, que não tenham alto risco de escoamento superficial, o nutriente pode ser aplicado a lanço.
  • Intercalar a forma de aplicação de fósforo na mesma área
  • Antecipar a aplicação localizada: pode ser viável em várias situações com o auxílio da agricultura de precisão.
  • Prezar por uma boa regulagem dos equipamentos de distribuição, visando a uniformidade de aplicação, pois o nutriente tem uma baixa mobilidade no solo e efeito residual prolongado. Em distribuidores a lanço com mecanismos centrífugos, a homogeneidade das partículas e correta regulagem são pontos fundamentais para distribuir de forma homogênea.
  • Monitorar a fertilidade do solo nas camadas 0 a 10 cm e 10 a 20 cm através de amostras e análise de solo. 
  • Sistemas conservacionistas de solo (plantio direto): sistemas com maior diversidade de espécies e intensidade de aporte de resíduos orgânicos (palhada) oferecem uma maior proteção contra os processos erosivos e escoamento superficial de nutrientes, além de favorecer a redistribuição do fósforo no perfil. Além disso, espécies com sistema radicular robusto, como a braquiária e milheto por exemplo, formam raízes superficiais (que absorvem o fósforo aplicado a lanço) e raízes profundas que se aprofundam no perfil. Ao longo do tempo, a sucessão de plantas contribui para minimizar o gradiente vertical de disponibilidade de fósforo.

 

Sugerimos também assistir ao vídeo abaixo do canal "AgricOnline", em que o professor Daniel fala sobre as consequências do uso de fósforo e calcário na cova.

 

Tipos de fertilizantes fosfatados

  • Fosfatos totalmente acidulados
    • Superfosfato simples (SS)
    • Superfosfato triplo (ST)
    • Monoamônio fosfato (MAP)
    • Diamônio fosfato (DAP)
    • Polifosfato de amônio
    • Superfosfato amoniado
    • Nitrofosfato
  • Fosfatos naturais
    • Fosfatos de ferro-alumínio
    • Fosfatos de ferro-cálcio-alumínio
    • Fosfatos de cálcio
  • Termofosfatos
    • Termofosfato magnesiano e Yoorin
  • Fosfatos alternativos
    • Multifosfato magnesiano
    • Organofosfato
    • Escória de Thomas
    • Farinha de ossos

As fontes de fósforo também podem ser classificadas quanto à solubilidade, sendo solúveis em ÁGUA e CNA (MAP, DAP, superfosfato triplo e simples), ou solúvel em ácido cítrico (fosfatos naturais e termofosfatos).

 

Observe a tabela abaixo, com as garantias mínimas de nutrientes em fertilizantes com fosfato.

Tabela 1. Garantias mínimas de adubos minerais fosfatados (teores em %).
Produto P2O5 (%)  Outros nutrientes (%) / observações
Ácido Fosfórico 40 P2O5 solúvel em água
Farinha de osso calcinado 18 15% de cálcio
Farinha de osso autoclavado 9 1% de N, 3% de carbono orgânico e 14% de cálcio
Fosfato Acidulado Sulfúrico 15 15% de Ca e 10% de S
Fosfato Acidulado Fosfórico 36 10% de Ca
Fosfato Cúprico Amoniacal 34 32% de Cu e 5% de N
Fosfato de Cobalto 32 41% de Co
Fosfato Diamônico (DAP) 45 17% de N (amoniacal)
Fosfato Diamônico cristal (DAP cristal) 50 19% de N (amoniacal)
Fosfato Ferroso Amoniacal  36 29% de Fe e 5% de N
Fosfato Monoamônio (MAP) 48 9% de N (amoniacal)
Fosfato Monoamônico Cristal (MAP cristal) 60 11% de N (amoniacal)
Fosfato Monopotássico 51 33% de K2O
Fosfato natural 5 Pode conter cálcio
Fosfato Parcialmente Acidulado 20 16% de Ca, podendo conter até 6% de S e 2% de Mg
Fosfato Precipitado 7 12% de Ca
Fosfato Natural Reativo 27 28% de Ca
Fosfato Tripotássio 32 64% de K2O
Fosfato Calcinado 18  
Fosfito de amônio 26 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 10% de N
Fosfito de cálcio 28 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 5% de Ca
Fosfito de Cobalto 16 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 7% de Co
Fosfito de Cobre 7 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 3% de Cu
Fosfito de Ferro 9 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 4% de Fe
Fosfito de Magnésio 28 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 3% de Mg
Fosfito de Manganês 28 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 8% de Mn
Fosfito de Níquel 9 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 4% de Ni
Fosfito de Potássio 27 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 20% de K2O
Fosfito de Zinco 38 P2O5 oriundo de ácido fosforoso. 8% de Zn
Fosfossulfato de Amônio 20 13% de N e 12% de S
Multifosfato Magnesiano 18 8% de Ca, 3% de Mg e 6% de S
Nitrofosfato 18 14% de N (forma nítrica), 6% de Ca
Polifosfato de Amônio 34 10% de N (amoniacal)
Polifosfato de Ferro e Amônio 55 4% de N e 22% de Fe
Superfosfato Duplo 28 16% de Ca e 5% de S
Superfosfato Simples 18 16% de Ca e 10% de S
Superfosfato Simples Amoniado 14 1% de N (amoniacal), 14% de Ca e 6% de S
Superfosfato Triplo 41 10% de Ca
Superfosfato Triplo Amoniado 38 1% de N (amoniacal) e 8% de Ca
Termofosfato Magnesiano  17 4% de Mg, 16% de Ca e 8% de Si
Termofosfato Magnesiano Potássico 12 3% de K2O, 16% de Ca, 4% de Mg, 8% de Si
Termo-Superfosfato 18 1% de Mg, 10% de Ca, 2% de S, 1% de Si
Tetrapotássio difosfato  42 54% de K2O
Uréia-Superfosfato 43 17% de N (forma amídica)

Fonte: IN Nº 39/2018.

Em culturas com alto retorno econômico, nas quais o custo com fertilizantes representa uma menor porcentagem do custo de produção, geralmente opta-se por fosfatos de alta eficácia imediata, como os solúveis em água (por exemplo o MAP, superfosfato simples e superfosfato triplo).


Fosfato natural

Fosfatos naturais são concentrados apatíticos obtidos a partir de minérios fosfáticos, que podem, ou não passar por processos físicos de concentração, como lavagem e/ou flotação, para separá-los dos outros minerais com os quais estão misturados na jazida. Estes minerais apatíticos formaram-se sob diferentes regimes geológicos – ígneos, metamórficos ou sedimentares.

Estes depósitos apatíticos são amplamente distribuídos em todo o mundo, tanto geográfica quanto geologicamente, sendo que existem recursos muito grandes, capazes de atender à demanda global por muitas décadas. As estimativas geralmente indicam um total de 200.000 a 300.000 milhões de toneladas de rocha fosfática, com maior concentração de jazidas no norte da África e Estados Unidos. 

No âmbito nacional, as principais jazidas de rocha fosfática se encontram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, com destaque para os fosfatos naturais de Patos de Minas (MG), Araxá (MG), Catalão (GO), Jacupiranga (SP), Abaeté (MG) e Alvorada (SP). Mais recentemente, foi descoberto um depósito no município de Lavras do Sul (RS), de onde será extraído fosfato natural denominado Pampafos. Segundo a EMBRAPA, as reservas geológicas de fosfato natural brasileiras são estimadas em 2,5 a 3,5 bilhões de toneladas, com teor médio de 12%-13% de P2O5.

O fosfato natural é um produto que pode apresentar diferentes níveis de solubilidade, sendo que, geralmente, os produtos que apresentam maior solubilidade são os de origem sedimentar e de natureza não-cristalina. Os que apresentam menor solubilidade (provenientes de rochas ígneas, que apresentam elevado grau de cristalinidade), de modo geral possuem maior efeito residual.     

A legislação brasileira atual indica que, para ser denominado fosfato natural, um determinado fertilizante mineral simples obtido por moagem e peneiramento de rocha fosfática deve apresentar um teor mínimo total de P2O5 de 5%, sendo 15% do teor total solúvel em ácido cítrico a 2% na relação 1:100. Quanto à granulometria, as partículas devem passar, no mínimo, 85% em peneira 0,075 mm (ABNT 200).

Os principais fatores que influenciam a eficiência agronômica dos fosfatos naturais são, principalmente: 

  • Reatividade: o tamanho de partícula tem uma influência importante em sua taxa de dissolução no solo. Quanto mais fino o tamanho das partículas, maior o grau de contato entre o fosfato natural e o solo e, portanto, maior a sua taxa de dissolução;
  • Propriedades químicas do solo: condições de maior acidez do solo, alta capacidade de troca de cátions, baixos níveis de cálcio e fósforo na solução do solo e altos teores de matéria orgânica constituem condições propícias à maior dissolução do fosfato natural;
  • Condições climáticas: quanto maiores os índices pluviométricos, maior será a solubilização, e portanto, a disponibilização do fosfato natural às plantas;
  • Culturas: espécies que apresentam sistema radicular mais agressivo e desenvolvido, com maior quantidade de pêlos radiculares, tendem a apresentar melhor resposta à aplicação de fosfato natural;
  • Práticas de manejo: A incorporação do fosfato natural ao solo, por meio de aração e gradagem, tende a resultar em melhor eficiência agronômica deste fertilizante. No entanto, em sistemas de manejo que adotam o plantio direto, a aplicação a lanço também pode apresentar resultados satisfatórios, em solos com teores médios a altos de P disponível;
  • Época de aplicação: a depender da reatividade do fosfato natural, o momento de aplicação pode se estender desde poucas semanas antes, especialmente em solos ácidos, a até seis meses antes da semeadura de cultivos agrícolas anuais;

A eficácia agronômica do fosfato natural pode ser aumentada por meios biológicos, que se baseiam na produção de ácidos orgânicos para melhorar a dissolução do fosfato natural e a disponibilidade de P nas plantas, tais como: compostagem, inoculação com micorrizas vesicular-arbusculares e uso de microrganismos solubilizadores de fósforo. Além disso, pode-se optar pelo uso de espécies de plantas, ou variedades dentro de uma mesma espécie, mais eficientes na absorção de P. 

No caso de solos ácidos, em que o produtor deseje também fazer a correção do solo, o fosfato natural deve ser aplicado antes da calagem, pois o cálcio presente no calcário poderá formar fosfato de cálcio na reação com o fósforo, indisponibilizando-o às plantas. 

Apesar de seu uso no Brasil ser muito inferior em relação às fontes convencionais mais solúveis, a prática de aplicação direta de fosfato natural como fertilizante apresenta algumas vantagens:

  • Fosfatos naturais são minerais naturais que requerem processamento metalúrgico mínimo. A sua aplicação direta evita o processo tradicional de acidificação úmida para fertilizantes e contorna o ciclo de produção de resíduos poluentes, como fosfogesso e gases de efeito estufa, resultando em conservação de energia e proteção do meio ambiente contra a poluição industrial;
  • Sendo compostos naturais, os fosfatos naturais podem ser usados na agricultura orgânica;
  • Fosfatos naturais adequados para aplicação direta podem ser mais eficientes que os fertilizantes acidulados em termos de recuperação de P pelas plantas sob certas condições;
  • Com base no custo unitário de fósforo, o fosfato natural geralmente é o mais barato;
  • Os fosfatos naturais também podem ter valor agronômico adicional ao fornecer alguns nutrientes secundários, como cálcio, magnésio e manganês; além de micronutrientes, como zinco e molibdênio. Ademais, podem contribuir para redução da saturação por alumínio em solos ácidos, pelo aporte de bases, como cálcio e magnésio.

Quando comparamos os fosfatos naturais de baixa solubilidade com um superfosfato triplo, a comparação não deve ser feita em 1 ano, pois no primeiro ano o fosfato natural reativo pode estar em desvantagem, a depender da sua solubilidade. Assim, para produtos com baixa solubilidade, deve-se comparar em no mínimo 3 anos. Observe a tabela abaixo:

Tabela 2. Eficiência dos fertilizantes fosfatados (Rendimento acumulado de soja)
Fertilizantes fosfatados (t/ha) Rendimento de grãos acumulado de 3 cultivos (t/ha) E ou EqST (%)
1992 1993 1994
Superfosfato triplo 4,37 100 100 100
Fosfato natural farelado 4,62 63 138 167
Fosfato natural moído 4,56 96 112 114
Testemunha 0,45 - - -

Aplicados a lanço e incorporados no primeiro cultivo na dose de 160 kg/ha de P2O5 em solo do Cerrado. Fosfato natural Carolina do Norte. (Rein et al. 1994)

 

Conforme a tabela, podemos perceber que, ao longo dos anos o fosfato natural ganhou eficiência, ultrapassando fosfatos solúveis. O motivo é que, ao longo do tempo, o fosfato solúvel passa por reações químicas o tornando menos disponível (inicialmente ele estava 100% disponível), ficando cada vez mais retido nos óxidos, tendendo a diminuir a sua solubilidade. Já o fosfato natural reativo não se dissolve em poucos dias como a maioria dos fosfatos solúveis, mas leva semanas ou meses para ser solubilizado (é importante ressaltar que tal efeito depende da sua solubilidade, pois existem fosfatos naturais com baixa, média e alta solubilidade). Desta forma, temos pouco fosfato para ser retido nestes compostos, ao mesmo tempo que a planta compete por este fosfato. Assim, ao passar do tempo, o fosfato solúvel vai perdendo solubilidade, e o fosfato natural reativo vai ganhando solubilidade por um tempo, até se estabilizar. Tal fato não significa superioridade de um produto em comparação com o outro, mas que temos diferentes comportamentos (e consequentemente diferentes aplicações) para os produtos.


Superfosfato simples

O superfosfato simples se diferencia pela presença de enxofre (10% a 12%), possuindo 16 a 22% de P2O5 (90% solúvel em água), e 18% de cálcio, e possui grande amplitude de oferta. É solúvel em água, permitindo rápida disponibilidade do fosfato para as plantas, porém, também está sujeito à fixação no solo. Além disso, possuem gesso em sua composição, contribuindo para a redução do alumínio tóxico. São usados principalmente na forma de grânulos, facilitando o manejo e a aplicação, visto que são bastante usados nos adubos formulados.

 

Superfosfato triplo

Possui 44 a 52% de P2O5, com 3% de enxofre e 14% de cálcio. Trata-se de uma fonte relativamente barata quando consideramos apenas o fósforo. Apresenta maior concentração de fosfato do que o superfosfato simples. São usados principalmente na forma de grânulos, facilitando o manejo e a aplicação, visto que são bastante usados nos adubos formulados. É solúvel em água, permitindo rápida disponibilidade de P para as plantas, mas também está sujeito à fixação no solo.
É importante atentar-se ao teor de flúor do produto.

 

Termofosfato

Apresenta baixa solubilidade em água, porém é altamente solúvel em ácido cítrico, sendo uma fonte de liberação gradativa fomentada pela acidez natural do solo ou influência das raízes. Possui liberação lenta, com menor adsorção pelas partículas do solo, favorecendo a absorção pelas plantas e maior eficiência do fertilizante. A eficiência dos termofosfatos pode ser igual ou maior do que as fontes aciduladas, devido à liberação gradual do fósforo que resulta em menores perdas e ação residual mais prolongada, porém, este desempenho varia conforme a qualidade da rocha fosfatada e práticas de manejo.

 

Fosfato monoamônico (MAP) e fosfato diamônico (DAP)

  • MAP: 46 a 52% de P2O5 (solúvel em água) e 9 a 11% de nitrogênio.
  • DAP: 46 a 48% de P2O5 (solúvel em água) e 16 a 18% de nitrogênio.

Podem ser utilizados em qualquer cultura e qualquer tipo de solo. Ao contrário dos fertilizantes orgânicos, ambos utilizam substâncias químicas, sendo produzidos em laboratório, e ambos possuem fósforo e nitrogênio. São rapidamente absorvidos pelo solo e disponibilizados quase imediatamente para as plantas, porém deve-se ter alguns cuidados no manejo, tais como o cuidado com dosagens excessivas. O DAP possui 2 mols de amônia combinado com um mol de ácido fosfórico, já o MAP possui um mol de cada composto, sendo assim, o DAP fornece 18% de nitrogênio, ao passo que o MAP fornece 11%. O DAP possui um pH entre 7,8 e 9,2, sendo recomendado para solos ácidos, já o MAP possui um pH inicial entre 3,5 e 4,2, sendo recomendado para solos alcalinos. Desta forma, devemos observar o pH do solo como fator decisivo para optar entre o MAP ou DAP. Devemos levar em consideração também a solubilidade de cada fertilizante.

Quando aplicado em cima da terra, a alcalinidade e maior concentração de amônia no fosfato diamônico (DAP) resultam em grande potencial de perda de nitrogênio por evaporação, resultando em menor disponibilidade do nutriente às plantas e consequentemente menor rendimento do cultivo. Desta forma, acima da terra, o MAP pode ser mais vantajoso, e no subsolo, por ter mais nitrogênio, o DAP pode ser mais vantajoso.

 

Polifosfatos de amônio

Com 40 a 70% de P2O5, é produzido pela amoniação do ácido superfosfórico. 

 

Superfosfatos amoniados

Obtido pela reação do superfosfato simples / triplo com amônia, e é disponível em diferentes concentrações e solubilidades em água. 

 

Nitrofosfato

É pouco utilizado no Brasil, sendo a maior parte usado na Europa. É utilizado ácido sulfúrico / fosfórico com ácido nítrico, obtendo material com maior solubilidade em água. No Brasil a garantia mínima é de 18% de P2O5, com 14% de N e 8 a 10% de Ca. 

 

Avaliação de fósforo no solo
Para avaliar fosfato mineral, temos os seguintes métodos de avaliação:

  • Soluções extração ácida: desenvolvido para extrair o fósforo do solo. Ao avaliarmos um solo que recebeu fosfato solúvel, este método terá pouca eficiência (?)
  • Método Melhich: funciona bem para solos que foram adubados com fertilizantes fosfatados solúveis ou fertilizantes orgânicos (no caso do orgânico, será retirada apenas a parte mineral). Não serve para solos alcalinos ou que receberam fosfato natural, pois os resultados neste caso não representarão a verdadeira disponibilidade de fósforo no solo. Necessita do teor de argila ou fósforo remanescente para interpretar os dados.
  • Resina trocadora de íons: desenvolvida pelo IAC.

 

Manejo de fertilizantes fosfatados

Os princípios de manejo para se obter o máximo de eficiência dos fertilizantes fosfatados diferem, em certos aspectos, daqueles considerados para os fertilizantes nitrogenados. No caso dos fertilizantes nitrogenados, as formas principais de perdas, e a consequente diminuição da eficiência agronômica, ocorrem por lixiviação e volatização. A eficiência dos fertilizantes fosfatados depende, principalmente, da minimização de perdas por erosão e fixação, embora este último processo não se apresente com características de irreversibilidade total.

Assim, os seguintes aspectos de manejo devem ser levados em consideração, quando se almeja maximizar a eficiência dos fertilizantes fosfatados:

 

Percentagem de P2O5 solúvel em relação ao teor de P2O5 total

A eficiência agronômica dos fertilizantes fosfatados consumidos no Brasil, para culturas anuais e bianuais, tem sido comprovada como dependente dessa relação. O manejo básico desta relação indica que:

  • as fontes mais eficientes têm sido os fosfatos solúveis (superfosfatos e fosfatos de amônio);
  • os fosfatos com alta solubilidade em ácido cítrico (termofosfato e fosfatos naturais de alta reatividade – gafsa, por exemplo), têm mostrado eficiência similar aos solúveis em água, quando computado o efeito residual a longo prazo;
  • os fosfatos naturais brasileiros (Abaeté, Araxá, Alvorada, Catalão, Patos, Tapira, etc.) têm mostrado, com relação aos solúveis em água, uma baixa eficiência inicial (3 a 20%), melhorando um pouco após alguns anos (15 a 45%). 

 

Fertilizantes fosfatados solúveis

Os fertilizantes fosfatados mais solúveis (superfosfatos e fosfatos de amônio) têm sua eficiência agronômica aumentada de forma considerável, quando se levam em conta três aspectos:

  • aplicação após uma calagem adequada;
  • na forma granulada;
  • de maneira localizada (em sulcos).

A finalidade básica dessas três ações de manejo é diminuir a taxa de fixação do fósforo, isto é, diminuir a transformação do fósforo lábil em não lábil. 

Ressalta-se que em algumas situações, notadamente em solos da região dos cerrados, em áreas com alta probabilidade de veranicos, o processo de “construção” da  fertilidade do solo, visando a incorporá-lo à produção de grãos, envolve uma calagem bem feita e uma adubação fosfatada corretiva, além de, em alguns casos, também uma adubação potássica corretiva.

Nestes casos, não só os termofosfatos, mas também as fontes solúveis em água devem ser distribuídas a lanço e incorporadas com gradagem (0-10 cm), seguindo-se as operações de plantio e adubações de manutenção que incluam, também, doses adequadas de adubação fosfatada com fontes solúveis na linha.

Para estimar as doses de P2O5 solúvel a aplicar, utiliza-se a relação seguinte: kg deP2O5 ha-1 = 4 x % de argila ou, ainda, a utilização da mesma relação (kg de P2O5 ha-1 = 4 x % de argila) aplicando-se, por ocasião do plantio, na linha, metade da dose como fósforo solúvel em água e a outra metade como fosfato natural reativo, termofosfato ou outro produto de baixa solubilidade em água. Repetir essa operação por 3 a 5 anos até que o monitoramento via análise de solo indique teor médio a alto em fósforo. A partir daí, fazer apenas a adubação de manutenção.

 

Sequência de culturas

Sob condições de limitação de recursos, ou sistemas de cultivos sequenciais, a prioridade de aplicação dos fertilizantes fosfatados deve ser dada à cultura de ciclo mais curto, com menor desenvolvimento do sistema radicular e com maior intensidade de resposta ao fósforo. As culturas com ciclo mais longo, com maior desenvolvimento do sistema radicular e menor intensidade de resposta a este nutriente podem, muitas vezes, ser razoavelmente bem supridas pelo efeito residual da adubação precedente.

 

Grau de micorrização

A micorrização, através de seu efeito físico na extensão do sistema de absorção das plantas e dos efeitos fisiológicos de utilização de fósforo pela planta, representa um importante mecanismo para a maximização da eficiência de fertilizantes fosfatados. Esta associação favorece ainda o crescimento das raízes e a fixação biológica de nitrogênio, nas plantas que formam simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio. 

 

Critérios econômicos para a escolha de adubos fosfatados

O teor de fósforo total pode não indicar a disponibilidade efetiva de fósforo no adubo, assim, devemos calcular a fração solúvel do elemento em água e citrato. A magnitude do efeito residual deve ser levada em consideração nos cálculos. Sugere-se realizar o cálculo de preço por kg de fósforo assimilável. Se a fonte mais solúvel tiver um preço superior, igual ou pouco inferior a outro de menor solubilidade, mas com maior teor de fósforo total, opta-se pelo produto com maior porcentagem de fósforo total. Caso os produtos tenham preços similares por kg de fósforo assimilável, procura-se por vantagens adicionais como teor de outros nutrientes.

Para fertilizantes fosfatados amoniacais, quando estão sendo adquiridos dois nutrientes com preços relativamente caros, os cálculos podem ser feitos de duas formas:

  1. Determinar o preço por kg de nitrogênio de fertilizantes nitrogenados simples. O menor preço obtido é multiplicado pela quantidade de nitrogênio contida no fosfato amoniacal, e esse resultado é subtraído do preço adubo. A diferença é usada para calcular o preço por kg de nitrogênio no MAP ou DAP.
  2. Calcula-se o preço por kg de fósforo em fertilizantes fosfatados simples solúveis, e o menor preço é multiplicado pela quantidade de fósforo contida no fosfato amoniacal. O valor obtido é subtraído do preço do adubo fosfatado amoniacal, e a diferença é usada para se calcular o preço por kg de nitrogênio no MAP ou DAP.
     

Ecila Maria Nunes Giracca - Eng. Agrª, Drª em Ciência do Solo

José Luis da Silva Nunes - Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

Anderson Wolf Machado - Eng. Agrº

 

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. Manual de Adubação e de Calagem Para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004.

COUTINHO, E.L.; NATALE, W.; VILLA NOVA, A.S. et al. Eficiencia agronômica de fertilizantes fosfatados para a cultura da soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.26, n.9, p.1393-1399, 1991.

GOEDERT, W.J.; REIN, T.A.; SOUZA, D.M.G. Eficiência agronômica de fosfatos naturais, fosfatos parcialmente acidulados e termofosfatos em solo de cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.25, n.4, p.521-530, 1990.


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