Verrugose (Elsinoë fawcetti)

Verrugose

(Elsinoë fawcetti)

Culturas Afetadas: Citros

Anamorfo: Sphaceloma fawcettii

A verrugose encontra-se disseminada em todas as regiões produtoras de citros do país. Sua importância é grande em pomares que produzem frutas para o consumo “in natura”, pois os frutos afetados são muito depreciados pela doença. Ela é também importante por contribuir para o aumento na severidade de leprose, pois o ácaro transmissor dessa virose protege-se em frutos com lesões salientes e corticosas de verrugose. Portanto, um bom controle de verrugose é medida obrigatória no controle da leprose.

Há dois tipos principais de verrugose: verrugose da laranja azeda, de ocorrência generalizada em todas as regiões citrícolas do globo, que afeta todos os órgãos aéreos de um pequeno número de variedades cítricas, incluindo laranjas azedas, limões rugosos, limões verdadeiros, limões Cravos, pomelos, trifoliatas, tangor, calamondin e algumas tangerinas (Cravo, King, Satsuma) e verrugose da laranja doce, de ocorrência restrita à América do Sul, que afeta principalmente frutos de laranjas doces e, com menor intensidade, outras espécies de citros e gêneros afins, como algumas tangerinas, limas doces, limas ácidas, Kunquates, pomelos e tângelos.

No Brasil, a verrugose da laranja doce é considerada a principal doença do fruto, sendo a doença da cultura que mais consome fungicidas para seu controle. A verrugose da laranja azeda é de importância menor, por afetar espécies e cultivares de interesse econômico secundário. Entretanto, ela é muito importante em viveiros contendo porta-enxertos suscetíveis, que podem ter seu desenvolvimento muito comprometido pela doença.

Danos: Os sintomas gerais das duas verrugoses são muito semelhantes. Entretanto, a verrugose da laranja azeda afeta ramos, folhas e frutos, ao passo que a verrugose da laranja doce afeta quase que só frutos, sendo raramente encontrada em folhas ou ramos. A verrugose é doença de órgãos em desenvolvimento. Folhas com mais de 1,5 cm de largura, ou que tenham atingido um quarto do seu tamanho final, são praticamente imunes. Os frutos são suscetíveis até atingirem o tamanho aproximado de um quarto do seu diâmetro final, o que na prática corresponde ao período de 10 a 12 semanas após a queda das pétalas. Em folhas, os sintomas geralmente aparecem de 4 a 7 dias após a infecção. Em folhas e ramos novos, a doença manifesta-se de início como pequenas manchas deprimidas de aspecto encharcado.

Em seguida, com a hiperplasia do tecido na área afetada, as lesões se tornam salientes, corticosas, irregulares, cor de mel ou canela, espalhadas por ambas as faces da folha ou pela superfície de ramos. Em folhas, a saliência da lesão em uma das faces corresponde a uma reentrância na face oposta. Em frutos, as lesões são também irregulares, salientes, corticosas, de coloração palha ou cinza escura. As lesões são maiores e mais salientes quanto mais novo for o tecido quando do início da infecção. Quando as lesões ocorrem em grande número em tecidos muito jovens, elas provocam deformações no órgão afetado. Em frutos, as lesões podem coalescer e tomar grandes áreas da casca.

É comum encontrar misturadas grandes lesões, provenientes de infecções primárias, e um grande número de lesões menores, espalhadas pela superfície do fruto, que se originam de infecções secundárias. Em todos os órgãos infectados as lesões são superficiais, não se aprofundando no interior dos tecidos.

Controle: O controle convencional da verrugose é feito por meio de pulverizações com fungicidas, visando sempre a proteção de tecidos jovens suscetíveis. A eficácia dos tratamentos depende não só do fungicida utilizado e sua dose, mas também da época e número de aplicações feitas. As pulverizações realizadas antes da floração das plantas são pouco eficazes. Os tratamentos devem ser iniciados quando cerca de 2/3 das pétalas tiverem caído, visando reduzir as infecções primárias nos frutos recém-formados, quando eles são muito suscetíveis.

Recomenda-se uma segunda aplicação de 4 a 5 semanas após a primeira, no caso de pomares com histórico de doença severa nas safras anteriores. Em caso de ocorrência de floradas de importância após a florada principal, os frutos provenientes dessas floradas também devem ser protegidos. Em pomares irrigados por aspersão, recomenda-se também a realização de 2 aplicações, pois neles os níveis de infecção são geralmente maiores. Produtos cúpricos, benzimidazóis e ditiocarbamatos vêm sendo recomendados no controle à doença.

Excelentes resultados de controle são obtidos com a utilização de um benzimidazol ou ditiocarbamato na aplicação de florada (2/3 pétalas caídas) e um produto cúprico na pulverização pós-florada. A utilização de cobre na segunda aplicação visa também proteger os frutos contra a melanose.

O controle de verrugose da laranja azeda em viveiros é essencial, pois os principais porta-enxertos de citros utilizados no país são muito suscetíveis. Métodos culturais de controle devem ser utilizados visando reduzir a severidade da doença. O viveiro deve ser mantido livre de restos de cultura, que podem funcionar como fontes de inóculo. As irrigações por aspersão devem ser evitadas nas 3 semanas após as brotações.

As brotações novas devem ser protegidas com fungicidas cúpricos e benzimidazóis, em aplicações alternadas, para se prevenir um possível desenvolvimento de resistência do fungo aos benzimidazóis.

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