Mancha parda (Bipolaris oryzae)

Mancha parda

Helminthosporiose, mancha foliar (Bipolaris oryzae)

Culturas Afetadas: Arroz, Arroz irrigado

Sinônimos: Dreschlera oryzae e Helminthosporium oryzae
Teleomorfo: Cochliobolus miyabeanus

A mancha parda está amplamente distribuída nas regiões orizícolas do mundo, sendo particularmente importante nas regiões tropicais. Em termos de perdas, a doença carrega o estigma de ter causado a famosa “fome de Bengala”, em 1942. Embora a doença tenha expressado seu potencial destrutivo naquela ocasião, as perdas atribuídas a ela não são tão drásticas. Chegam, porém, a ser significativas em função da suscetibilidade da variedade e da ocorrência de condições ambientais favoráveis. A importância da mancha parda tem sido subestimada pelo fato de ser freqüentemente confundida com a brusone. Os danos associados à doença são decorrentes da infecção dos grãos, da redução na germinação das sementes, da morte de plântulas originadas de sementes infectadas e da destruição de área foliar. As perdas de produção em termos mundiais são muito variáveis. Redução da ordem de 30% já foi relatada para ensaios conduzidos com seis variedades na região norte do Brasil. A mancha parda normalmente ocorre tanto em culturas instaladas sob condições irrigadas como de sequeiro.

Danos: Os sintomas são mais frequentemente encontrados nas folhas e nos grãos, embora possam ser observados também no coleóptilo, nas ramificações da panícula e na bainha. Nas folhas, as manchas jovens ou ainda não totalmente desenvolvidas são arredondadas, de coloração marrom, pequenas. As manchas típicas são ovaladas, de coloração marrom-avermelhada e normalmente apresentam um centro cinza, onde podem ser encontradas as estruturas reprodutivas do patógeno. As manchas ocorrem geralmente de forma isolada. Podem, porém, coalescer e tomar considerável área da folha.

Nos grãos, as manchas são de cor marrom escuro ou marrom-avermelhado. Em ataques severos, as manchas podem cobrir parcial ou totalmente a superfície dos grãos; como conseqüência, ocorre chochamento, redução de peso e gessamento. Em grãos severamente atacados, a remoção das glumas permite observar o escurecimento do endosperma causado pelo fungo. O gessamento provoca quebra dos grãos durante o beneficiamento, diminuindo o rendimento em termos de grãos inteiros.

Os coleóptilos originários de sementes infectadas podem apresentar pequenas manchas de coloração marrom-avermelhado. Sementes severamente atacadas normalmente sofrem redução do seu poder germinativo e os coleóptilos provenientes das mesmas podem, inclusive, morrer.

Controle: A mancha parda tem sido relatada em áreas onde algum fator do ambiente desfavorece a planta, tornando-a predisposta à doença. Em outras palavras, a doença não é problema em culturas instaladas em solos de boa fertilidade e que recebem bom suprimento de água. No Brasil, onde metade da produção de arroz é proveniente do sistema de sequeiro, a doença deve merecer atenção especial, visto que as áreas de arroz de sequeiro são normalmente de solo pobre e sujeitas a períodos de deficiência hídrica; isto é particularmente verdadeiro para as áreas de cerrado, nas quais está concentrada a grande maioria das lavouras de arroz de sequeiro. As culturas implantadas no sistema irrigado, na região sul do país, também estão sujeitas a danos provocados pela doença, apesar das boas condições do solo e da disponibilidade de água. Neste caso, a doença tem sido favorecida pelo plantio de variedades suscetíveis e pela maior freqüência de plantio.

A doença, de acordo com o exposto, é influenciada pela ocorrência de fatores desfavoráveis ao crescimento da planta, pelo estádio de desenvolvimento da mesma e pela suscetibilidade da variedade. Desta forma, as medidas de controle devem estar relacionadas com estes aspectos.

Variedades com elevado grau de resistência ainda não estão disponíveis. Há, porém, indicações de materiais razoavelmente resistentes, mesmo para as condições brasileiras. Na verdade, programas específicos de melhoramento visando a obtenção de variedades resistentes são praticamente inexistentes nas nossas condições; o que existe é a avaliação da reação à mancha parda em variedades ou linhagens produzidas cm programas de melhoramento dirigidos para resistência à brusone.

Além do emprego de variedades com certo grau de resistência, é recomendável a utilização de lotes de sementes sadias ou de sementes tratadas, visando reduzir o inóculo inicial. O uso de adubação adequada e a manutenção de um bom manejo de água podem contribuir para minimizar os efeitos da doença. Práticas como rotação de cultura e eliminação de gramíneas das proximidades da área cultivada com arroz podem desfavorecer a sobrevivência do fungo. A utilização de pulverização com produtos químicos é uma opção de controle que deve ser analisada com cuidado, principalmente para cultivos de sequeiro, em função do baixo rendimento da cultura; no entanto, se esta medida for adotada, deve ser lembrado que as fases finais do ciclo da planta são as mais críticas e, portanto, a folha bandeira e os grãos devem ser convenientemente protegidos.

Alguns fungicidas registrados para a cultura podem ser empregados para o controle preventivo da doença.

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