O plantio antecipado da soja pode favorecer o milho segunda safra de 2027 e elevar a produção acima das estimativas iniciais. A avaliação é do consultor do agronegócio Antonio Prado G. B. Neto, que destaca os efeitos da semeadura antecipada, do clima e da produtividade.
Segundo dados da Conab de outubro de 2026 citados pelo consultor, a área prevista é de 18,49 milhões de hectares, com rendimento médio de 6.126 quilos por hectare e produção de 113,25 milhões de toneladas. A área cresce 3,7% em relação ao ciclo anterior, mas a produtividade projetada recua 3,2%.
Nas simulações de Prado, cada 100 mil hectares adicionais representam cerca de 613 mil toneladas. Uma saca a mais por hectare na média nacional pode somar 1,11 milhão de toneladas. Com mais 300 mil hectares e ganho médio de cinco sacas por hectare, a colheita chegaria a 120,73 milhões de toneladas, 6,6% acima da estimativa da Conab.
Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás respondem por cerca de 86% da produção projetada, ou 97,5 milhões de toneladas. Nesses estados, colher a soja mais cedo pode permitir o plantio do milho em uma janela de menor risco climático. O resultado dependerá da regularidade das chuvas entre janeiro e abril de 2027, aspecto acompanhado nas previsões meteorológicas.
O acesso a insumos também preocupa. Segundo Prado, as importações brasileiras de fertilizantes acumulavam queda de 15,7% até setembro, frente a 2025. Estoques, logística e prazos de entrega podem influenciar investimentos em sementes, adubação e manejo. A expansão do sorgo, estimulada pela demanda por etanol, pode disputar área com o milho. Os 120,73 milhões de toneladas representam uma simulação de potencial, não uma nova previsão da Conab. A produtividade, mais do que o aumento de área, pode ser decisiva.