Adubação orgânica - Introdução e vantagens
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Fertilizantes

Adubação orgânica - Introdução e vantagens

Fertilizantes orgânicos são elaborados com materiais produzidos na própria unidade de produção que, após a ação de microrganismos, atuam principalmente como condicionadores de solo.
Por:

O que são adubos orgânicos?

Os fertilizantes orgânicos, sólidos e líquidos, são todos aqueles materiais de procedência vegetal ou animal (dejetos) que podem ser utilizados como condicionadores de solo, além de fertilizar os mesmos como um todo e assim adubar as culturas. Quando estes materiais se decompõem, viram húmus, fruto da ação de diversos microorganismos. Eles devem ter alto valor agregado e baixo custo de aquisição e produção.

Os fertilizantes podem ser produzidos a partir de matérias primas próprias ou adquiridos de terceiros e se diferenciam dos adubos convencionais pela sua atividade e atuação sobre o solo, as plantas e o ambiente, onde normalmente têm efeitos positivos como um todo, produzindo menores impactos que os convencionais. Os produtos orgânicos a serem utilizados para a fertilização não podem ser provenientes de resíduos contaminados por metais pesados e componentes químicos tóxicos e precisam ser homologados pela legislação e regulamentações das entidades certificadoras de agricultura orgânica, tanto à nível nacional, quanto internacional.

Vários materiais orgânicos podem ser utilizados como fertilizantes. Os fertilizantes orgânicos aplicados no solo precisam ser mineralizados, pois as plantas não absorvem compostos na forma orgânica. Além de contribuir com a melhoria da fertilidade dos solos, os resíduos orgânicos contribuem com a melhoria da agregação do solo, da estrutura, da aeração, da drenagem e da capacidade de armazenagem do solo. Vale ressaltar que não é correto comparar um fertilizante orgânico com um mineral, pois um fertilizante orgânico tem baixas concentrações de nutrientes quando comparado ao mineral.

A adubação orgânica possui vantagens que não ocorrem na adubação mineral, como melhoria do armazenamento de água, melhoria da estrutura do solo, aumento da atividade microbiana, aumento da capacidade de retenção de nutrientes etc. Desta forma, o adubo orgânico é melhor classificado como condicionador de solo, e não como supridor de nutriente, pois são necessárias grandes quantidades do adubo para funcionar como supridor de nutriente, podendo haver desbalanço nutricional.


Imagem: Pixabay

 

No Brasil, os fertilizantes e corretivos que podem ser usados para a agricultura orgânica são definidos na Instrução Normativa Nº 61, a qual estabelece definições, exigências, especificações, garantias, tolerâncias, registro, embalagem e rotulagem. É permitido o uso de diversos insumos orgânicos, mas é importante observar as restrições quando estes produtos são originados de sistemas de produção não orgânicos.

 

Entrada e saída de matéria orgânica no solo

A quantidade de matéria orgânica no solo varia conforme o balanço entre a quantidade de matéria orgânica que entra e a quantidade que sai do solo. As entradas ocorrem principalmente por meio da deposição de resíduos da vegetação e adição de adubos orgânicos ou cobertura morta. As saídas ocorrem principalmente devido à erosão e à decomposição da matéria orgânica (através da respiração microbiana). Solos argilosos, ácidos, secos ou mal drenados, baixas temperaturas e menor revolvimento do solo reduzem a velocidade de decomposição dos resíduos orgânicos. Por outro lado, resíduos orgânicos ricos em N, amido e celulose, principalmente em solos arenosos, com boa umidade e pH neutro, temperatura elevada e bastante revolvimento do solo aumentam a taxa de decomposição da matéria orgânica.

 

Vantagens da adubação orgânica

Às vantagens da adubação orgânica ultrapassam o efeito nutricional, atuando também como condicionadora de solo e promoção da microbiota do solo:

  • Efeitos condicionadores
    • Capacidade de troca de cátions (CTC): a matéria orgânica possui uma área superficial específica maior que das argilas, o que lhe permite uma capacidade de troca de cátions muito superior a estas. Quanto maior a CTC, maior a fertilidade do solo, sendo maiores as quantidades de cátions essenciais às plantas. 
    • Agregação do solo: a matéria orgânica atua como agente condicionador das partículas do solo, formando agregados bastante estáveis. Além disto, retém de 4 a 6 vezes mais água do que seu próprio peso, o que permite uma diminuição do potencial erosivo da água nos solos.
    • Plasticidade e coesão: a matéria orgânica diminui o efeito negativo da consistência plástica e pegajosidade dos solos argilosos molhados.
    • Temperatura: devido à propriedade de armazenar água, a matéria orgânica é má condutora de calor, diminuindo as oscilações de temperatura durante o dia.
  • Efeitos sobre os nutrientes
    • Disponibilidade: a matéria orgânica é fonte de nutrientes, pois, durante o processo de decomposição, vários elementos vão sendo liberados, principalmente o nitrogênio, enxofre e fósforo. Contudo esta liberação, geralmente, não supre a necessidade das plantas a menos que seja aplicada em grande quantidade. A matéria orgânica também aumenta a retenção de água nos solos e é responsável, em grande parte, pelo aumento da CTC do solo.
    • Fixação do fósforo: a matéria orgânica diminui a fixação do fósforo, já que os coloides orgânicos formam complexos imóveis com o ferro e alumínio, aumentando a disponibilidade deste elemento.
  • Efeitos sobre microrganismos
    • A maioria dos microrganismos associados à matéria orgânica é benéfica às plantas, exercendo importantes funções, mantendo o solo em estado de constante dinamismo

 

Carbono orgânico e agregados em sistemas de manejo

Os solos em climas tropicais geralmente apresentam elevada acidez, baixos teores de matéria orgânica, de nitrogênio e fósforo e baixos teores de magnésio, cálcio e potássio trocáveis, ocorrendo um predomínio de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio e minerais de argila 1:1, limitando a fertilidade de solo. Desta forma, a matéria orgânica é fundamental na manutenção destes sistemas, sendo responsável por armazenar boa parte dos nutrientes do solo, atuar como condicionadora de solo e como fonte de transformações intermediadas por organismos do solo.

A matéria orgânica pode ser dividida em dois grupos:

  • Substâncias não humificadas (SNH) - presença de substâncias “reconhecíveis” quimicamente como carboidratos simples, proteínas, gorduras, lignina, resinas, ácidos orgânicos, polissacarídeos, aminoácidos etc. Tirando as ligninas e resinas, o resto apresenta fácil degradação no solo, sendo utilizados como substratos pela biota do solo.
  • Substâncias húmicas (SH) - representadas por substâncias complexas e heterogêneas, com composição química indefinida e alta resistência à degradação microbiana (recalcitrância).

Através de métodos químicos e físicos, é possível fracionar estes 2 grupos, obtendo informações sobre a representatividade destes, e consequentemente avaliar a qualidade dos ecossistemas.
A ação antrópica de transformação dos agroecossistemas resulta em perda mais rápida das frações lábeis como a matéria orgânica leve, carbono dissolvido na solução e carbono associado à biomassa. Porém, práticas de manejo conservacionista do solo podem incrementar os teores de carbono como por exemplo o sistema de plantio direto ou a rotação de culturas. Estas práticas oferecem mecanismos de proteção ao carbono e formação de agregados maiores, o que resulta em melhor estruturamento do solo. 

Tabela 1. Diâmetro médio dos agregados do solo (DMP) e teor de carbono orgânico na camada de 0 a 5 cm de um Latossolo Vermelho sob o efeito de distintos usos e manejos, em Paty de Alferes, RJ.
Sistema de manejo Diâmetro médio dos agregados Carbono orgânico (g/kg)
Cobertura com gramínea 4,2 21,8
Plantio direto 3,0 18,5
Tração animal 2,2 16,8
Plantio convencional 2,0 11,4
Solo exposto 1,7 6,9

Fonte: Pinheiro et al. (2004).

 

Para complementar o conteúdo, recomendamos assistir ao vídeo abaixo do "Agro de Respeito", em que o Engenheiro Agrônomo Diego Pelizari elucida motivos para não usar o adubo orgânico da mesma forma que o mineral.

 

 

Clique aqui para ler sobre as fontes, composição e eficiência da adubação orgânica.

José Luis da Silva Nunes - Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia

Anderson Wolf Machado - Engenheiro agrônomo


 

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. Manual de Adubação e de Calagem Para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004.

EMBRAPA et al. MANUAL DE CALAGEM E ADUBAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 1. ed. Brasília, DF: Editora Universidade Rural, 2013.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 61, DE 8 DE JULHO DE 2020. [S. l.], 8 jul. 2020.


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